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Capítulo 44 - Uma mensagem

Author: A escritora
last update Petsa ng paglalathala: 2026-09-12 02:53:25

Alguns dias haviam se passado desde a Feira do Empreendedor, e a rotina de Constantine continuava mais movimentada do que nunca.

A quantidade de pessoas interessadas no projeto havia superado todas as expectativas.

Constantine passava boa parte dos dias organizando nomes, preenchendo cadastros, separando documentos e preparando relatórios para enviar à Zanobi Corporation.

Naquele dia, finalmente havia chegado o momento de entregar todo aquele material.

Umberto decidiu que seria melhor ir pessoalmente até a Doce Sonhos. Além de buscar os relatórios, queria conversar com Constantine sobre alguns assuntos relacionados ao andamento do projeto.

Quando entrou em contato com ela, Constantine explicou:

— Pode passar depois do expediente da confeitaria? Vou ficar aqui ajudando Ludovica e Tomazzo.

— Claro. Sem problema.

Antes de sair da empresa, Umberto também pediu a Nay:

— Nay, envie para o meu e-mail aqueles contratos que serão apresentados aos participantes do projeto.

— Os contratos da Feira?

— Exatamente. Quero mostrar alguns deles a Constantine. Ela precisa saber exatamente quais documentos as pessoas vão assinar antes de começarmos a próxima etapa.

— Pode deixar. Vou enviar agora.

No final do expediente, Umberto seguiu para a Doce Sonhos.

Quando chegou, encontrou Constantine ainda envolvida com os documentos.

— Desculpe a demora — disse ela. — Foi um dia bastante corrido.

— Eu imagino.

Ela indicou uma mesa.

— Pode sentar. Separei os relatórios por categoria.

Umberto se aproximou e começou a analisar os documentos.

Os números confirmavam aquilo que já vinha percebendo: o projeto havia despertado um interesse muito maior do que esperavam.

— Temos um problema — comentou ele.

Constantine levantou os olhos.

— Qual?

— Precisamos de um lugar fixo para atender essas pessoas.

Ela assentiu imediatamente.

— Eu estava pensando exatamente nisso.

— A demanda está crescendo.

— Muito. Tem gente que continua me procurando todos os dias.

Umberto passou algumas páginas.

— Talvez seja necessário criar uma espécie de escritório de atendimento aqui na comunidade.

Constantine ficou surpresa.

— Um escritório?

— Sim. Um pequeno espaço vinculado à empresa, onde essas pessoas possam tirar dúvidas, entregar documentos e receber orientação sem precisar ir até a sede da Zanobi Corporation.

— Isso facilitaria bastante.

— E também evitaria que tudo ficasse concentrado em você.

Constantine sorriu.

— Confesso que já estava começando a ficar difícil.

Os dois voltaram aos documentos.

Constantine revisava os relatórios enquanto Umberto conferia algumas informações. Depois de alguns minutos, ele abriu o computador para acessar os contratos que Nay havia enviado.

— Quero mostrar isso a você também — disse.

Constantine aproximou-se para acompanhar.

— Esses são os documentos que os participantes vão assinar?

— Sim. Quero que você conheça cada etapa antes de começarmos.

Ela assentiu e voltou a analisar os relatórios.

Foi então que o celular de Umberto vibrou sobre a mesa.

Ele pegou o aparelho distraidamente.

Mas, assim que leu a mensagem, tudo mudou.

Seu rosto perdeu a expressão.

Ficou completamente imóvel.

Os olhos se arregalaram enquanto percorria novamente aquelas poucas linhas na tela, como se esperasse que as palavras mudassem.

Não mudaram.

Sua mão começou a tremer.

Constantine continuou revisando os documentos por alguns segundos, até perceber que havia algo errado.

Ergueu os olhos.

Umberto continuava parado, olhando para o celular.

— Umberto?

Ele pareceu não ouvi-la.

— Umberto?

Dessa vez, ele levantou o rosto.

Constantine percebeu imediatamente que havia algo muito errado.

— Você está bem?

Ele passou a mão pelo rosto, tentando recuperar o controle.

— Aconteceu uma coisa.

— O quê?

Umberto se levantou rapidamente.

— Eu preciso me retirar.

Constantine também se levantou.

— Aconteceu alguma coisa na empresa?

Ele pegou o celular e guardou-o no bolso.

— Preciso voltar para lá.

— Quer que eu vá com você?

Umberto negou com a cabeça.

— Não. Fique. Termine os relatórios.

Ele caminhou até a porta, mas parou por um instante.

