LOGINLia Santos só queria salvar a mãe. Desempregada e sem dinheiro para pagar uma cirurgia urgente, ela aceita a proposta mais absurda da sua vida: tornar-se, por contrato, esposa de Rafael Montenegro, o herdeiro cego de uma das famílias mais ricas do país. Frio, poderoso e cercado de segredos, Rafael precisa de um casamento para proteger sua fortuna e manter o controle do império da família. Lia deveria apenas fingir ser sua esposa por seis meses. Nada de sentimentos. Nada de perguntas. Principalmente sobre o acidente que tirou a visão dele. Mas, dentro da mansão Montenegro, nada é tão simples quanto parece. A ex-noiva de Rafael a odeia, a família desconfia dela e o próprio Rafael parece perceber coisas que um homem cego não deveria perceber. Quanto mais Lia tenta manter distância, mais se envolve com o homem que comprou sua presença, mas talvez esteja escondendo uma verdade ainda maior. Entre contrato, desejo, mentiras e ameaças, Lia terá que descobrir se Rafael é sua salvação… ou o maior perigo da sua vida.
View MoreO exame de sangue confirmou a gravidez na manhã seguinte, e eu passei os dois dias posteriores descobrindo que um resultado positivo não tinha nenhuma capacidade de me tornar uma pessoa paciente. A médica explicou os números, pediu repetição do exame no intervalo adequado e marcou a primeira ultrassonografia para algumas semanas depois. Eu ouvi tudo, fiz perguntas demais e tentei não transformar cada resposta em previsão sobre o que aconteceria nos próximos nove meses. Rafael foi melhor. Não porque estivesse menos ansioso, mas porque parecia ter aprendido antes de mim que informação nenhuma conseguiria eliminar completamente a incerteza.— Então agora podemos contar para minha mãe? — perguntou quando saímos da clínica.— Não.— Ela vai descobrir.— Você está desejando isso.— Estou sendo realista.— Só depois da ultrassonografia.— Certo.Ele ficou alguns segundos em silêncio enquanto caminhávamos até o carro.— Lia?— O quê?— Eu vou ser pai.A frase me pegou desprevenida mesmo depoi
A data em que Rafael e eu tínhamos encerrado nossa separação chegou numa terça-feira e quase passou despercebida. Eu só percebi porque, ao procurar uma mensagem antiga de Marcelo, encontrei uma conversa daquele período e reconheci o dia. Um ano antes, eu tinha acordado no apartamento de Rafael com roupas minhas em metade do armário, objetos espalhados pela casa e a constatação quase constrangedora de que continuávamos chamando de separação uma vida que já tinha voltado a ser compartilhada. Horas depois, Daniela ligara sobre Dona Eliane e tudo mudara de direção. Quando contei a Rafael naquela manhã, ele estava tentando encontrar o pote de café que eu tinha colocado na prateleira errada na noite anterior.— Faz um ano.Ele parou com a mão no armário.— Da Santa Aurora?— Também. Mas eu estava pensando na gente.— Nosso casamento tem datas demais.— Casamento, fim do contrato, separação, fim da separação...— Precisamos de um departamento de arquivo.Entreguei o café a ele.— Eu queria f
Dois meses depois de começarmos a tentar ter um filho, eu ainda não estava grávida e descobri que a parte mais difícil daquele processo não era a espera em si, mas impedir que a espera ocupasse espaço demais. No primeiro mês, mesmo prometendo que não faria contas, eu sabia exatamente quando minha menstruação deveria vir. No segundo, consegui ser um pouco menos ridícula, embora ainda tenha me pegado interpretando um atraso de algumas horas como informação relevante. Rafael era melhor nisso do que eu, talvez porque não tivesse um corpo enviando sinais ambíguos o tempo inteiro, talvez porque simplesmente tivesse decidido que não permitiria que cada mês fosse transformado numa prova de alguma coisa. Quando a menstruação veio novamente, eu fiquei decepcionada por uma noite, ele percebeu sem que eu precisasse dizer e não tentou resolver.— Quer falar?— Não muito.— Está triste?— Um pouco.Ele encontrou minha mão sob o lençol e ficou ali.— Então fica triste.— Você não vai dizer que faz p
Os exames começaram duas semanas depois e foram muito menos dramáticos do que a conversa inicial na clínica tinha feito parecer. Na primeira consulta, a equipe havia nos apresentado praticamente todos os caminhos possíveis caso aparecesse alguma dificuldade — tentativa espontânea acompanhada, indução, fertilização, doação de gametas e outras alternativas que só fariam sentido em situações específicas. Depois dos resultados, porém, a médica simplificou bastante o cenário. Meus exames não mostravam nenhum impedimento evidente para uma gestação, os de Rafael também estavam dentro do esperado e, naquele momento, não havia razão médica para começar por um procedimento complexo.— Então a recomendação é tentar normalmente? — perguntei.— Se vocês se sentem prontos, sim. E dar tempo ao corpo antes de transformar tentativa em tratamento.Rafael estava sentado ao meu lado e perguntou:— Quanto tempo?A médica sorriu.— Eu sabia que alguém faria essa pergunta.Olhei para ele.— Eu avisei sobre












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