LOGIN— O que está acontecendo?
— Quem são esses homens? — O que eles querem com ela? — É um sequestro? Os murmúrios se espalharam ao redor, atraindo olhares curiosos para a cena diante do hospital. — Por favor, senhorita, me acompanhe. O homem de preto deu um passo para o lado, indicando o carro que a aguardava. Serafina olhou para o veículo, depois para os homens armados ao redor, e por fim para o homem à sua frente. — Eu não vou com você para lugar nenhum. A expressão dele se tornou mais séria, embora ainda controlada. — São ordens diretas do Don Falconi. A senhorita deve retornar para o seu casamento com o Capo Damian. Serafina apertou os punhos, sentindo o coração acelerar. Durante um mês inteiro, acreditou que havia escapado daquele pesadelo. — Esse assunto já foi resolvido! O próprio Don Falconi me deixou ir! O próprio Damian me expulsou e recusou esse casamento! — As coisas mudaram, senhorita. O Capo Damian aceitou o casamento. O chão pareceu desaparecer sob os pés dela. Como assim Damian tinha aceitado se casar com ela? Da última vez, ele praticamente prometera matá-la. Além disso, Josefina tinha sido a noiva dele por anos, eles se amavam, Como ele podia sequer cogitar colocá-la no lugar da irmã como uma substituta? — A cerimônia já foi marcada — continuou o homem. — O casamento será realizado assim que chegarmos à Itália, então não precisa se preocupar com nada. — O... o quê? Outro homem abriu a porta do carro. — Por favor, nos acompanhe. Serafina encarou o interior do veículo em desespero. Achou que tivesse se libertado daquela loucura, mas ali estavam eles novamente, arrastando-a de volta. Não. De jeito nenhum. Ela jamais voltaria para se tornar esposa de um mafioso cruel e louco que a odiava. Serafina deu um passo para trás e ergueu o rosto. — já disse. Eu não vou com vocês. A expressão do homem endureceu, se tornando seria e intimidante. — Senhorita, por favor, não dificulte as coisas. São ordens do Don. — Eu já disse que não vou! Não me importa o que o seu Don disse! Estamos na América, as leis dele não funcionam aqui! Se eles têm uma dívida, que resolvam entre si. Isso não tem nada a ver comigo! — O que eles estão falando? — uma das amigas perguntou, olhando para a colega que entendia italiano. A jovem arregalou os olhos antes de responder. — Eles querem levar a Serafina para um casamento forçado com um maf... — O quê?! — outra a interrompeu imediatamente, indignada. — Quem esses caras pensam que são? A jovem se aproximou de Josefina parando ao lado dela. — Ela disse que não quer ir! Sumam daqui antes que a gente chame a polícia! As outras também se aproximaram, ficando ao lado da amiga. — Isso mesmo! Acham que vão obrigar ela a se casar com algum velho decrépito qualquer?! A garota que entendia italiano permaneceu um passo atrás, completamente pálida diante da coragem suicida e tola das amigas. O homem ignorou todas elas, mantendo seu olhar fixo em Serafina por alguns segundos, e então tirou calmamente um celular do bolso interno do paletó. — O Don imaginou que a senhorita dificultaria as coisas. Ele estendeu o aparelho. — Então pediu que lhe mostrássemos isto. Serafina hesitou antes de pegar o telefone. Assim que a tela acendeu, seu sangue gelou. Era uma transmissão ao vivo. Sua mãe estava sentada na sala da mansão Moretti, cercada por homens armados. Pálida. Nervosa. E seu pai permanecia sentado ao lado dela, rígido, sob a mesma pressão silenciosa. A imagem mudou. Seu irmão mais velho aparecia acompanhado da esposa e dos filhos, igualmente cercados. Depois, outro vídeo surgiu na tela, mostrando seu irmão mais novo sendo retirado do carro por homens de preto e colocado à força dentro de outro veículo. Serafina ergueu os olhos imediatamente, sentindo as lágrimas ameaçarem transbordar. — O