Home / Romance / A bela do CEO / Capítulo 40 - O abismo entre nós

Share

Capítulo 40 - O abismo entre nós

Author: A escritora
last update publish date: 2026-09-08 22:12:39

No terceiro dia, Umberto já não conseguia esconder a impaciência. Havia passado tempo demais naquela casa. Três dias. Três dias longe de sua empresa, de seus negócios e de tudo aquilo que havia construído com tanto esforço e dedicação. Mesmo que tivesse conseguido trabalhar remotamente em alguns momentos, sabia que precisava voltar.

Naquela manhã, encontrou o pai no escritório.

Edvaldo estava sentado atrás da enorme mesa de madeira, analisando alguns documentos.

Umberto entrou sem bater.

— Pai.

Edvaldo ergueu os olhos.

— Sente-se.

— Não. Dessa vez eu vim avisar que preciso voltar.

O homem pousou os documentos sobre a mesa.

— Já?

— Já estou aqui há três dias, pai.

— E isso é muito?

— Para mim, é.

Edvaldo o observou em silêncio.

Umberto continuou:

— Preciso voltar para os meus negócios. A empresa de mim. Existem muitas coisas que preciso analisar e revisar pessoalmente. Não posso continuar afastado por tanto tempo.

Ele esperava uma discussão. Ou então, que o pai tentasse impedi-lo novamente.

Mas a reação foi algo totalmente diferente do que Umberto esperava.

Edvaldo Levantou-se. Caminhou até ele e o abraçou.

Umberto ficou completamente imóvel, não sabia como agir. Pois não se lembrava da última vez que havia recebido aquele abraço. Por um instante, seu corpo pareceu esquecer todos os conflitos.

As acusações, os anos de distância, as feridas pareciam ter sido neutralizadas.

Edvaldo apertou o filho contra si.

— Meu filho...

A voz saiu diferente, mais baixa e quase emocionada.

— Eu não quero ficar tão distante assim de você.

Umberto fechou os olhos por um breve instante.

— Você é tudo que sua mãe me deixou.

A frase atingiu Umberto de uma maneira inesperada.

Edvaldo continuou:

— Eu quero estar mais perto, estar presente na sua vida.

Afastou-se um pouco, mantendo as mãos sobre os ombros do filho.

— Quero acabar com esse abismo entre nós dois.

Umberto encarou o pai para ver se havia verdade naquelas palavras. Por alguns segundos, não soube o que dizer. Parte dele queria acreditar.

Talvez fosse justamente aquela pequena esperança que nunca havia conseguido matar completamente.

A esperança de que, algum dia, seu pai pudesse finalmente enxergá-lo como filho e não como um homem fraco.

Mas havia uma pergunta que precisava ser feita.

— E os meus outros dois irmãos?

Edvaldo soltou um suspiro.

— Seus irmãos...

Desviou o olhar, como se a simples menção aos dois fosse uma grande inconveniência.

— Ah, eles não têm cérebro para isso.

Umberto franziu a testa.

— Um só pensa em arte.

Edvaldo fez um gesto de desprezo com a mão.

— O outro só pensa nas francesas.

Umberto arqueou a sobrancelha, e indagou:

—Mas o senhor sempre dizia que eles dois, sim, seria a sua salvação.

—É...me equivoquei.

Eles são meus filhos e os amo à minha maneira.

Edvaldo voltou a olhar para ele.

— Mas não têm a mesma capacidade que você.

Umberto ficou sério.

— Não precisa diminuí-los para me elogiar.

— Não estou diminuindo ninguém. Estou constatando um fato.

Edvaldo aproximou-se novamente.

— Você sempre foi diferente.

— Diferente em quê, se sempre me destratava e humilhava.

— Não, filho. Eu estava testando você, moldando seu caráter.

Umberto respirou fundo.

— E é por isso que você quer que eu assuma sua empresa?

Edvaldo demorou alguns segundos para responder.

— Quero que aquilo que construí tenha continuidade.

— Mesmo depois que você se aposentar?

— Principalmente depois.

Umberto percebeu que aquela conversa se tornou profunda.

Edvaldo apertou levemente seu ombro.

— Você me mostrou que é capaz.

Umberto sustentou o olhar do pai.

— Capaz de quê?

Edvaldo sorriu.

— De fazer aquilo que seus irmãos jamais conseguiriam.

Ficaram em silêncio.

Então Umberto deu um passo para trás.

— Eu ainda não prometi nada.

— Eu sei.

— E não quero que esse abraço seja usado para me fazer mudar de ideia.

O sorriso de Edvaldo desapareceu por um instante.

Mas logo voltou.

— Você sempre foi desconfiado demais.

— Aprendi com você.

Edvaldo soltou uma pequena risada.

— Talvez.

Umberto pegou a pasta que estava sobre a mesa e se virou para sair, a voz do pai o fez parar novamente.

