LOGINDe alguma forma, Diego me passava tranquilidade. — Eu vou pensar— eu disse entristecida. — Pense com carinho, estou do seu lado e vou ficar até que me dispense. Eu ri sem jeito, estava muito angustiada com a proposta inesperada. Quando Diego já se retirava, eu lhe disse o que o meu coração já gritava. — Eu vou primeiro lutar pelo Alejandro. Preciso saber se posso contar com ele, se vai me proteger daqueles monstros. — Sim, para isso ele teria que acreditar em você. Foi as palavras proferidas pelo Diego antes de se retirar. Aquilo ficou no meu pensamento a me perturbar. Não consegui ficar muito tempo no orfanato, não conseguia me concentrar. Cheguei em casa antes da hora do almoço. Para minha sorte, Thomaz havia saído e eu pude falar com a infeliz que me mandou a última proposta. — Que bom que está aqui, precisava mesmo falar com você, sua cobra peçonhenta! Vera sorriu sem jeito e apontou para o escritório. — Vamos conversar a sós
Marie ficou sem jeito. — Senhora, eu deixei que ele entrasse e arrumasse o nosso computador. Franzi a testa surpresa. — Ligou para ele para arrumar o computador? O Diego é ator! Diego levantou-se e explicou gentilmente. — Eu liguei outro dia para a Marie e disse que poderia me chamar se precisasse de ajuda com informática. Modéstia parte, sou muito nisso. Senti vontade de ajudar de alguma forma esse lugar. Olhei desconfiada para Marie. Por que justo no dia em que eu chego, depois de tanto tempo afastada, o computador dá problema? Era um caso a se pensar. Anita ficou sem saber o que fazer e pediu licença, mas arrastou Marie junto. Diego se aproximou, me olhando estranho, sutilmente malicioso. Dei um passo para trás, claramente incomodada. Para disfarçar, entrei num assunto qualquer. — Eu não engoli essa sua história de computador com a Marie. Estão tendo um caso? — Não, claro que não!— Diego achou graça. — Então me explique
Como eu estava ao lado de Alejandro em tantos compromissos pelos dias que se seguiram, minhas pernas incharam e fiquei indisposta. Ele decidiu me deixar de fora dos seus compromissos eleitorais por alguns dias. Aproveitei para descansar e ser paparicada pelas criadas e até pelo Felipe. Foi naqueles dias que percebi que a Vera estava inquieta, me rodeando. — Você não melhorou ainda? Fiquei até surpresa com a pergunta dela. Eu estava voltando de um passeio pelo jardim, que fazia diariamente, a pedido médico, coisa de meia hora só. — Sim, um pouco! — Vai ficar uma semaninha de folga? Esses compromissos de campanha são cansativos mesmo, Alejandro até já emagreceu! İsso sempre acontece quando ele está nesse período, sabe? Para você, que já está caminhando para o sétimo mês de gestação, fica mais difícil ainda! Eu ouvia intrigada, tentando descobrir qual era o seu propósito, uma vez que nunca se importou comigo! — Quando você vai ao orfanato? As
Vera chegou desconfiada, Thomaz estava ansioso esperando por ela. Assim que ela abriu a porta principal, ele levantou-se do sofá, onde manuseava distraidamente o seu celular. — Vera!— Os olhos dele brilharam. — E aí, falou com ele?— ele quis saber. — Sim, falei. Thomaz achou que a mulher foi muito evasiva na sua resposta. Ele deduziu que fosse por conta das criadas que estavam arrumando a mesa há alguns metros. — Vamos conversar no escritório — ele disse, passando à frente. Vera ficou tensa e seguiu atrás logo atrás. Chegaram e se trancaram no escritório. — Conte-me tudo. Entraram num acordo?— Thomaz perguntou, logo que sentou-se. Vera ajeitou-se na cadeira, antes de começar. — Eu propus a ele o que nós combinamos. Thomaz ficou atento, mas não ouviu mais da mulher. Ele esperou os detalhes que não vieram espontâneamente, e desmanchou o sorriso que tinha nos lábios. — Só isso que tem a me dizer? Vera ficou ofegante, ain
Thomaz suspirou resignado. Havia ocasiões em que ele sabia que discutir com a mulher seria perda de tempo, então apenas lhe fez uma sugestão, em entonação de ordem, claro, para parecer que ainda estava no controle, como autoritário que era. — Fale com esse rapaz, se ele estiver mesmo apaixonado por ela, melhor para nós, nossa consciência fica mais tranquila. Só procure se informar se ele está de acordo em deixar o nosso neto conosco, mesmo que Alejandro pense a princípio que não é filho dele. Vera correu para falar com Diego. Ele estava saindo depois de uma apresentação. Ela se meteu no meio das pessoas que andavam em direção contrária, na saída do teatro. Diego a avistou quando dava autógrafo para um grupo de crianças. Ele se aproximou e foi ao seu encontro. — Eu tinha certeza que viria— ele disse sério. Agitada, Vera saiu o conduzindo pelo braço. — Venha, quero falar com você. Vamos sair daqui, do meio desse bando de crianças fanáticas! Tinha
Meu Deus, ela era insistente demais! Que mulher cobra! Alejandro levantou-se enfurecido e apontou para a porta. — Saia! Não vou permitir que fale dessa forma com a minha esposa, a mãe do meu filho. Eu acho até que já está na hora de vocês procurarem outro lugar para morar, ou voltem para a Europa! — Não, filho. Só vamos embora depois que for eleito!— Thomaz se desesperou. — Então voltem para a casa de praia, onde ficaram escondidos, mas não podem ficar aqui pondo em risco a vida do meu filho, não vêem que a Cris não pode se aborrecer? Eu não posso ficar esperando acontecer o pior! Esses ataques a minha mulher já estão indo longe demais! Vera adoçou a voz, que antes era tão soberba. — Mas nós só estamos preocupados com você, filho!— Vera argumentou nervosa. — Então me deixem viver em paz com a minha mulher! Esta casa já não comporta todos nós! Vera conseguiu deixar as coisas bem pior do que elas estavam. — Como pode estar me mandando embora d







