Share

CAPÍTULO 11

last update publish date: 2021-09-09 20:20:41

      “KL”, 14 de janeiro, quarta-feira.

      Levantou-se às onze horas de um dia de sol, aproveitando-se do fato de que só iria voltar a trabalhar na segunda-feira.

      Comprou os jornais, mas nada viu, a respeito dos crimes. Provavelmente tudo seria divulgado na quinta-feira.

      Almoçou peixe frito, no restaurante da esquina → agora tinha dinheiro para comer nesses lugares → e executou três atividades.

      Primeira, escondeu a maleta preta → com a pistola, as luvas e os itens do disfarce→ debaixo da cama. Segundo, guardou a mochila no guarda-roupa. Decidiu ficar com o terno, objetivando utilizá-lo em novas empreitadas.

      Ficou com o dinheiro do tal de Bruno. Queimou a carteira caríssima, mais os documentos. Pretendia vender o celular dele, mas mudou de ideia. Quebrou-o em mil pedaços. Jogou os cacos no lixo.

      Segunda, ligou para o celular do contato, de um dos poucos “orelhões” existentes no bairro.

      → Missão cumprida → anunciou, sem esconder a satisfação.

      → ...

      → Sim. Fiz o serviço. E sem testemunhas. Alô! → aumentou o tom de voz → Onde tu está, mano? A ligação uma merda!

      → ...

      → No norte do país? Ah, sim! O álibi. Sei. Tu é esperto, hein? → riu →. Escondi o carro no lugar combinado. Não tive problemas.

      → ...

      → Eu disse que escondi o carro no lugar combinado! Isso mesmo. Tu tinha razão. Foi um serviço fácil.

      → ...

      → Vai depositar quando?

      → ...

      → Tudo bem. Ligarei quando tiver rece...    

      → ...

      → Sei disso. Fique tranquilo. Não sou trouxa a esse ponto. Ligarei quando tiver recebido a segunda parte do pagamento.

      → ...

      → Ok. Até breve!

      Sentiu vontade de dar pulos de alegria, quando desligou o telefone. Mais alguns dias e estaria livre desse sujeito ambicioso de merda. Cara esquisito pra cacete, pensou. Um monstro!

      Uma ideia macabra brotou em sua mente: e se esse tal de Paulo quisesse eliminá-lo, depois?

Um homem como aquele → rico e inteligente → que se dispôs a correr o risco de m****r matar o próprio sócio, seria capaz de qualquer coisa. Teria, portanto, que tomar cuidado, a partir de agora.

      → Ele que se atreva → murmurou →. Não serei uma presa fácil.

      E terceira, naquela noite fumou maconha. Depois, foi a um prostíbulo. Bebeu. Transou com duas prostitutas. Doidão! Feliz! Sentiu vontade de contar a elas.

      Sentiu vontade de revelar o quanto era esperto e poderoso! Porém se conteve a tempo. Ninguém poderia saber de seus segredos.

      Ninguém!

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • A VINGANÇA DO MORTO   CAPÍTULO 18

    PARTE QUATRO - O FIM DO MISTÉRIO “FT”, 17 de janeiro, sábado. Encontraram-se no restaurante “Hutt Levidt Paladar”, naquela manhã ensolarada. Beijaram-se nas faces. Ocuparam uma mesa discreta, nos fundos do recinto. → Tudo bem? → ela quis saber. → Tudo. → O dia está lindo. → Realmente O sol está maravilhoso. → Vamos almoçar? Comeram lagosta, com arroz, macarrão, salada, feijão e farofa. E vinho branco, como acompanhamento. Em silêncio, cada um imerso em seus próprios pensam

  • A VINGANÇA DO MORTO   CAPÍTULO 17

    “FT”, 16 de janeiro, sexta-feira. Estacionou a BMW a duzentos metros do ginásio. Havia dito para a esposa que precisava resolver um assunto urgente, de trabalho. Ela → acostumada a essas ausências → não questionou nem quis saber do que se tratava. Era uma excelente esposa! Vinte e tantos anos de casamento e continuava compreensiva, fiel e meiga! Fingia, inclusive, ignorar as diversas amantes que arrumava. A mulher perfeita! Olhou o relógio: 23h10min. Saiu da BMW. Usava terno preto, com gravata azul. A pistola se encontrava no coldre axilar, este oculto pelo terno. Adorava usar esse tipo de roupa.

  • A VINGANÇA DO MORTO   CAPÍTULO 16

    “FT”, 16 de janeiro, sexta-feira. Contou tudo! Desde a abordagem pelo contato, o roubo do Corsa, o treinamento, os tiros, o estupro, a fuga, até a chegada na casa, já tarde da noite. → É isso aí → disse, para finalizar a conversa →. É... isso... aí. Cara, preciso de um remédio. Tô com u-uma fodida dor no c-cérebro, entende? O tal de Bruno → após ouvir o bizarro relato → não proferiu uma palavra sequer. Parecia um robô sem alma, como que perdido em sua própria loucura. Guardou o maçarico na maleta e tirou um celular e uma pistola, preta, com silenciador. Destravou a arma. Ergueu a mão armada. Virou-se. → Ca

  • A VINGANÇA DO MORTO   CAPÍTULO 15

    “FT”, 16 de janeiro, sexta-feira. Enquanto isso... Vitorioso! Naquela noite, trancado na biblioteca da mansão → concentrado na elaboração do discurso → sentia-se o mais vitorioso dos homens! Nunca estivera tão satisfeito. Recapitulando os acontecimentos da semana, soubera da morte de Bruno no hotel, às oito da noite da terça-feira. Kleber → gerente de vendas da matriz → lhe dera a notícia. Estava realmente no norte do país. Portanto, bem distante das ações do assassino. Viajara para a cidade de “FT” na manhã do dia seguinte, fingindo estar chocado com o fato. Comparecera ao enterro. Claro!

  • A VINGANÇA DO MORTO   CAPÍTULO 14

    “FT”, 15 de janeiro, quinta-feira. Arregalou os olhos. Viu-se diante de um... “fantasma”??? O sujeito teria entre quarenta e cinco e cinquenta anos. Alto, branco e loiro. Olhos azuis. Cultivava um bigode fino, no estilo dos mexicanos. Apesar do intenso calor, usava um terno preto, com gravata lilás. Na mão direita, uma pasta marrom. → Te matei! → gritou, surpreso → TE MATEI!!! Não pode ser! Não pode ser!!! → Você checou se eu estava realmente morto? → o homem falou e sua voz era extremamente parecida com a do Bruno Handel. → Tu morreu, cara! Puta que pariu!!! O homem depositou a maleta no c

  • A VINGANÇA DO MORTO   CAPÍTULO 13

    PARTE TRÊS - A VINGANÇA DO MORTO “FT”, 15 de janeiro, quinta-feira. Ao despertar, sentiu uma incômoda dor de cabeça. Dor chata! Como se agulhas perfurassem seu cérebro! Tentou se mexer, mas não conseguiu. Percebeu que estava amarrado a uma cadeira de aço → extremamente pesada → de espaldar alto. Cordas poderosas o prendiam por trás. Tentou de desenvencilhar, sem sucesso. → Merda! → vociferou, sem forças. Suava. O suor descia → lentamente → por seu rosto. Calculou ser quase meio-dia, com a temperatura na casa dos trinta e poucos

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status