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Capítulo 5

Author: Pâmela.V
last update publish date: 2026-10-29 18:43:18

KALEL

Acordei mais tarde, exatamente às 10h30. Fiz minha higiene pessoal e tomei café da manhã. A Day não estava em casa, certamente tinha saído para se encontrar com as amigas. Day é filha de uma senhora que tinha sido muito amiga dos meus pais antes da tragédia que aconteceu aqui no morro.

Na época da tragédia, eu e todos os meus amigos éramos muito pequenos. Tínhamos cerca de cinco anos de idade. As autoridades invadiram o morro, e houveram tiros para todos os lados, tanto por parte do povo da do morro quanto dos policiais. Meu pai, como ex-dono do morro, estava no meio de tudo aquilo e foi atingido duas vezes. Na primeira, levou um tiro na perna; na segunda, o ferimento foi fatal. O disparo acertou bem no peito, levando-o a óbito.

Dona Márcia, mãe da Day, também foi atingida e chegou a ser socorrida, mas não resistiu. Com tudo isso, a Day acabou ficando órfã e, por ser muito nova, minha mãe a acolheu para criar. Acabamos crescendo juntos, como irmãos.

Os anos foram passando e, infelizmente, minha mãe se foi. E se foi muito cedo. Eu, com apenas 16 anos, tive que assumir o morro e a casa. Hoje em dia, tenho tudo o que preciso. Antes disso, o morro ficou sem comando algum, mas agora eu era a lei.

Voltando ao foco, fechei a casa e peguei minha moto. Fui diretamente para a salinha tratar dos assuntos do morro e também das contas não pagas pelos consumidores de entorpecentes, tanto do morro quanto do asfalto.

Entrei e me sentei tranquilamente, com a cabeça fria, dando início ao trabalho. Olhei para o celular e senti uma vontade enorme de mandar uma mensagem para a garota do imprevisto de ontem. Vi que ela tinha aceitado minha solicitação para segui-la e não achava que faria mal perguntar se a mina estava bem.

Peguei o celular e fui direto ao direct, mas parei antes de mandar qualquer coisa e pensei: Como assim? Ela vai pensar que estou apaixonadinho, iludido... Isso não é coisa para um homem como eu, mas... Decidi mandar assim mesmo. Digitei depressa uma frase simples: E aí, gata!

Enviei rapidamente e deixei o celular de lado. Parecia que ela não era dessas garotas enxeridas, pois me respondeu em menos de três segundos.

> Oii, bom dia!

E foi assim que iniciamos uma conversa, coisa que eu nunca tinha imaginado fazer, já que, todas as vezes, eram as mulheres que vinham atrás de mim, e não o contrário.

Estava distraído no celular quando alguém bateu na porta.

— Quem é? — perguntei.

— Eu, Th!

— Vai entrando!

Th entrou e se sentou na outra cadeira, à minha frente.

— O que você tem, maluco? — perguntou, me analisando com a sobrancelha franzida.

— Como assim, mano? — perguntei, sem entender.

— Ué, você tá dentro dessa sala desde cedo. Ninguém viu sua cara hoje!

— Eu tava resolvendo umas coisas... — respondi, deixando o celular em cima da mesa.

Th, com toda a sua curiosidade, deu um pulo na direção do meu celular e logo sua expressão ficou maliciosa.

— Tava cuidando dessa coisinha aqui? — perguntou, virando o celular para mim e mostrando a página em que eu estava trocando mensagens com a Mavi.

— Me dê isso aqui! — ordenei, puxando o celular da mão dele

— Ei, calma! — disse ele, dando uma risada. — Essa é a menina que chegou aqui junto com a maluca da Samira?

— É! E, já que você tocou no assunto, o que rolou entre vocês, hein? — perguntei, desviando o foco da parte que me envolvia.

— Ah, eu e ela estamos num caso complicado. Ela quer namorar, e eu sou mais de ficar com todo mundo, sabe?

— Sempre fomos assim, né ? Mas aí tu vai ficar enrolando a guria?

— Fazer o quê, né?! — respondeu, dando de ombros.

— Tu é difícil mesmo, hein?

— Eu e você! — retrucou, me dando um murrinho no braço.

Soltamos uma risada alta e, em seguida, puxei a gaveta, peguei um cigarro para nós e ficamos ali fazendo bolas de fumaça, sem nem perceber o tempo passar.

Estávamos tranquilos, conversando sobre assuntos aleatórios, quando alguém chegou esmurrando a porta e gritando. Com certeza era um dos vapores.

— Entraaa! — gritei.

A porta se abriu de uma vez, e um dos meus vapores entrou praticamente sem fôlego.

— O Túlio tá lá na baixada e mandou avisar urgentemente que os tiras estão tudo aqui!

Imediatamente, Th e eu nos olhamos, entendendo a gravidade do assunto.

— Valeu aí, cara. Avise os outros e se preparem!

O vapor assentiu e saiu correndo. Começamos a pegar as armas no forte, atrás da salinha, e já era possível ouvir os gritos e os sons dos disparos lá embaixo.

— Irmão, com certeza tem muitos deles — comentou Th, avaliando a situação apenas pelo barulho.

— Real! Vamos fazer o máximo para ninguém ser levado. Espero que os outros estejam prontos!          

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