FAZER LOGIN— Umberto, preciso conversar com você — disse Vito, assim que o amigo entrou na empresa.
Umberto deixou a pasta sobre a mesa e soltou um suspiro cansado.
— Certo, mas não agora. Acabei de chegar. Esses últimos dias foram uma loucura.
Vito assentiu.
— Tudo bem. Passo aqui mais tarde. Bom te ver, meu amigo.
Ele já estava se afastando quando Umberto o chamou:
— Ah, já que você está indo na direção da cafeteria, pede para alguém trazer um café caprichado e um pedaço de torta da Ludovica.
Vito acenou positivamente.
— Deixa comigo.
Assim que saiu da sala, encontrou Nay no corredor.
— Nay!
Ela se virou.
— Oi?
— O chefe está pedindo café. Se vira e vai levar para ele agora.
Nay congelou. Por um instante, sentiu o coração acelerar.
— Eu?
— Você mesma.
Ela olhou para a porta da sala de Umberto. A lembrança daquela noite no restaurante voltou imediatamente. Pegou a bandeja e seguiu pelo corredor. A cada passo, suas mãos ficavam mais trêmulas. A xícara e os talheres balançavam sobre a bandeja, produzindo ruídos que pareciam altos demais naquele silêncio.
Quando chegou diante da porta, respirou fundo e bateu levemente.
— Entre.
Nay abriu a porta.
— Bom dia, senhor Zanobi.
Umberto estava diante de alguns documentos. Ergueu os olhos. Por um segundo, Nay sentiu o estômago revirar.
— Aqui está.
Aproximou-se da mesa e colocou a bandeja diante dele. A mão tremia tanto que precisou segurá-la com força para não deixar a xícara cair.
— Obrigado.
Ela apenas assentiu. Não queria permanecer ali nem mais um segundo. Virou-se e saiu rapidamente. Assim que fechou a porta, soltou o ar que parecia ter prendido durante todo o tempo. Apressou o passo pelo corredor. Só quando chegou à própria mesa conseguiu respirar novamente. Sentou-se.
Passou as mãos pelo rosto.
— Calma...
Precisava se recompor, aquilo era ridículo, ela estava deixando a situação interferir no trabalho e não podia permitir, abriu o computador. Porém, em vez de começar as tarefas do dia, abriu uma pasta que mantinha escondida entre seus arquivos. Depois outra. E outra. Até chegar ao mural de investigação. A tela estava tomada por fotografias e anotações.
Nay ampliou uma das fotografias. Era Emilyke, em outro lugar, acompanhada pelo mesmo homem. Mordeu discretamente o lábio inferior.
— Então não foi só aquela noite...
Pegou o bloco de notas ao lado do computador e começou a comparar as datas que havia registrado. Havia algo que não conseguia ignorar. Os encontros pareciam acontecer com certa frequência. Restaurantes diferentes. Os horários eram diferentes, mas sempre havia um detalhe em comum; o mesmo homem.
Nay aproximou o rosto da tela. Ela ainda não conseguira descobrir, mas já tinha um suspeito. E aquilo a incomodava.
Não queria entregar nada a Umberto enquanto provas concretas e convicentes, no momento, possuía apenas uma fotografia e uma suspeita. Precisava ter mais detalhes. Embora, no fundo, Nay soubesse que as imagens que havia visto no restaurante não deixavam muito espaço para dúvidas.
A tarde chegou, e Vito finalmente foi até a sala de Umberto. Bateu duas vezes na porta e, ao ouvir a autorização, abriu-a.
— Você tem um minuto?
Umberto levantou os olhos dos documentos que estavam sobre a mesa. Já havia encerrado os trabalhos do dia e começava a organizar algumas pastas.
— Tenho, sim. Já terminei tudo por hoje. Pode entrar.
Vito fechou a porta atrás de si e caminhou até a poltrona em frente à mesa. Sentou-se, apoiando os cotovelos sobre os joelhos por alguns segundos antes de começar.
— Eu fui visitar o hacker na prisão.
Umberto ergueu as sobrancelhas, demonstrando surpresa.
— Você foi?
— Fui. — Vito respirou fundo. — Eu estou muito chateado com toda essa situação. E eu... eu fiquei preocupado.
Umberto recostou-se na cadeira, observando atentamente o amigo.
— Com ele?
—Não...claro que não. Eu tô preocupado com tudo isso. — Vito fez uma pausa. — Você é meu amigo próximo, Umberto. Eu não consigo simplesmente fingir que não estou vendo tudo o que está acontecendo ao seu redor. Fico preocupado contigo. Sei que isso pega a gente de um jeito terrível.
