로그인Mikhail Voronov
— Muito bem, obrigada — responde-me Anya, seus olhos com raiva contida.
Elena está fazendo muito bem o seu papel. Ela se vira para a mulher, colocando um sorriso no rosto ao mesmo tempo que se recosta mais em meu corpo.
A mão de Elena vem para a minha coxa num gesto de possessividade, como se quisesse dizer a Anya que pertenço a ela. Não sei se é parte de sua encenação ou não.
— Quem é essa... sua amiga? — questiona Anya, levando a taça de vinho branco aos lábios.
— Esta é minha namorada, Elena — apresento e minha ex quase não se contém.
— Isso explica a... os boatos que ouvi. Você costumava ser mais discreto, Mikhail — comenta, caminhando até o banco ornamentado à nossa frente.
Ela se senta calmamente, cruza as pernas e empina o nariz.
— Elena me deixa um pouco inconsequente — envolvo a cintura da mulher ao meu lado e puxo-a para mais perto. — Não é mesmo, meu amor? — inquiro e beijo seus cabelos escuros.
Ela sorri e escora sua cabeça em meu peito, quando a abraço. Seu braço vai direto para o meu pescoço, seus dedos me acariciam no rosto.
— Acredito que sim — diz quase que timidamente. Muito convincente para o papel que assumiu.
Anya não diz nada por alguns segundos, leva sua bebida à boca e finalmente fala.
— Como está Zara? — pergunta e volta seu olhar para a minha falsa namorada. — Ele te contou que temos uma filha?
Posso ver que Anya contém um sorriso, pois tem certeza de que colocará uma semente do mal em nosso suposto relacionamento.
— Sim, claro — responde Elena com empolgação. — Ela tem três anos, não é? Estou ansiosa para conhecê-la.
O sorriso amplo dela deixa a minha ex completamente sem jeito, o que me dá vontade de rir, mas me contenho.
— Vou levá-la hoje mesmo para conhecer minha filhinha. Você pode ficar tranquila, Anya, pois nossa filha tem duas babás e a governanta para cuidar dela na minha ausência.
Anya se move desconfortável no banco, bebe mais de sua bebida e eu não deixo passar a oportunidade.
— Você não me disse como tem passado desde o... o ocorrido — falo com um sorriso sarcástico. — Você está bem?
Aperto mais minha falsa namorada ao meu corpo, ela entende o que quero e se encaixa ainda mais em meu corpo.
— Se você quer saber se eu ando chorando pelos cantos, Mikhail... Não ando chorando o fim do nosso relacionamento.
Ela se levanta bruscamente, ajeitando os cabelos loiros.
— Não parece, querida — digo, deixando-a ainda mais irritada. — Não é isso que deixou transparecer quando ouviu os boatos e veio imediatamente conferir se era verdade.
A face da mulher ficou vermelha, a fúria tomou a sua face. Talvez por raiva de mim, ela lança o líquido restante da sua bebida sobre Elena.
Espantada, minha falsa namorada se levanta, erguendo as mãos.
— Você está louca?
Anya ri alucinadamente e antes que eu pudesse fazer alguma coisa, Elena acerta um tapa no rosto de Anya. Em seguida ela segura em seus cabelos e puxa sua face diretamente para seu joelho, acertando o nariz da loira em cheio. O som do osso quebrando, me desperta do transe e me vejo obrigado a fazer algo.
Eu não esperava por aquilo.
As pessoas ao redor já estão correndo e gritando, logo chegará alguém aqui.
— Vai deixar essa maluca me bater, Mikhail? — protesta Anya, quando seguro-a.
— Foi você que começou, eu deveria deixar — reclamo, puxando seu corpo para longe do golpe de Elena que se aproximava.
Confesso que ver a morena com sangue nos olhos, pronta para arrancar o couro da minha ex-namorada me deixou excitado.
Elena está ofegante, os cabelos desgrenhados. Mas Anya está pior, o nariz está sangrando e a bochecha está arranhada, com marcas de unha.
— Ainda defende essa vaca! — Anya grita.
— Não! — grito, calando-a, fazendo-a me olhar com seus grandes olhos azuis. — Só não quero baixaria em uma festa que seria uma reunião importante. É melhor sumir da minha frente.
Solto-a e empurro-a levemente para frente. Ela me olha sobre os ombros e se afasta. Volto meu olhar para Elena e deixo que ela pense que estou com raiva devido à briga.
Ela acabou de me dar o motivo perfeito para levá-la para minha casa.
— Vamos embora — anuncio e seguro na mão de Elena.
— Preciso passar no banheiro para...
— Não! — brado. — Todos viram a baixaria que fizeram, não precisa ir ao banheiro para esconder que participou de uma briga.
— Mas... e sua reunião? — questiona, enquanto arrasto-a pela mão através de corredor.
— Alexei vai me representar — respondo.
Ela se cala por alguns segundos.