que... o que é isso? O homem manteve a mesma calma assustadora. — Sua família está sob proteção da família Falconi. E assim permanecerá até que o casamento seja concluído. Proteção. A palavra soou como uma ameaça cruel. As amigas de Serafina também olharam para a tela, assustadas. — Vocês estão ameaçando a família dela?! — uma delas disparou, revoltada. Pela primeira vez, o homem desviou os olhos para a garota. Um simples olhar que foi suficiente para fazê-la se calar. Ele voltou sua atenção para Serafina. — Além disso, o Don me pediu para lembrá-la de uma coisa, senhorita. O homem deu um passo à frente, sua sombra cobrindo todas as jovens. — As mãos, os olhos e os braços da família Falconi se estendem muito além do oceano Atlântico. Serafina apertou o celular com força, sentindo-se pequena, acuada e impotente. — Portanto, a senhorita pode entrar nesse carro por vontade própria... ou podemos transformar isso em algo ainda mais desagradável para todos à sua volta. O olhar dele voltou para as garotas, que se encolheram, com medo diante da ameaça clara. Uma lágrima escorreu pelo rosto dela. Rapidamente, Serafina a secou e ergueu o queixo, encarando o homem à sua frente. — Tudo bem. Eu vou com vocês. — Serafina... — uma das amigas murmurou, segurando seu braço. — Você não pode... Serafina virou-se para elas e forçou um pequeno sorriso. — Eu vou ficar bem. Por favor... cuidem de vocês. Ela olhou uma última vez para cada uma delas antes de se virar e caminhar até o carro. Assim que a porta se fechou, os homens entraram nos outros veículos, e a comitiva partiu sem deixar rastros, como se nunca tivesse estado ali. As garotas permaneceram imóveis na calçada. — O que foi isso?... — uma delas perguntou em choque. — Não devíamos chamar a polícia? Eles sequestraram ela! — Não vai adiantar — respondeu a jovem que entendia italiano, ainda pálida. — Pelo que entendi... a Serafina está sendo levada para um casamento arranjado. Com uma família da máfia. As outras arregalaram os olhos. — A Serafina... faz parte da máfia? . . . Serafina observou o jato se aproximar do solo enquanto sua esperança de liberdade desaparecia aos poucos, até as rodas finalmente tocarem a pista. Estava de volta ao lugar de onde fugira tão desesperadamente. — Senhorita, chegamos — avisou o homem. Ela se levantou como se estivesse no automático. Desceu do jato e foi imediatamente escoltada até outro carro. Tudo acontecia rápido demais para sua mente conseguir processar. Poucos minutos depois, os portões da mansão Falconi se abriram diante dela. Ela encarou aquela mansão que não parecia uma casa aos seus olhos, e sim uma prisão pronta para engoli-la. Serafina foi conduzida até um quarto onde várias mulheres já a aguardavam. Fizeram sua maquiagem, arrumaram seu cabelo e vestiram nela um vestido branco que se ajustava perfeitamente ao seu corpo, como se tivesse sido feito sob medida. Diante do espelho, Serafina encarou a própria imagem. Vestida de branco. Maquiada. Elegante como uma verdadeira noiva. Nunca havia sonhado com o próprio casamento, mas definitivamente jamais imaginou que seria daquela forma. Forçado, às pressas, com um homem que não amava. E pior ainda: com o noivo de sua irmã falecida, ocupando o lugar dela como uma substituta. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto, mas antes que pudesse cair por completo, a porta se abriu. — Senhorita, a cerimônia vai começar. Serafina limpou a lágrima, inspirou fundo e reuniu o pouco de coragem que ainda lhe restava antes de sair do quarto. Em outro cômodo da mansão, Damian Falconi encarava o próprio reflexo no espelho sem qualquer expressão. Caetano ajeitou a gravata borboleta do neto e pousou a mão em seu ombro, exibindo um discreto sorriso satisfeito. — Esperei muito por este dia. Damian ergueu os olhos frios para o avô. — Eu cumprirei a minha parte do acordo. Depois disso, o senhor cumprirá a sua e me deixará livre. Caetano permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de assentir lentamente. — Case-se, me dê um herdeiro... e eu cumprirei sua vontade. Damian desviou o olhar, moveu o botão da cadeira de rodas e saiu do quarto sem dizer mais nada. Caetano permaneceu parado, observando o neto se afastar. Aquele acordo não o agradava, mas era sua única opção. . . . — Senhorita, já pode entrar — avisou a jovem ao lado da porta. Serafina segurou o buquê com as duas mãos, engolindo o nó preso na garganta enquanto tentava conter as lágrimas. As portas se abriram lentamente. O tapete vermelho se estendia até o altar improvisado no grande salão da mansão. Mas aquilo não parecia um casamento, e sim um funeral. O ambiente estava mal iluminado por lustres dourados e velas espalhadas pelo salão. Entre as poucas pessoas ali presentes, de um lado estavam os Falconi. Do outro, os Moretti. E no topo do altar, estava Damian a esperando. Em um terno preto de três peças perfeito, o cabelo arrumado para trás, a barba feita destacando seu maxilar definido. Sentado em sua cadeira de rodas, com o mesmo olhar frio e distante da última vez. Mesmo naquele estado, ele não perderá seu charme, beleza e autoridade natural, carregando a mesma aura que fazia todos tremer e se curvarem. Serafina suspirou internamente, sua vontade era de correr dali, mas estava completamente encurralada, sem escolha, sem saída. E, sua única direção, era caminhar até ele. E tornar-se sua esposa.A expressão de Damian se fechou lentamente.— Mal se recuperou e já está preocupada com ele?— Me responda! Ele... Ele está vivo?Damian continuou a encará-la, sentindo um nó se formar em sua garganta.Ela havia fugido, o abandonado, e a primeira coisa que fazia ao acordar era demonstrar preocupação por aquele homem bem na sua frente?— Damian! — insistiu Serafina, e seu medo aumentava a cada segundo do silêncio dele. — Por favor, me diga que você não o matou.Damian jogou o guardanapo sobre a mesa.— E se eu tiver o matado?Serafina sentiu o peito apertar e o chão desaparecer sob seus pés.— Você vai chorar por ele na minha frente?Uma lágrima escorreu pelo rosto dela.— Não... Isso... Isso não pode ser.— É isso que acontece quando alguém se mete com a mulher de outro homem neste mundo. Eu o avisei mais de uma vez, mas ele ignorou todos os meus avisos. Ele é o único culpado pelo que aconteceu.— Não, não! — Serafina apoiou as mãos na mesa, sentindo as pernas falharem.Damian se move
O médico terminou de examinar Serafina e virou-se para Damian, que aguardava a alguns passos da cama, com o olhar fixo na mulher inconsciente.— A senhora está bem. Apenas teve uma queda súbita de pressão. Seu corpo ainda está muito fraco, por isso, precisa repousar e evitar emoções fortes.Damian assentiu.O médico logo saiu, mas Damian continuou ali, observando Serafina enquanto organizava os próprios pensamentos.Seu celular tocou. Ele olhou para a tela, depois voltou a olhar para Serafina e saiu do quarto para atender à ligação.— Damian — a voz de Caetano soou assim que ele atendeu. — Onde você está?Damian olhou pela grande vidraça do segundo andar da mansão, de onde podia contemplar o extenso jardim da propriedade.— Voltei para minha casa.Um breve silêncio se fez do outro lado da linha.— Esse não foi o combinado.— Avô...— Eu disse que vocês só poderiam sair quando tivessem um filho.— E nós tivemos.— Mas ele se foi. Então, agora vocês dois devem...— Avô... — Damian torno
