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A babá Do Ceo
A babá Do Ceo
Author: Leila

Regras

Author: Leila
last update publish date: 2026-01-22 18:46:18

Natália percebeu que aquele não seria um emprego comum no exato momento em que os portões de ferro da mansão se fecharam atrás do carro.

Não era uma casa.

Era uma fortaleza.

Ela segurou a bolsa contra o corpo, respirando fundo, enquanto observava a fachada moderna, fria, perfeitamente simétrica — como se qualquer traço de humanidade tivesse sido cuidadosamente removido do projeto. Tudo ali gritava controle.

— É aqui… — murmurou para si mesma.

O motorista sequer respondeu. Apenas desceu, abriu a porta e indicou a entrada com um gesto profissional demais para um lugar tão… opressor.

Natália entrou.

O interior era ainda pior. Silencioso. Impecável. Branco, cinza e vidro. Nenhuma foto nas paredes. Nenhum sinal de lar. Apenas riqueza e distância.

— Senhorita Natália? — uma mulher de postura rígida se aproximou. — Sou Helena, governanta. O senhor Vartem a aguarda no escritório.

Claro que aguarda, pensou. Homens como ele sempre aguardam. Nunca recebem.

Ela seguiu pelo corredor longo, sentindo o salto ecoar no piso de mármore. Cada passo parecia um aviso tardio de que talvez tivesse cometido um erro ao aceitar aquela proposta.

Quando Helena abriu a porta do escritório, Natália teve a primeira visão do homem que mudaria sua vida — mesmo sem saber.

Nicolas Vartem estava de costas.

Alto.

Ombros largos. Camisa social perfeitamente ajustada, mangas dobradas até os antebraços tatuados. Linhas escuras de tinta subiam pela pele como marcas de guerra. Ele falava ao telefone em tom baixo, controlado… perigoso.

— Eu não repito ordens — disse ele. — Faça funcionar.

Desligou sem esperar resposta.

Então se virou.

Os olhos de Nicolas encontraram os de Natália com precisão cirúrgica. Não curiosidade. Avaliação. Como se ela fosse um problema a ser resolvido.

— Você está atrasada — foi a primeira coisa que ele disse.

Natália arqueou uma sobrancelha.

— Bom dia pra você também.

O silêncio que se seguiu foi tão denso que ela quase riu.

— Aqui, pontualidade não é opcional — ele continuou, cruzando os braços. — Nem respostas desnecessárias.

Ela inclinou a cabeça, analisando-o sem disfarçar.

— Interessante. Porque na entrevista disseram que o senhor precisava de alguém urgente. Quando a necessidade aperta, o relógio costuma ser mais flexível.

Helena engoliu em seco atrás dela.

Nicolas deu um passo à frente. Um só. Mas foi o suficiente para mudar o ar do ambiente.

— Eu não negocio regras — disse, a voz baixa, firme. — Principalmente com funcionários.

Natália sentiu o impacto. Sentiu o peso daquele homem. Mas não recuou.

— Ótimo — respondeu, com um meio sorriso. — Porque eu não sou boa em obedecer regras absurdas.

Os olhos dele escureceram. Pela primeira vez, algo além de frieza passou por sua expressão. Irritação. Interesse. Talvez ambos.

— Você está aqui para cuidar do meu filho — afirmou. — Não para me desafiar.

— Engraçado… — ela deu de ombros. — Porque até agora só vi um adulto precisando de mais atenção do que uma criança.

Aquilo foi longe demais.

Nicolas abriu a boca para responder, mas foi interrompido por um som suave vindo do corredor.

Passos pequenos. Apressados.

Um menino surgiu na porta. Devia ter uns cinco anos. Olhos grandes, curiosos, carregando um dinossauro de pelúcia surrado.

Ele ignorou completamente o pai.

Caminhou direto até Natália.

— Você é a babá nova?

Ela se agachou automaticamente, sorrindo de verdade pela primeira vez desde que chegou.

— Sou. E você deve ser o dono desse dinossauro feroz.

O menino abriu um sorriso enorme.

— Ele se chama Thor.

— Nome forte — Natália comentou. — Gostei.

Nicolas observava a cena em silêncio. Algo em seu peito apertou — algo que ele se recusava a nomear.

O filho nunca se aproximava assim de estranhos.

— Papai, ela pode ficar? — o menino perguntou, segurando a mão de Natália.

O CEO sentiu o controle escorrer pelos dedos.

E odiou isso.

— Veremos — respondeu, finalmente. — Natália, temos muito a discutir sobre limites.

Ela se levantou devagar, encarando-o com calma.

— Ótimo, senhor Vartem.

Porque eu também tenho algumas regras.

E nenhuma delas incluía ter medo dele.

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