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CAPÍTULO TRÊS

ผู้เขียน: Lysa Moura
last update วันที่เผยแพร่: 2026-09-02 06:16:54

Não. Mamãe definitivamente não aceitaria.

Muito menos se soubesse quem é o dono e o tipo de coisa que dizem acontecer naquele lugar. Não que tenhamos certeza de nada, é claro. A maioria das informações que chegam até nós são apenas boatos, histórias sussurradas de uma pessoa para outra, sempre acompanhadas de um olhar desconfiado e de um “não sei se é verdade, mas...”. Ainda assim, dizem que, na maioria das vezes, todo boato carrega consigo pelo menos uma pequena parte da verdade.

E eu não estou disposta a descobrir qual parte é essa.

De uma coisa, porém, eu sei: Os Belladonnas são temidos, poderosos e mortais.

O nome deles parece carregar um peso próprio, como se bastasse ser pronunciado para fazer as pessoas baixarem a voz e olharem ao redor antes de continuar a conversa. Pela primeira vez, estou tendo a “sorte” de conhecê-los...

Bem, não exatamente conhecê-los.

Estou prestes a trabalhar para um deles, bem... se eu conseguir o trabalho.

E talvez seja justamente isso que torne essa entrevista muito mais assustadora do que eu gostaria de admitir.

— Te amo, querida. — Mamãe diz atrás de mim.

Paro por um instante antes de sair completamente do quarto e olho para ela mais uma vez. Por alguns segundos, esqueço a entrevista, o emprego e todos os segredos que estou carregando comigo. Só consigo enxergar minha mãe ali, tentando parecer mais forte do que realmente está.

Sorrio com carinho para ela, sentindo o peito apertar de um jeito que prefiro ignorar.

— Eu também a amo, mamãe. Eu também. — sussurro, caminho até a porta saio do quarto, fechando a porta atrás de mim.

Do lado de fora, vou até a casa da vizinha e explico que, assim que eu puder, voltarei para pegar minha irmã, que ficará com ela. Dou um pequeno beijo no rosto de Aurora antes de me despedir, tentando esconder a preocupação que aperta meu peito.

— Cuida dela para mim — peço baixinho.

Saindo da casa da vizinha, vou para a garagem de casa e entro no nosso carro velho, que, neste momento, é praticamente um amuleto da sorte para nós duas. Ele pode estar caindo aos pedaços, fazer barulhos estranhos e exigir mais cuidados do que deveria, mas é o que temos. E, agora, precisamos dele mais do que nunca para conseguirmos nos locomover.

Nós temos sorte de termos uma casa para morar. Foi a única coisa boa que papai deixou, além de Aurora. Sem essa casa, sinceramente, eu não saberia o que faríamos. Só de imaginar perder o teto que temos, sinto um aperto ainda maior no peito.

No caminho para o clube, meus dedos apertam o volante enquanto penso no que fazer e, principalmente, em como devo me comportar. Não estou acostumada a ter atenção dos homens sobre mim.

Não, espera...

Bem, eu tenho atenção dos homens sobre mim e já me acostumei com isso, mas não é algo que eu faça de propósito. É apenas como eu sou. Meu corpo chama atenção em qualquer lugar, mesmo quando não estou tentando.

No entanto, agora é diferente.

Agora, eu terei de fazer com que eles me notem. Terei de fazer com que me queiram. Só assim conseguirei ganhar dinheiro suficiente para cuidar da minha mãe e da minha irmã.

Farei o que for preciso para cuidar de ambas.

Até mesmo entrar em um lugar que me assusta.

O que mais está me deixando nervosa é saber que estou prestes a me envolver em um mundo completamente desconhecido. Um mundo no qual parece ser tudo ou nada.

Estou com medo.

Muito medo.

Medo de me envolver demais. Medo de cometer algum erro. Medo de colocar todas nós em perigo por causa de uma decisão desesperada.

Sei que preciso me concentrar no trabalho e em mais nada. Só isso. Entrar, fazer o que precisa ser feito, receber o dinheiro e voltar para casa.

Simples.

Pelo menos deveria ser.

Contudo, é difícil não ver ou ouvir coisas em um lugar público. Posso não conhecer os irmãos Belladonna, todavia já ouvi falar deles. E, pelas histórias que circulam, eles são poderosos, sensuais, mortais e conquistadores.

Exatamente o tipo de homem que eu deveria manter bem longe de mim.

Olho o endereço do clube no celular, conferindo mais uma vez se estou indo na direção certa. Nunca fui a esse lugar e nem sequer sei exatamente onde fica.

Primeiro, porque está situado em uma das áreas mais nobres da cidade, onde apenas os poderosos parecem circular, e eu estou longe de ser poderosa.

Segundo, porque descobri sobre a contratação pelo site. Veja bem: o clube é exclusivo, cheio de burocracias e regras. Não é para qualquer pessoa, muito menos para mim. Por sorte, consegui uma entrevista, já que existe disputa até mesmo para conseguir um emprego lá dentro.

Rolo os olhos ao relembrar as regras do clube e tudo o que é necessário para conseguir apenas um minuto da atenção do supervisor.

Espero conseguir impressionar o homem.

Assim, talvez ele me passe para o Sr. Zane Belladonna, que, por sorte, me contratará, já que é apenas ele quem dá a resposta final.

Só de pensar nisso, meu estômago se revira.

Minhas mãos começam a suar à medida que me aproximo do clube. Respiro fundo algumas vezes, tentando controlar o nervosismo e a tensão que se espalham pelo meu corpo.

Tenho que manter a calma.

Não posso demonstrar medo.

Principalmente não aqui.

Não posso deixar que percebam o quanto o nome Callahan tem poder sobre mim.

Paro o carro em frente a um grande portão e franzo a testa.

Isso é estranho...

O clube não se parece nem um pouco com um clube.

Parece uma mansão.

Uma enorme mansão, cercada por muros altos e um portão que, sozinho, parece valer mais do que tudo o que possuo.

Engulo em seco.

Talvez eu tenha cometido um erro vindo até aqui.

Antes que consiga pensar melhor, ouço uma batida na janela do meu carro.

Pulo no banco.

— Posso ajudá-la, senhorita?

Viro lentamente o rosto e dou de cara com um homem enorme parado ao lado do carro, encarando-me com uma expressão fechada. Ele é tão grande que, por um instante, tenho a impressão de que poderia simplesmente arrancar a porta do carro se quisesse.

Abro o vidro devagar, engolindo em seco.

Ele olha para mim. Depois, para o carro.

Sua expressão não muda, mas tenho quase certeza de que deve ser engraçado para ele ver um carro como o meu parado em um lugar como este.

Tento controlar o riso nervoso que ameaça escapar.

— Sim. Tenho uma entrevista de emprego — respondo.

— Seu nome, por favor? — pede, com a voz grave.

— Charlotte Moretti — gaguejo.

Para minha surpresa, ele pega o celular e, por alguns segundos, mexe no aparelho. Não sei o que está fazendo, mas acompanho cada movimento, sentindo meu coração bater um pouco mais rápido.

Então, ele acena com a cabeça, guarda o celular e volta a me olhar.

Seu olhar é tão intenso e assustador que preciso me controlar para não tremer.

Mantenha a calma, Charlotte.

Não demonstre medo, principalmente se for trabalhar aqui.

Se acostume, mulher.

Se acostume.

— Você está me ouvindo?

A voz dele me tira dos pensamentos e me assusta mais uma vez.

— Não... me desculpe. O que disse?

*** 

Olá amores! Aqui é Lysa Moura, se está gostando da história até agora, não deixe de curtir e comentar. Beijos.

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