— Antes que você vá, preciso da sua ajuda em uma coisa.

Umberto fechou os olhos por um instante. E claro, aquele abraço não poderia terminar sem um pedido.

Virou-se lentamente.

— O que foi?

Edvaldo caminhou até a mesa e pegou um envelope pardo que estava separado entre alguns documentos.

— Tem uma mulher que trabalha na fiscalização que está me deixando maluco.

Umberto permaneceu em silêncio.

— Ela já fez várias acusações contra a empresa. Vive alegando que nossas fábricas estão poluindo e contaminando o ar, o solo...

Edvaldo balançou a cabeça, demonstrando irritação.

— Enfim. Não poupei esforços para que ela parasse de me demonizar.

Umberto estreitou os olhos.

Aquilo não lhe parecia nada simples.

— E o que exatamente você quer que eu faça?

Edvaldo levantou o envelope.

— Ela está pressionando para que eu faça alguma compensação pelo dano que estamos, segundo ela, "causando".

Umberto sentiu a mandíbula endurecer. Será que seria mais uma proposta suja?

Era isso que imaginava.

Edvaldo continuou:

— Você sabe que sempre fui muito zeloso com meus negócios. Nunca me envolvi com esse tipo de coisa.

Umberto ergueu uma sobrancelha.

— Aí é que está o problema.

Edvaldo o encarou.

— Eu não tenho tanta certeza de que você seja tão inocente assim.

O pai soltou uma risada curta, ignorando a provocação.

— Bom, voltando ao que importa. Eles querem que eu faça algum trabalho social para a comunidade.

Fez uma pausa.

— Que, convenhamos, é muito carente.

Umberto percebeu o tom de desprezo na voz do pai.

— Eu nunca fui de me importar muito com esse tipo de coisa — continuou Edvaldo. — Mas também não quero que a imagem da empresa fique associada a essas acusações fúteis.

Ele estendeu o envelope.

— Quero que você me ajude a criar um projeto para eles.

Umberto não pegou imediatamente.

— Um projeto social?

— Exatamente.

— Para reparar os danos?

Edvaldo deu de ombros.

— Para melhorar nossa imagem.

A resposta direta fez Umberto encará-lo.

— Pelo menos você é honesto.

— Sempre fui.

Umberto quase sorriu.

— Não exagere.

Edvaldo ignorou.

— Aqui estão alguns documentos que podem ajudar. Informações sobre a comunidade, algumas exigências da fiscalização e os pontos que precisam ser atendidos.

Estendeu novamente o envelope.

—Eu sei que você fará algo realmente bom.

Umberto pegou os papéis.

— E por que eu?

Edvaldo aproximou-se.

— Porque é um sinal de que quero você mais perto.

Umberto segurou o envelope com força.

Aquelas palavras deveriam soar como um gesto de aproximação. Mas, vindo de Edvaldo, pareciam outra coisa. Uma nova tentativa de puxá-lo para dentro daquele mundo.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • A bela do CEO   Capítulo 42 - Projeto

    Depois da conversa com Vito, Umberto finalmente deixou a empresa.Os últimos dias haviam sido uma verdadeira correria.Três dias na casa de Edvaldo, conversas que preferia esquecer, documentos que ainda precisava analisar e, assim que havia saído da casa do pai, fora diretamente para a empresa.Nem sequer tivera tempo de passar em casa.Agora, enquanto dirigia de volta, sentia o peso daqueles dias sobre os ombros.Precisava descansar.Quando finalmente chegou, entrou em casa e deixou a pasta sobre o móvel da entrada. Tirou o paletó, afrouxou a gravata e soltou um suspiro profundo.— Finalmente...Seguiu diretamente para o quarto.Um banho quente e demorado parecia ser exatamente o que precisava naquele momento.Depois, vestiu uma roupa confortável e pediu algo para comer.Enquanto esperava o delivery, levou os documentos que Edvaldo havia lhe entregado para o escritório.Sentou-se na poltrona e abriu a pasta.Começou a analisar cada página com atenção.Havia informações sobre a comuni

  • A bela do CEO   Capitulo 41 - Amarras

    — Umberto, preciso conversar com você — disse Vito, assim que o amigo entrou na empresa.Umberto deixou a pasta sobre a mesa e soltou um suspiro cansado.— Certo, mas não agora. Acabei de chegar. Esses últimos dias foram uma loucura.Vito assentiu.— Tudo bem. Passo aqui mais tarde. Bom te ver, meu amigo.Ele já estava se afastando quando Umberto o chamou:— Ah, já que você está indo na direção da cafeteria, pede para alguém trazer um café caprichado e um pedaço de torta da Ludovica.Vito acenou positivamente.— Deixa comigo.Assim que saiu da sala, encontrou Nay no corredor.— Nay!Ela se virou.— Oi?— O chefe está pedindo café. Se vira e vai levar para ele agora.Nay congelou. Por um instante, sentiu o coração acelerar.— Eu?— Você mesma.Ela olhou para a porta da sala de Umberto. A lembrança daquela noite no restaurante voltou imediatamente. Pegou a bandeja e seguiu pelo corredor. A cada passo, suas mãos ficavam mais trêmulas. A xícara e os talheres balançavam sobre a bandeja, pr