Umberto permaneceu em silêncio por alguns segundos.
— E conseguiu alguma coisa?
Vito meneou a cabeça negativamente.
— Não.
A resposta veio simples, mas carregada de frustração.
Umberto estreitou os olhos.
— Eu imaginei. Esse caso tá muito parado.
— E o cara continua dizendo que não sabe de nada além do que já contou. E, pelo jeito como falou com os policiais lá, ele está decidido a não abrir a boca.
Umberto passou a mão pelo queixo, pensativo.
— Você acredita nele?
Vito demorou um pouco para responder.
— Não sei.
Aquela resposta fez Umberto erguer os olhos novamente.
— Como assim, não sabe?
— Porque tem alguma coisa estranha, algum fio solto que deixamso escapar. — Vito se inclinou para a frente. — Ele parece assustado, Umberto. Não é apenas medo de ficar preso. É como se estivesse com medo de alguém descobrir que ele falou demais.
— E não vai falar... continuamos no mesmo lugar.
— Infelizmente.
Por alguns segundos, nenhum dos dois disse nada.
Vito observou o amigo em silêncio. Conhecia Umberto o suficiente para perceber quando ele estava preocupado, mesmo que tentasse esconder.
— Eu só queria que você soubesse que não está sozinho nisso — disse Vito, finalmente. — Seja lá o que estiver acontecendo, eu vou continuar tentando descobrir.
Umberto ergueu o olhar.
— Obrigado, Vito.
— Não precisa agradecer. Você faria o mesmo por mim.
Umberto esboçou um pequeno sorriso, mas ele desapareceu rapidamente.
— Eu só queria entender quem está por trás de tudo isso.
Vito assentiu.
— Sim...e vamos descobrir. Bom, já vou nessa. Até amanhã.
Ao sair da sala de Umberto, Vito fechou a porta e caminhou alguns passos pelo corredor. Foi então que não conseguiu mais conter o nervosismo. Suas mãos começaram a tremer. Um suor frio percorreu sua testa, mesmo estando em um ambiente completamente climatizado. Ele parou por alguns segundos, respirando profundamente.
— Acho que estou ficando doente — murmurou para si mesmo.
Olhou ao redor, certificando-se de que ninguém estava prestando atenção nele. Precisava se recompor. Caminhou até o bebedouro, pegou um copo descartável e o encheu com água. Suas mãos ainda tremiam quando levou o copo aos lábios. Tomou a água de uma só vez. Depois apoiou as duas mãos sobre o balcão e abaixou a cabeça. A conversa com Umberto continuava ecoando em sua mente. Ele havia conseguido esconder a verdade e sua mente lhe acusava.
Depois da conversa com Vito, Umberto finalmente deixou a empresa.Os últimos dias haviam sido uma verdadeira correria.Três dias na casa de Edvaldo, conversas que preferia esquecer, documentos que ainda precisava analisar e, assim que havia saído da casa do pai, fora diretamente para a empresa.Nem sequer tivera tempo de passar em casa.Agora, enquanto dirigia de volta, sentia o peso daqueles dias sobre os ombros.Precisava descansar.Quando finalmente chegou, entrou em casa e deixou a pasta sobre o móvel da entrada. Tirou o paletó, afrouxou a gravata e soltou um suspiro profundo.— Finalmente...Seguiu diretamente para o quarto.Um banho quente e demorado parecia ser exatamente o que precisava naquele momento.Depois, vestiu uma roupa confortável e pediu algo para comer.Enquanto esperava o delivery, levou os documentos que Edvaldo havia lhe entregado para o escritório.Sentou-se na poltrona e abriu a pasta.Começou a analisar cada página com atenção.Havia informações sobre a comuni
— Umberto, preciso conversar com você — disse Vito, assim que o amigo entrou na empresa.Umberto deixou a pasta sobre a mesa e soltou um suspiro cansado.— Certo, mas não agora. Acabei de chegar. Esses últimos dias foram uma loucura.Vito assentiu.— Tudo bem. Passo aqui mais tarde. Bom te ver, meu amigo.Ele já estava se afastando quando Umberto o chamou:— Ah, já que você está indo na direção da cafeteria, pede para alguém trazer um café caprichado e um pedaço de torta da Ludovica.Vito acenou positivamente.— Deixa comigo.Assim que saiu da sala, encontrou Nay no corredor.— Nay!Ela se virou.— Oi?— O chefe está pedindo café. Se vira e vai levar para ele agora.Nay congelou. Por um instante, sentiu o coração acelerar.— Eu?— Você mesma.Ela olhou para a porta da sala de Umberto. A lembrança daquela noite no restaurante voltou imediatamente. Pegou a bandeja e seguiu pelo corredor. A cada passo, suas mãos ficavam mais trêmulas. A xícara e os talheres balançavam sobre a bandeja, pr
