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Capítulo 13

Author: Advanjat
last update publish date: 2023-09-20 05:34:59
EDWARD PORTMAN

— Não, não. — Balancei a cabeça e bebi a água como se queimasse. — Não ouse dizer-me que foi por um bem maior, que era necessário, que tudo faz parte da estratégia. Porque, meu caro, o tal Nicklaus Ghart não é só simpático, ele é honesto, daquele tipo raro, quase extinto. Ele fala do avô como quem carrega uma cruz, Norman, você tem ideia do que é isso? É como se eu tivesse perdido o Anthony, meu pai, e quisesse o honrar.

Norman soltou um suspiro e tirou os óculos, esfregando os ol
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    MILENA CHRISTIANO trânsito de Manhattan parece sempre durar uma eternidade, ou então eu estava muito ansiosa, porque, após muito tempo, eu tinha absoluta certeza do que precisava fazer, e no caso, seria uma coisa certa: pedir desculpas!Só de pensar nessas duas palavras, senti vontade de dar meia-volta no carro. Eu nunca havia sido boa em admitir que estava errada, não que eu preferisse durante horas, inventar justificativas absurdas e, no fim, fingir que o assunto simplesmente deixara de existir, nada disso. Todavia, em geral, eu nunca sabia muito bem o que fazer.Claro, a Milena Christian não sabe agir como uma adulta e por isso se mente em situações patéticas, tudo porque é covarde — pensei.Norman havia destruído completamente a imagem que eu insistia em alimentar de Edward, o que era irritante, porque significava que eu também havia sido injusta.Quando finalmente estacionei diante do edifício luxuoso onde ele morava, desliguei o carro e permaneci alguns segundos segurando o vol

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    MILENA CHRISTIAN— O Edward provavelmente não gostaria que eu comentasse isso, porque ele detesta parecer… excessivamente meloso, mas penso que deveria saber. — Ele deu uma pequena risada, como se estivesse se lembrando de alguma discussão antiga. — Este quarto já devia estar completamente pronto, na verdade.— Sim… e o que aconteceu? — Franzi o cenho.— O projeto estava fechado há quase duas semanas. Os móveis já haviam sido encomendados, as tintas escolhidas, até os fornecedores estavam contratados para a montagem. A nossa intenção era deixar tudo finalizado antes de você vir dar a olhada final.Voltei a olhar o cômodo, ligeiramente confusa.— Então por que não fizeram? — E o amigo do Edward soltou um suspiro divertido.— Porque o Edward apareceu aqui logo no dia seguinte e cancelou tudo — o meu olhar voltou imediatamente para o Norman e ele continuou. — Mandou suspender qualquer intervenção neste quarto. Perguntei se havia algum problema com o orçamento ou se ele pretendia alterar o

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    MILENA CHRISTIAN— “Bom dia, Edward, estou indo agora para a obra”.O celular vibrou na minha mão enquanto eu ainda estava no carro com o motor ligado e o GPS já programado, afastei-me ligeiramente para abrir a notificação e ver que era a resposta de Edward, a primeira em uma semana.“Ok.”Apenas isso, um “OK” seco, sem vírgulas, sem emojis e nenhum toque pessoal que todo mundo costuma colocar nas mensagens. Era como se ele estivesse respondendo por obrigação e a conversa fosse um item a ser marcado numa lista de tarefas que ele havia enrolado já há tempo. Olhei para a mensagem por um longo momento, os dedos apertando o volante. Bem, não era o que eu esperava. Edward estava distante, e eu não sabia como chegar até ele, começava a entender o sentimento dele para comigo. Mas não era a hora de focar nisso, primeiro, a obra.Liguei o carro e saí do estacionamento, deixando o bairro familiar para trás. O trajeto até a nova casa levaria uns quarenta minutos, tempo suficiente para eu pensa

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    MILENA CHRISTIANA semana inteira havia sido um exercício de paciência, e não exatamente da minha parte.As palavras de Edward ainda ecoavam na minha cabeça como uma música que eu não conseguia parar de ouvir, repetindo-se em loop nos momentos mais inoportunos: no meio de uma reunião, enquanto eu tomava banho, quando tentava dormir e o silêncio da casa se tornava ensurdecedor, ainda mais porque a minha TV estava embalada e eu não conseguia ver televisão de jeito nenhum, ou até mesmo, enquanto eu estivesse comendo despreocupadamente.“ — Sim, se trata. Serei o seu marido por um ano e parece que está sempre procurando um jeito de não fazer parte disso — falou um pouco mais alto, mas logo em seguida fechou os olhos e respirou fundo antes de voltar a falar: — Muito mais dos meus interesses, eu quero ajudá-la, mas você não permite, só vê más intenções em todos os meus atos.”“ — Eu não faço isso…” eu havia dito, fraca, defensiva.“ — Sabes que o faz, e eu acho injusto porque não sou o Enri

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    MILENA CHRISTIAN— Ah, provavelmente você tem razão. Ainda mais, tenho três anos de férias acumuladas, acho que está mais do que na hora de finalmente tirar elas de uma vez.— Viu só? Admiro muito o fato de você ser capaz de ter ficado três anos sem nenhum descanso, é impressionante.— Não por boas razões — comentei, a fazendo lembrar de ter feito isso por estar atrelada ao Enrique, não por só amar o meu trabalho.— Ah, verdade. — Estou indo em um almoço de trabalho. Marca o ultrassom ou vou perseguir-te, Milena.— Eu vou, eu vou, prometo. Bom trabalho!— Obrigada, igualmente. XOXO.Guardei o celular na bolsa enquanto abanava a cabeça pouco acreditando, e em seguida olhei pela janela. As ruas da fria cidade nova-iorquina passavam devagar, os prédios antigos se misturando com algumas lojas modernas, e a luz cinzenta da manhã de inverno iluminando tudo com suavidade.— Ruby quer ir ao ultrassom comigo — revelei, mais para mim mesma do que para ele. — Daqui a duas semanas, mais ou menos

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    MILENA CHRISTIANO carro do Edward era tão ele que quase doía, embora eu já tivesse me acostumado a essa sensação. Não que eu andasse nele com frequência — longe disso —, mas a primeira vez já tinha sido o suficiente para gravar na memória o cheiro do couro, o ronco baixo do motor e a forma como os bancos são bem confortáveis.Edward dirigia com uma mão no volante, a outra apoiada no apoio de braço central e os olhos fixos na estrada. O silêncio entre nós era confortável e isso incomodava-me menos agora, porque muito antes dele aparecer na minha vida, eu sempre gostei de degustar da solitude, se bem que às vezes era mais melancólica do que de fato confortável.Peguei o celular novo na bolsa e durante o caminho fiquei a transferir todos os ficheiros do celular antigo, já que, felizmente, eu tinha a bela mania de, nos meus tempos livres, guardar arquivos na nuvem.Graças a Deus, esse meu hobby estranho havia me trazido frutos agora.Abri as mensagens que haviam ficado paradas no tempo d

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