  • A bela do CEO   Capítulo 40 - O abismo entre nós

    No terceiro dia, Umberto já não conseguia esconder a impaciência. Havia passado tempo demais naquela casa. Três dias. Três dias longe de sua empresa, de seus negócios e de tudo aquilo que havia construído com tanto esforço e dedicação. Mesmo que tivesse conseguido trabalhar remotamente em alguns momentos, sabia que precisava voltar. Naquela manhã, encontrou o pai no escritório. Edvaldo estava sentado atrás da enorme mesa de madeira, analisando alguns documentos. Umberto entrou sem bater. — Pai. Edvaldo ergueu os olhos. — Sente-se. — Não. Dessa vez eu vim avisar que preciso voltar. O homem pousou os documentos sobre a mesa. — Já? — Já estou aqui há três dias, pai. — E isso é muito? — Para mim, é. Edvaldo o observou em silêncio. Umberto continuou: — Preciso voltar para os meus negócios. A empresa de mim. Existem muitas coisas que preciso analisar e revisar pessoalmente. Não posso continuar afastado por tanto tempo. Ele esperava uma discussão. Ou então,

  • A bela do CEO   Capítulo 39 – Frente a frente

    — Eu sempre quis te orientar da forma correta, mas você sempre me desafiou — disse Edvaldo, com a voz carregada de ressentimento. Umberto o encarou. — Eu nunca quis fazer as mesmas coisas que você fazia. O rosto de Edvaldo endureceu. — Porque você é um frouxo! Mole, chorão. A sua mãe te arruinou com aquele jeitinho dela. Deixou você assim. Por alguns segundos, Umberto permaneceu em silêncio. Aquelas palavras atingiram um lugar que ele tentava manter protegido havia anos. Sua mãe. Edvaldo sabia exatamente onde tocar. Mas, daquela vez, Umberto não abaixou os olhos. Deu um passo na direção do pai e respondeu, com a voz baixa e firme: — Não foi minha mãe que me tornou diferente de você, pai. Mas foi justamente ela que me mostrou que eu não precisava me tornar um homem cruel para ser forte. Edvaldo ficou em silêncio. Umberto continuou: — Você chama de fraqueza tudo aquilo que não consegue controlar. Minha escolha, minha consciência, minha liberdade... até o amor que

  • A bela do CEO   Capítulo 38 - Conflitos do passado

    Após aquele dia cansativo na empresa, Umberto organizou os documentos que levaria na viagem. As malas já estavam prontas e, em poucos minutos, ele precisaria apenas entrar no táxi em direção ao aeroporto. Tudo estava perfeitamente organizado. Conferiu pela última vez os contratos, os relatórios e alguns documentos importantes. Pegou os últimos papéis e os colocou dentro da pasta escura que sempre carregava consigo. Era quase um ritual. Nada podia sair do lugar. Depois de verificar se havia esquecido alguma coisa, desligou o computador, apagou as luzes da sala e saiu. O corredor central estava praticamente vazio. Seus passos ecoavam pelo ambiente silencioso enquanto caminhava em direção às escadas. Antes de descer, pegou o celular e enviou uma mensagem para Emilyke. Ela também viajaria naquela noite, embora para um evento completamente diferente. Mesmo com a rotina corrida dos dois, Umberto fazia questão de saber se ela havia chegado bem ao aeroporto. Guardou o celular

  • A bela do CEO   Capítulo 37 — A descoberta

    Nay acorda 5 minutos atrasada, ela jurava que tinha colocado o celular para despertar. Ajeitou rapidamente suas coisas sem ter tempo para o café da manhã. Ainda bem que no trabalho tinha algumas opções para não ficar com fome. O dia foi agitado, após a invasão do racker voltar ao normal parecia impossível. E hoje seria o dia da apresentação do novo uniforme, era obrigatório todos funcionários irem até o auditório ouvir Emilyke falar sobre o tecido e como conservá-lo. No almoço ela comeu um lanche. Ao final da tarde lembrou que em casa tinha algo saudável para jantar, somente um macarrão instantâneo. Mas lhe ocorreu uma ideia de passar em um restaurante e garantir algo que lhe traria um pouco de conforto. Entrou e escolheu a opção de levar o pedido para casa, o lugar era bonito e aconchegante com luzes quentes que te faz desacelerar. Enquanto aguardava começou a observar a clientela requintada e elegante que chegava àquele espaço, ela se impressionou com o silêncio, ouvia-se vez o

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status