No terceiro dia, Umberto já não conseguia esconder a impaciência. Havia passado tempo demais naquela casa. Três dias. Três dias longe de sua empresa, de seus negócios e de tudo aquilo que havia construído com tanto esforço e dedicação. Mesmo que tivesse conseguido trabalhar remotamente em alguns momentos, sabia que precisava voltar. Naquela manhã, encontrou o pai no escritório. Edvaldo estava sentado atrás da enorme mesa de madeira, analisando alguns documentos. Umberto entrou sem bater. — Pai. Edvaldo ergueu os olhos. — Sente-se. — Não. Dessa vez eu vim avisar que preciso voltar. O homem pousou os documentos sobre a mesa. — Já? — Já estou aqui há três dias, pai. — E isso é muito? — Para mim, é. Edvaldo o observou em silêncio. Umberto continuou: — Preciso voltar para os meus negócios. A empresa de mim. Existem muitas coisas que preciso analisar e revisar pessoalmente. Não posso continuar afastado por tanto tempo. Ele esperava uma discussão. Ou então,
— Eu sempre quis te orientar da forma correta, mas você sempre me desafiou — disse Edvaldo, com a voz carregada de ressentimento. Umberto o encarou. — Eu nunca quis fazer as mesmas coisas que você fazia. O rosto de Edvaldo endureceu. — Porque você é um frouxo! Mole, chorão. A sua mãe te arruinou com aquele jeitinho dela. Deixou você assim. Por alguns segundos, Umberto permaneceu em silêncio. Aquelas palavras atingiram um lugar que ele tentava manter protegido havia anos. Sua mãe. Edvaldo sabia exatamente onde tocar. Mas, daquela vez, Umberto não abaixou os olhos. Deu um passo na direção do pai e respondeu, com a voz baixa e firme: — Não foi minha mãe que me tornou diferente de você, pai. Mas foi justamente ela que me mostrou que eu não precisava me tornar um homem cruel para ser forte. Edvaldo ficou em silêncio. Umberto continuou: — Você chama de fraqueza tudo aquilo que não consegue controlar. Minha escolha, minha consciência, minha liberdade... até o amor que
Após aquele dia cansativo na empresa, Umberto organizou os documentos que levaria na viagem. As malas já estavam prontas e, em poucos minutos, ele precisaria apenas entrar no táxi em direção ao aeroporto. Tudo estava perfeitamente organizado. Conferiu pela última vez os contratos, os relatórios e alguns documentos importantes. Pegou os últimos papéis e os colocou dentro da pasta escura que sempre carregava consigo. Era quase um ritual. Nada podia sair do lugar. Depois de verificar se havia esquecido alguma coisa, desligou o computador, apagou as luzes da sala e saiu. O corredor central estava praticamente vazio. Seus passos ecoavam pelo ambiente silencioso enquanto caminhava em direção às escadas. Antes de descer, pegou o celular e enviou uma mensagem para Emilyke. Ela também viajaria naquela noite, embora para um evento completamente diferente. Mesmo com a rotina corrida dos dois, Umberto fazia questão de saber se ela havia chegado bem ao aeroporto. Guardou o celular
Nay acorda 5 minutos atrasada, ela jurava que tinha colocado o celular para despertar. Ajeitou rapidamente suas coisas sem ter tempo para o café da manhã. Ainda bem que no trabalho tinha algumas opções para não ficar com fome. O dia foi agitado, após a invasão do racker voltar ao normal parecia impossível. E hoje seria o dia da apresentação do novo uniforme, era obrigatório todos funcionários irem até o auditório ouvir Emilyke falar sobre o tecido e como conservá-lo. No almoço ela comeu um lanche. Ao final da tarde lembrou que em casa tinha algo saudável para jantar, somente um macarrão instantâneo. Mas lhe ocorreu uma ideia de passar em um restaurante e garantir algo que lhe traria um pouco de conforto. Entrou e escolheu a opção de levar o pedido para casa, o lugar era bonito e aconchegante com luzes quentes que te faz desacelerar. Enquanto aguardava começou a observar a clientela requintada e elegante que chegava àquele espaço, ela se impressionou com o silêncio, ouvia-se vez o







