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CAPÍTULO 10

last update Data de publicação: 2021-09-09 20:20:04

      “NH”, 13 de janeiro, terça-feira. Fim da retrospectiva. De volta ao presente.

      Afastou os pensamentos, quando chegou na rodoviária.

      Olhou o relógio: 18h20min. O dia quente dava lugar a uma noite mais agradável, com o vento amenizando o calor.

      Saiu do ônibus e foi ao banheiro. Urinou. Lavou as mãos e o rosto. No pátio, bebeu água gelada, de um bebedouro público. Caminhou por entre a multidão e foi até o ponto de táxis. Escolheu um deles → o da frente → um Siena amarelo.

      Ocupou o banco do lado e colocou a mochila no banco de trás.

      → Boa noite! Pode me levar até a cidade de “KL”? → perguntou, de modo gentil, ao motorista.

      → Boa noite → respondeu o taxista, sujeito moreno, baixo e gordo e que teria mais de cinquenta anos →. Isso vai lhe custar caro, amigo. É uma viagem longa.

      A cidade de “KL” ficava localizada a cento e cinquenta quilômetros da cidade de “NH” → na direção norte.

      → Diga o preço, por favor. Verei se posso pagar.

      O homem disse o preço. Muito caro → quase um roubo! →, mas não tinha alternativa. Sacou → da carteira → as cédulas e as passou para o motorista que, por sua vez, as guardou no bolso da camisa.

      → Podemos ir?

      → Claro, amigo → o motorista sorriu, satisfeito.

      Iniciaram viagem.

      O taxista era do tipo falador. Abordou vários assuntos, a começar pelo da vida militar, por pensar estar diante de um fuzileiro da Marinha. Disse que se arrependeu de não ter servido e que se decepcionou com o filho, por este ter sido dispensado do Exército. 

      → Meu filho é do tipo preguiçoso, entende? Um mandrião. Com certeza terá problemas na vida.

      Falou também sobre futebol → torcia para o Vasco, que não estava bem, no campeonato →, política, religião → era católico fervoroso →, situação econômica do país e até novelas.

      Tornou-se chato! Para motivá-lo a se calar, respondia com monossílabos e de modo disperso. Bocejou.

      Deu certo!

      Quarenta e cinco minutos depois, o homem, percebendo → finalmente! → que o passageiro não era receptivo, desistiu do papo. 

      O silencio se fez presente, no carro, pelo resto da viagem.

      Aproveitou para cochilar. De leve.

      Acordou, quando percebeu que o táxi entrava na cidade. Sua cidade! Sua grandiosa terra natal → praiana e aconchegante → com seus quase meio milhão de habitantes.

      De olho no relógio, viu que eram 20h10min.

      → Pare ali. → falou, apontando para um posto de combustíveis.

      O motorista obedeceu.

      → Obrigado e boa sorte, amigo → ele disse.

      → Adeus.

      Colocou a mochila nas costas e foi até o banheiro do posto. Urinou. Lavou as mãos e o rosto. Controlou a vontade que sentiu de tomar cerveja e fumar um poderoso cigarro de maconha.

      → Acalme-se... → murmurou para sua imagem refletida no espelho → Essa porra está acabando...

      Saiu do banheiro e foi até o ponto de táxis. Escolheu um Uno.

      → Boa noite. Leve-me até o bairro “KL-17”, sim?

      → Ok → disse o motorista, sujeito alto e magro e que aparentava ter uns quarenta e poucos anos.

      A viagem durou um pouco mais de meia hora. Sem conversas. Sem abobrinhas. O motorista era do tipo tímido e isso ajudou bastante.

      Não cochilou, não pensou em mais nada.

      Minutos depois, mandou o sujeito parar. Saiu do carro e pagou o taxista. Desceu na avenida “KL.250”, de quatro faixas, bastante movimentada naquele horário.

      Com a mochila nas costas, começou a andar → rumo ao sul → com as casas do bairro “KL” do seu lado direito.

      Assustou-se, quando ouviu o barulho de sirene. Quase se escondia num terreno baldio. Mas se controlou a tempo. Suspirou, aliviado, ao ver a viatura policial passar em alta velocidade.

      → Vão assustar o cão, seus lixos → murmurou, enfastiado.

      Andou por quarenta minutos. Cansado. Com sono. Sentindo dores nas pernas e nas costas. Suava. Virou, finalmente à direita, entrando na primeira rua do bairro “KL-17”, larga e deserta. Um cachorro latiu, mas não o atacou. Havia dois carros parados, ao longo da via.

      Percorreu quatrocentos metros e virou à esquerda. Outra rua deserta. Ótimo! Sabia que aquele bairro → além de nobre → era extremamente pacato. Se iria gostar de morar ali? Com certeza.

      Mais cento e vinte metros e virou à direita, desembocando na rua onde residia. Respirou fundo, tirando toda a tensão que se acumulara em seu organismo, nas últimas horas.

      Olhou o relógio: 21h50min.

      A casa amarelo-fosco estava na sua frente, do lado direito da rua. Casa comprada pelo contato.

      → Cheguei, porra! → murmurou, eufórico →. Até que enfim!

      Uma vez dentro da residência, deixou a mochila em cima da mesinha-de-centro, na sala, e foi ao banheiro, onde urinou, defecou e tomou banho. Banho maravilhoso, que tirou o estresse de seu corpo!

      Depois, vestiu bermuda alaranjada → de algodão → e, de volta à sala, ligou a gigantesca TV e o ar-condicionado. Acendeu um cigarro de maconha e o fumou, esparramado no sofá. Ao mesmo tempo, tomava cerveja. Delícia! Fatigado, não quis sair.

         Minutos depois, dormia no sofá → profundamente → como se não fizesse isso há anos!

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Comentários (1)
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James Nungo
Mais um capítulo emocionante lido com sucesso.
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