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Capítulo 155: Elsa Perez

last update publish date: 2026-10-26 04:37:17

Não sabia exatamente há quantos dias estava estava internada no hospital, todos os dias pareciam iguais, os meus dias resumiam-se em ser obrigada a suportar dores, desconforto e a presença constante de pessoas que pareciam olhar para mim com pena. O meu rosto permanecia coberto por ligaduras, e eu mal conseguia suportar a ideia de que havia algo errado comigo.

Os médicos diziam que precisava de tempo para recuperar. As enfermeiras insistiam que devia ter paciência. Todos pareciam convencidos d
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    — Há outra questão que precisamos de discutir. Olhei para ele com impaciência. — O quê? Ele abriu a pasta e retirou alguns documentos. — O processo relacionado com os crimes financeiros em que está envolvida não está a evoluir favoravelmente. Senti o estômago apertar-se. — Como assim? — A investigação continua, e existem provas que podem ser utilizadas contra si. Dependendo das acusações que venham a ser formalizadas e do resultado do processo, poderá enfrentar uma pena de prisão. Fiquei a olhar para ele, sem conseguir falar. Primeiro, o meu rosto. Depois, Adrien morto. Agora, a possibilidade de ir parar à prisão. — Não — murmurei. — Não, isso não vai acontecer. — Elsa, preciso que compreenda a gravidade da situação. — Não vou para a prisão! — É precisamente por isso que estou aqui. Vou analisar todas as possibilidades de defesa, contestar as provas quando houver fundamento para o fazer e procurar a melhor solução jurídica para si. Mas não posso prometer-lhe que evitará

  • A Vingança da Noiva Perfeita    Capítulo 156: Elsa Perez

    Fiquei a olhar para ele, incrédula. — Cirurgias? — Sim. Dependendo da evolução das lesões, poderemos considerar diferentes procedimentos reconstrutivos. O objetivo será melhorar a textura da pele, reduzir algumas cicatrizes e corrigir alterações que possam ser tratadas. Mas não posso prometer que conseguiremos devolver-lhe exatamente a aparência que tinha antes. Não podia prometer. Aquelas palavras destruíram a última esperança a que me agarrava. — Não pode prometer? — repeti, sentindo a raiva crescer dentro de mim. — Está a dizer-me que vou ficar assim para sempre? — Estou a dizer que ainda é cedo para determinar o resultado definitivo. Existem possibilidades de tratamento, Elsa. Vamos ajudá-la a explorar todas as opções disponíveis. — Não quero possibilidades! Quero o meu rosto de volta! A minha voz quebrou-se no fim da frase. As lágrimas continuavam a cair, e eu odiava cada uma delas. Odiava estar naquela cama, odiava a forma como os médicos me observavam e odiava, acima de

  • A Vingança da Noiva Perfeita    Capítulo 155: Elsa Perez

    Não sabia exatamente há quantos dias estava estava internada no hospital, todos os dias pareciam iguais, os meus dias resumiam-se em ser obrigada a suportar dores, desconforto e a presença constante de pessoas que pareciam olhar para mim com pena. O meu rosto permanecia coberto por ligaduras, e eu mal conseguia suportar a ideia de que havia algo errado comigo. Os médicos diziam que precisava de tempo para recuperar. As enfermeiras insistiam que devia ter paciência. Todos pareciam convencidos de que bastava esperar para que tudo voltasse ao normal, mas ninguém sabia o que era estar no meu lugar. Ninguém compreendia o medo que sentia sempre que pensava no momento em que aquelas ligaduras seriam retiradas. Eu sabia que o ácido me atingira o rosto. Sabia que Adrien fizera aquilo comigo. Ainda conseguia recordar o ardor insuportável, os gritos que escaparam da minha garganta e o desespero que senti quando percebi o que ele estava a fazer. Aquele desgraçado tinha destruído a minha vida.

  • A Vingança da Noiva Perfeita    Capítulo 154: Silver Walton

    — Senta-te, querida. Obedeci. O meu avô sentou-se à minha frente, inclinando-se ligeiramente para me observar. — Quero que me escutes com atenção. Sei que estás assustada. Sei que aquilo por que passaste hoje não foi fácil, mas não podes permitir que o medo tome conta de ti. Apertei os dedos uns contra os outros. — Avô, e se me prenderem? A pergunta saiu-me num murmúrio. Pela primeira vez desde que chegara, a minha voz tremeu de verdade. O meu avô não respondeu imediatamente. Estendeu a mão e cobriu a minha com a sua. — Vamos fazer tudo o que for necessário para te proteger. Nenhum Walton vai à cadeia, relaxe. Nos vamos garantir que a tua versão dos acontecimentos seja ouvida. Não estás sozinha nisto. — Mas o Adrien morreu. — Eu sei. — E os pais dele acham que fui eu que o matei. Desviei o olhar, sentindo os olhos arderem. — Os pais dele acabaram de perder um filho. Estão a sofrer e, neste momento, procuram alguém a quem atribuir a culpa. Isso não significa que tenham razã

  • A Vingança da Noiva Perfeita    Capítulo 153: Silver Walton

    Desta vez, não estava a tentar convencer os pais de Adrien. Estava a tentar convencer-me a mim mesma. Porque, naquele momento, entre a culpa, o medo e a dor, eu já não sabia como continuar a viver com a lembrança daquele disparo. Só sabia que não queria ter matado ninguém e que, se pudesse voltar atrás, faria tudo para que aquela noite nunca tivesse acontecido. Permaneci em silêncio durante todo o caminho até à casa do meu avô. Fechei os olhos e respirei fundo, tentando conter a angústia que ameaçava dominar-me novamente. — Estamos a chegar, senhorita Walton — informou o motorista. Abri os olhos. A propriedade do meu avô surgiu diante de mim, imponente como sempre. O portão de ferro abriu-se lentamente, permitindo que o carro percorresse o caminho ladeado por árvores cuidadosamente aparadas. A casa era enorme, elegante e antiga, com uma arquitetura que me recordava os tempos em que ainda era criança. Apesar disso, não sentia que aquele lugar fosse verdadeiramente a minha casa. Faz

  • A Vingança da Noiva Perfeita    Capítulo 152: Silver Walton

    — Não? É tudo o que tens para dizer? Mataste o meu filho e agora vais fingir que não sabes o que aconteceu? Senti os olhos encherem-se de lágrimas. — Eu não o matei! A minha voz saiu fraca, quase irreconhecível. — Mentira! — gritou o pai dele. — Disseram-nos que foste tu quem disparou! — Eu… — As palavras ficaram presas na minha garganta. — Ele apontou-me uma arma — consegui dizer. — Ele agarrou-me e tentou obrigar-me a ir com ele. Eu só estava a tentar libertar-me. A mãe de Adrien abanou a cabeça violentamente. — Cala-te! Não quero ouvir as tuas desculpas! — Não são desculpas! Desta vez, a minha voz saiu mais alta. As pessoas que estavam no corredor começaram a olhar para nós. Algumas aproximaram-se discretamente, enquanto outras permaneceram imóveis, atraídas pela discussão. Eu mal as via. Só conseguia olhar para os pais de Adrien e pensar que, para eles, eu seria sempre a mulher que tirara a vida ao filho deles. Não importava que ele tivesse apontado uma arma para mim. Nã

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