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CAPÍTULO 3

Penulis: Yunari princy
last update Tanggal publikasi: 2026-05-26 13:59:51

—Damian... — Caetano tentou falar, mas foi imediatamente interrompido pela voz cortante e enfurecida do neto.

—EU MANDEI TIRAR ESSA MULHER DAQUI!

Serafina se encolheu involuntariamente diante do grito. A fúria que vinha daquele homem parecia a de uma besta ferida, pronta para atacar qualquer um que se aproximasse.

—Me escute! — Caetano elevou a voz, tentando impor autoridade. — Ela vai ficar aqui, vai cuidar de você, vai se casar com você e depois vocês dois...

—O senhor enlouqueceu?! — Damian o interrompeu novamente, os olhos azuis injetados de raiva. — A Josefina acabou de morrer, e o senhor traz uma substituta para o lugar dela?

Ele apontou para Serafina sem sequer olhá-la diretamente.

—Eu não vou me casar com essa mulher. Nem com ninguem! Agora tire ela da minha frente antes que eu mande enterrá-la junto com a Josefina e coloque fim nessa sua vingança doentia!

O sangue de Serafina gelou.

Pelo ódio que a voz dele transbordava, aquilo não parecia uma ameaça vazia. E ela sabia muito bem que Damian Falconi realmente era capaz de matá-la sem hesitar.

Ela já achava absurda a ideia de se casar no lugar da irmã, mas agora, diante daquele homem consumido pela raiva, percebeu que permanecer naquela mansão poderia significar a própria morte.

Caetano encarou o neto em silêncio, sustentando o olhar severo de patriarca que durante anos fez homens perigosos abaixarem a cabeça.

Mas aquilo já não funcionava em Damian.

O homem diante dele não era mais o herdeiro frio e disciplinado que sempre obedecera suas ordens sem questionar. Agora, restava apenas um homem amargurado, tomado pela dor e pela revolta.

Caetano soltou um suspiro pesado, percebendo que insistir naquele momento não levaria a lugar algum.

Sem dizer mais nada, virou-se e saiu do quarto.

Serafina lançou um último olhar para Damian. Ele continuava encarando-a com uma frieza mortal, como se sua presença o irritasse ao ponto de querer matá-la.

Sem hesitar, ela rapidamente se virou e saiu atrás do velho.

Assim que se afastaram o suficiente do quarto, Serafina finalmente explodiu.

—O senhor ouviu o que ele disse! Ele não me quer aqui! Forçar esse casamento só vai acabar com a minha morte!

Ela passou a mão nervosamente pelos cabelos, tentando controlar a própria respiração, e seu corpo trêmulo pelo momento tenso recém-passado.

—Vocês sequer pararam para pensar no quão absurda essa situação é? Josefina era minha irmã! Eles cresceram juntos, estavam prestes a se casar, se amavam! O que esperavam? Que ele simplesmente me aceitasse no lugar dela?!

Caetano permaneceu em silêncio, observando a porta fechada do quarto do neto.

Pela primeira vez desde que aquela ideia surgiu em sua mente, começou a perceber que talvez tivesse cometido um erro.

Quando viu Damian destruído daquela forma, preso a uma cadeira de rodas e afundado no próprio luto, acreditou que trazer aquela garota, que era tão parecida com a irmã, poderia despertar alguma reação positiva nele.

Mas o efeito foi exatamente o contrário.

Serafina soltou os ombros, cansada e emocionalmente drenada.

—Se o senhor realmente se importa com seu neto, então esqueça essa maldita dívida e respeite a decisão dele. Me manter presa aqui não vai ajudar ninguém.

Caetano apoiou as mãos no parapeito do corredor e permaneceu calado por alguns segundos antes de finalmente falar.

—Vá para casa por enquanto. Quando o luto passar, voltarei a conversar com ele.

Serafina sentiu um enorme alívio ao ouvir aquelas palavras. Mas, ao mesmo tempo, ela sabia que aquilo não significava liberdade.