— Depois conversamos.

Constantine observou enquanto ele saía às pressas.

Umberto saiu da Doce Sonhos sem dizer quase nada.

Já era noite, e, ao entrar no carro, permaneceu alguns segundos parado, com as mãos sobre o volante. A mensagem que havia recebido continuava aberta no celular.

As imagens.

Ele ainda não conseguia compreender completamente o que estava vendo.

Nay havia enviado, por acidente, os arquivos que estavam armazenados na nuvem. Eram imagens da investigação que ela vinha fazendo em segredo.

Fotografias de Emilyke.

Fotografias dela ao lado de outro homem.

Registros de encontros.

Olhares.

Gestos.

Momentos que, isoladamente, talvez pudessem ser explicados de outra maneira.

Mas juntos...

Formavam uma verdade impossível de ignorar.

Umberto ligou o carro e foi direto para casa.

Não queria voltar para a empresa. Não queria falar com ninguém. Precisava ficar sozinho.

Assim que entrou, deixou as chaves sobre o móvel da sala e colocou o celular sobre a mesa.

Permaneceu de pé por alguns instantes, olhando para a tela.

Era como se uma parede de concreto tivesse desabado sobre ele.

Um breu muito denso invadia sua mente, impedindo-o de organizar os pensamentos.

— Não... — murmurou.

Passou as mãos pelo rosto.

Sentou-se no sofá e pegou novamente o celular.

Abriu uma das imagens.

Depois outra.

E outra.

Quanto mais olhava, mais difícil ficava acreditar que tudo aquilo pudesse ser uma coincidência.

Ele começou a voltar mentalmente no tempo.

Onde tudo havia começado?

Quando Emilyke começou a se afastar?

Por que tantas vezes ela parecia distraída quando ele perguntava onde estava?

Por que algumas ligações eram atendidas longe dele?

Por que certas mensagens eram apagadas?

Por que aquele olhar?

Aquela lembrança.

Aquele comportamento.

Tudo começou a ganhar um novo significado.

Durante meses, talvez anos, ele havia enxergado aquelas situações separadamente.

Agora, diante das imagens, elas pareciam peças de um mesmo quebra-cabeça.

Umberto recostou a cabeça no sofá e fechou os olhos.

— Como eu não percebi?

A pergunta saiu baixa.

Ele não sentia apenas raiva.

Sentia-se enganado.

Humilhado.

Traído.

Mas havia algo ainda pior.

Uma das fotografias fez seu coração disparar.

Ele reconhecia aquele homem.

Conhecia aquele rosto.

Conhecia aquela voz.

Conhecia seus hábitos.

Conhecia suas histórias.

Era alguém que havia entrado em sua vida há muito tempo.

Alguém em quem confiava.

Seu melhor amigo.

Vito.

Umberto abriu os olhos lentamente.

Por alguns segundos, ficou imóvel.

— Não...

Negou com a cabeça, como se pudesse afastar aquela conclusão.

Mas as imagens continuavam ali.

Não havia mais como fugir.

Tudo começava a se encaixar.

As conversas.

As ausências.

O nervosismo.

As perguntas que Vito fazia.

A maneira como ele sempre parecia preocupado demais com tudo o que acontecia em sua vida.

Até mesmo a visita que havia feito ao hacker.

Até aquele momento, Umberto havia acreditado em cada palavra.

Agora, pela primeira vez, começou a questionar tudo.

Ele pegou o celular novamente.

Abriu a conversa com Vito.

Ficou olhando para o nome do amigo durante vários segundos.

Seu dedo chegou a tocar na tela, mas ele não escreveu nada.

Ainda não.

Não sabia o que dizer.

Não sabia sequer o que pensar.

Aquela descoberta era grande demais.

A traição de Emilyke já seria suficiente para destruir qualquer pessoa.

Mas descobrir que o homem envolvido com ela era justamente seu melhor amigo tornava tudo ainda mais doloroso.

Umberto levantou-se e caminhou até a janela.

A cidade estava silenciosa.

Ele permaneceu ali durante muito tempo, olhando para as luzes distantes.

Naquela noite, não conseguiu dormir.

Passou horas sentado na sala, revisando as imagens e tentando encontrar alguma explicação que pudesse tornar aquilo menos cruel.

Mas não encontrou.

A cada nova lembrança, a verdade parecia se tornar mais clara.

E, quando o dia começou a nascer, Umberto continuava acordado. Naquela noite, ele não perdeu apenas a mulher que acreditava amar. Descobriu também que talvez tivesse confiado sua amizade à pessoa errada.

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