Damian moveu sua cadeira entre os homens, e parou diante do carro na frente.Seu olhar atravessou até o banco traseiro, fixando-se nela.Os olhos azul cravaram-se nos olhos castanhos da mulher dentro do carro, que o encarava de volta.Seus olhares se intensificaram, esquecendo-se de tudo ao seu redor.Os dois ficaram se encarando por longos segundos, até Serafina desviar o olhar primeiro.Damian então olhou para Dorian, que permanecia dentro do carro, encarando o loiro com um olhar que gelaria a espinha de qualquer um, e depois olhou para o chefe dos soldados.— Curioso. Acabei de conversar com o Don Castellano, e ele me garantiu que não tinha envolvimento no desaparecimento da minha mulher. E agora vejo os homens dele apontando armas para mim e escoltando o carro do homem que sequestrou a minha esposa.O homem imediatamente percebeu a implicação e sentiu suas palmas suarem, sabendo que um comando em falso seu provocaria uma guerra, e sua cabeça seria a primeira a rolar.Ele fez um g
Serafina se preparava para dormir quando ouviu batidas urgentes na porta. Ela foi abrir e viu Dorian com a expressão séria e apreensiva.— Precisamos sair.— O quê?— Conseguiram nos rastrear, precisamos ir embora agora.Serafina ficou parada por um instante.— O Damian... nos encontrou?Dorian viu aquele lampejo de esperança nos olhos dela, como se estivesse ponderando se deveria ir embora ou ficar e deixar que ele a encontrasse.— O que houve? — Alessandra saiu do quarto ao lado após ouvir as batidas urgentes e olhou para os dois.Dorian se virou para ela.— Vamos partir agora.— Agora? Por quê?... Espera, eles nos encontraram? — Alessandra perguntou em pânico.Serafina viu o pânico no olhar da amiga e seu peito apertou. Em seguida, olhou para o professor. Se Damian os encontrasse, certamente apenas a levaria de volta para casa, mas ela não podia garantir o que ele faria com Alessandra que a ajudara a fugir, e muito menos com Dorian.Dorian voltou a olhar para ela.Serafina assenti
Damian viu a fisionomia no olhar do mais velho mudar, mas não recuou, e insistiu.— O senhor esteve envolvido no sequestro da minha esposa?Domenico relaxou os braços sobre o encosto da cadeira e ajeitou a postura sobre a poltrona.— Isso é uma acusação muito grave, Damian.— Por isso estou aqui conversando com o senhor e perguntando, antes de decidir como agir.— Eu conheço as regras do nosso meio. Eu estive lá quando elas foram escritas, antes mesmo de você segurar uma arma. E eu, melhor que ninguém, sei que não se deve tocar na mulher de outro homem. Então, por que entra em minha casa a essa hora, e me faz uma pergunta dessas?— Dorian Lowen. Esse é o nome do homem que levou a minha esposa.Damian viu a linha do maxilar de Domenico tensionar.— O senhor conhece esse homem.Não foi uma pergunta.— Caso contrário, não teria como o seu número pessoal estar no registro de chamadas dele desde que ele chegou à Itália.Damian inclinou-se ligeiramente para a frente.— Então me diga, Don Ca
Na mansão Falconi, à mesa do jantar estava o Don, sua esposa, Riccardo e Bianca.A mesa estava em silêncio, preenchida apenas pelo tilintar dos talheres, até que Delara decidiu deliberadamente fazer aquela pergunta.— Bianca, há alguma notícia da Serafina?Bianca ergueu os olhos do prato e encarou a mulher. — Por que está perguntando isso a mim?— Vocês eram tão próximas, praticamente amigas. Pensei que talvez, ela tivesse dito algo a você.Bianca franziu o cenho imediatamente, perdendo a pouca paciência que ainda tinha para aquelas insinuações. — Ainda não sabemos se ela foi sequestrada ou se foi embora por vontade própria. E, se quer tanto saber o que aconteceu, talvez devesse perguntar a si mesma. Afinal, você é quem deveria saber.O sorriso discreto de Delara desapareceu. Ela endireitou as costas e estreitou os olhos para a jovem.— O que quer dizer com isso?— Você sabe exatamente o que eu quis dizer.— Já chega! — Caetano interrompeu antes que a discussão se intensificasse. O Do