Naquele mundo, dívidas de sangue não eram perdoadas, nem ignoradas. Eram cobradas e pagas.

Ou seja, aquilo certamente não tinha terminado ali, e mais cedo ou mais tarde, os Falconi voltariam para cobrá-la novamente...

Assim que o carro deixou a mansão Falconi para trás, Serafina soltou lentamente o ar preso nos pulmões. Ainda assim, não conseguia relaxar completamente.

Don Falconi não tinha desistido do casamento.

E ela sabia muito bem que, se continuasse ali, acabaria sendo forçada a voltar.

O celular vibrou em sua mão.

Ao olhar para a tela e ver o nome do pai, Serafina hesitou por alguns segundos antes de atender.

—Pai...

—O Don Falconi me contou o que aconteceu — Frederico disse, em tom sério. — Ele vai conversar com o Damian, e assim que ele se acalmar, o casamento acontecerá. Então volte para casa, não cause problemas e espere até o dia da cerimônia.

Serafina apertou o telefone com força.

Seu pai falava como se estivesse decidindo um simples compromisso familiar, sendo que estava selando a vida dela, e a arrastando para aquele inferno.

—Está bem... pai — Serafina respondeu, contendo a revolta.

A ligação foi encerrada.

Ela permaneceu em silêncio, encarando a paisagem pela janela do carro, perdida em seus próprios pensamentos, imaginando como sua vida seria dali para frente, presa e condenada àquele mundo que ela tanto odiava.

Minutos depois, o veículo parou diante dos portões da mansão Moretti.

Ela desceu com sua mala e ficou imóvel.

Seu olhar permaneceu fixo na entrada da propriedade, enquanto as palavras do pai ecoavam repetidamente em sua cabeça.

"Você vai se casar com Damian Falconi no lugar de sua irmã."

"Depois do luto, o Don Falconi vai conversar com Damian, e a cerimônia será realizada."

“Espere até o casamento.”

Então, imagens começaram a se misturar em sua mente.

O olhar mortal de Damian, a cadeira de rodas, a fúria dele, a ameaça.

“Eu mando enterrá-la junto com a Josefina.”

Um arrepio percorreu sua espinha, fazendo-a encarar novamente os portões.

Se entrasse naquela casa, nunca mais sairia.

Viraria uma prisioneira, vigiada até o dia do casamento, quando estaria totalmente presa àquele mundo de mafiosos e criminosos, e a um homem que a odiava e desejava sua morte.

Se se casasse com Damian Falconi, acabaria morrendo.

O medo tomou conta de seu corpo. Não podia ficar ali e esperar pela própria morte.

Não podia esperar até ser arrastada novamente para aquela mansão e acorrentada para sempre.

Serafina voltou a olhar para os portões, agarrando forte a alça de sua bolsa.

“Me perdoem... mas eu não posso fazer isso.”

Sem hesitar mais, ela saiu correndo pela rua, arrastando a mala pelo asfalto sem olhar para trás.

Entrou no primeiro táxi que encontrou e pediu para ser levada imediatamente ao aeroporto.

Tudo aconteceu rápido, sem nenhuma hesitação e sem olhar para trás.

Ela comprou passagem para o primeiro voo disponível, embarcou sem pensar duas vezes, e, no instante em que ouviu o barulho das turbinas e sentiu o avião deixar o chão, um alívio intenso percorreu todo seu corpo.

Pela primeira vez desde que tinha retornado à Itália, conseguiu respirar de verdade.

Ela virou o rosto para a janela.

As luzes da cidade diminuíam cada vez mais abaixo das nuvens, levando consigo toda aquela loucura.

Os Falconi, o casamento, as armas, ameaças de morte, tiros e violência, as dívidas de sangue... tudo aquilo que não tinha nada a ver com ela ficou para trás.

Seu coração finalmente começou a se acalmar. Ela fechou os olhos lentamente, deixando um suspiro escapar.

“Acabou...”

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