INICIAR SESIÓNPOV: Cecilia Hernández— O que você disse? — perguntei em um fio de voz, tentando assimilar suas palavras. — Você encontrou Ece?Isso… isso significa que Ece é minha irmã Arya.Liam assentiu lentamente. Seu olhar permanecia firme em mim, mas seu tom, pela primeira vez, soou mais humano, mais sincero.— É isso mesmo, Cecilia. Descobri que tudo isso não passou de um mal-entendido. Você não era uma ladra. — Ele fez uma breve pausa, como se lhe custasse admitir o que diria a seguir. — Escute… não estou acostumado a pedir desculpas a ninguém, mas preciso fazer isso com você. Você sempre disse a verdade.Respirei fundo, tentando não deixar que percebesse minha confusão, embora fosse inútil. Por alguma razão que eu não compreendia totalmente, aquilo me inquietava profundamente. E eu o odiava por isso… por me fazer sentir daquela maneira.— Tudo bem — murmurei, contendo o tremor da minha voz. — Não precisa me contar mais nada.Não esperei que dissesse alguma coisa. Simplesmente me virei e saí
POV: Cecilia HernándezRespirei fundo enquanto Liam abaixava lentamente a pistola. O ambiente continuava carregado de tensão, cada segundo pesava como se o próprio cômodo estivesse prendendo a respiração. Seu olhar não se desviava de mim e, por um instante, senti que estava sendo observada não apenas como sua aliada, mas como alguém que havia conseguido tocar uma brecha em seu código, em sua própria humanidade.— Mande este homem para longe daqui — ordenou finalmente, com a voz firme, quase imperceptivelmente contida.Um dos guardas assentiu, com aquela obediência assustadora que surge quando alguém é treinado para agir sem hesitar. Rayner, ainda amarrado e desorientado, não entendia completamente o que estava acontecendo. A mordaça foi retirada de sua boca, e a primeira coisa que saiu dela foi um grito rouco e desesperado.— Não posso acreditar! — berrou ele, com os olhos injetados de sangue e raiva. — Como você pôde ser um traidor, Liam? Éramos sócios nos negócios! Você sabia perfei
POV: Cecilia HernándezLiam apertou os lábios e franziu a testa, como se tentasse decifrar uma resposta que lhe doesse aceitar. Olhou para mim com uma mistura de incredulidade e reprovação que quase me fez recuar.— Mas como você decidiu algo assim? — perguntou, com a voz grave. — Você não sente rancor por tudo o que esse pedaço de escória fez com você?Sua pergunta foi um golpe direto. Percebi em seus olhos o fogo antigo, a urgência de um homem acostumado a respostas mais simples: sim ou não, culpa ou vingança. Ele não conseguia conceber que alguém pudesse escolher algo fora desse esquema. Senti meu peito se apertar. Eu esperava aquele ataque, mas não a violência com que ele formulou a pergunta.Olhei diretamente para ele. Não estava tentando suavizar minhas palavras para agradá-lo, nem justificar meus motivos. Havia apenas alguns minutos, eu sentira a raiva crescer dentro de mim, quente e pura, como uma labareda que exigia ação. Mas também sabia quem eu era — quem queria ser — e ess
POV: Cecilia HernándezJá havia se passado uma semana desde que saí do hospital e tive aquele encontro com minha suposta família.Desde então, eu permanecia trancada em meu quarto, apesar dos esforços de Aslin para me tirar dali. Cada tentativa sua esbarrava na minha resistência e, embora eu compreendesse que ela fazia aquilo para o meu próprio bem, não podia me permitir ceder. Precisava de tempo, precisava de espaço… precisava entender.O título de Senhora Azacel pesava agora sobre meus ombros como uma mentira cruel. Cada vez que ouvia alguém me chamar assim, sentia um nó na garganta e um frio percorrer minha espinha. Eu só desejava que tudo aquilo acabasse o mais rápido possível, para que pudesse me libertar de todos eles e daquela vida que não me pertencia.Mas meu coração doía. Doía horrivelmente ao me lembrar de como Liam havia chamado Arya de “Ece”. Eu sabia que ela não era Ece, que não era a mulher que ele tanto procurava… mas também não podia negar que talvez ela fosse a peça
POV: Liam AzacelEu não conseguia acreditar. Ece estava ali, diante de mim, depois de tantos anos de busca, de tantas noites em claro pensando em como seria o momento em que finalmente a encontraria. Meu peito se apertava com uma mistura de alívio e tormento, e uma onda de emoções me atingiu com uma força indescritível. Finalmente, eu entendia por que Cecilia usava aquele colar: ela era a irmã da verdadeira Ece. Tudo se encaixava, tudo fazia sentido agora e, ainda assim, aquela descoberta não trouxe a paz que eu esperava, mas sim um turbilhão de sentimentos que me dominava.Eu sentia que meu coração queria saltar do peito. Desejava correr até ela, envolvê-la em meus braços, dizer-lhe o quanto havia esperado por ela, o quanto a amara em silêncio durante todos aqueles anos e o quanto minha vida parecia completa só por tê-la por perto. Mas algo dentro de mim ordenou que eu permanecesse onde estava, que me contivesse. Eu não podia permitir que aquele instante fosse arruinado, não podia as
POV: Cecilia HernándezLevantei-me do chão com dificuldade, apoiando-me em Liam, que me segurou com firmeza e permaneceu em silêncio. Sua presença era uma mistura de proteção e ameaça e, por um instante, senti que tudo ao meu redor poderia desmoronar. Diante de mim estava minha mãe, Elvira, com os olhos brilhando de raiva e, atrás dela, meu pai, Theodor, cuja expressão era um mar de desaprovação e desprezo.— Cecilia! — exclamou Elvira, com a voz trêmula de fúria. — Como você pôde enganar Rayner e se casar com esse homem?! Por sua culpa, estamos arruinados!O ar pareceu ficar mais pesado, e cada palavra sua foi como um golpe direto no estômago. Senti o calor da indignação subir pelo peito até queimar minha garganta. Eu não ficaria calada, não dessa vez.— Escute bem, Elvira! — gritei, com a voz trêmula, mas firme. — Jamais me casarei com alguém que me foi imposto, muito menos com um demônio como aquele. Vão à ruína, façam o que quiserem, porque realmente não me importo!Minha mãe abri