— Foi ela que jogou a bebida em mim. Deveria estar com raiva dela! — protesta, puxando a mão do meu aperto, mas não a solto.
Alexei me vê e se aproxima de mim a passos largos.
— O que aconteceu? Estão todos comentando sobre uma briga... — Assim que seus olhos pousam sobre a minha falsa namorada, ele entende o que de fato aconteceu. — Vai me dizer que...
— Exatamente. As duas brigaram — afirmo e ele coloca a mão sobre o rosto, contendo uma risada. — Preciso que me represente nesta reunião.
— Estava indo te chamar, pois Arkady acabou de chegar e está chamando a todos para a sala de reuniões.
— Não vou poder participar da reunião e terei que antecipar o planejado — anuncio, e os olhos dele vão para Elena. Meu braço direito sabe do que estou falando. — Você e Roman podem falar por mim.
— Viktor o está aguardando — avisa ele, acenando para a minha falsa namorada.
— Vamos. — Puxo seu pulso com força.
— Olha aqui, Mikhail, eu não fui contratada para ser agredida por um falso namorado. Esse não foi o combinado! — protesta e tenta puxar a mão novamente. Continuo arrastando-a.
— É melhor controlar o que fala. Minha paciência já se esgotou há muito tempo, e eu não tenho muito autocontrole.
(Cena depois do epílogo)Viktor PetrovA areia ainda está presa aos meus pés quando entro no hotel. O banho resolveu parte do problema, mas a sensação de cansaço, não.Depois de passar horas na praia com todo o grupo, eu deveria estar pronto para dormir.Mas Yue e Mei decidiram que ninguém poderia terminar o dia sem jantar. E, como sempre, ninguém conseguiu convencê-las do contrário.O restaurante do hotel está movimentado.As mesas estão ocupadas, mas conseguimos reservar uma grande para todos. Mikhail e Elena estão sentados lado a lado.Alexei e Sofia discutem sobre alguma coisa que provavelmente começou como uma brincadeira, e Chernov está distraído com as netinhas.Mei começa a contar uma história que pega a curiosidade de todos. Estou sentado ao lado da Yue, meu joelho encosta no seu debaixo da mesa.Ela não se afasta. Olho para a minha namorada secreta.— Cansada?— Um pouco. — Coloco a mão sobre o joelho dela, apertando ali discretamente.Olho ao redor. O grupo está barulhento
(Cena antes do Epílogo)Zhao YueEu deveria estar fazendo uma mala para passar alguns dias na praia. Essa era a ideia. Roupas leves, biquínis, sandálias, protetor solar, talvez algum livro.Era isso que uma pessoa normal colocaria dentro de uma mala quando estivesse prestes a sair de férias.Eu, aparentemente, não era uma pessoa normal.Abro o compartimento falso da mala e guardo duas pistolas carregadas e dois carregadores. Olho para elas por alguns segundos.— Você não vai levar isso.A voz de Viktor vem atrás de mim.Nem preciso me virar para saber que ele está encostado no batente da porta.— Vou levar. — Fecho o compartimento, e coloco as roupas em cima.— Yue, estamos de férias. — Ouço o som da bengala que ele usa se aproximar de mim. Viro-me e o encaro.Ele avançou muito no último ano, e agora está quase independente, precisando apenas de uma bengala para ajudar no equilíbrio.— Nessas horas que o inimigo gosta de atacar — rebato e ele sabe que estou certa. — Um monte de mulher
(Cena depois do capítulo 164)Viktor PetrovAlgo apertava meu coração enquanto Yue estava lá dentro. Eu sei que ela pode se defender, mas algo me incomoda em tê-la lá dentro sem a minha presença.Me sinto um fraco por não poder ajudar, por ter que ficar preso em uma van, cercado de tecnologia porque não posso andar, muito menos correr.Assisto a invasão do local abandonado pelas câmeras portáteis que estão no corpo de alguns soldados. Yue tem uma em seu corpo, consigo ver seu percurso, suas lutas. E eu não sei o quanto que isso me deixa tranquilo ou aflito.Quando a vejo deixar o local com Sofia e Elena, me sinto aliviado, mas ainda não acabou, ela está trazendo Anastasia consigo.Respiro fundo. Anastasia, não, Corina. Anastasia foi uma mentira, era uma personagem criada para me enganar e não só a mim, mas a todos. Ela tentou matar uma criança amada por todos. Zara é pura inocência e ela tentou tirar a vida da criança.Do sentimento que eu havia criado por ela, só restou um desprezo p
(Cena que acontece depois do capítulo 147)Zhao YueEu estava na Rússia havia menos de vinte e quatro horas e já queria voltar para a China. Não porque estivesse com saudade de casa.Também não porque tivesse algum problema com a Rússia. O problema era minha irmã. Amo Mei do fundo do meu coração, mas havia me esquecido de como ela pode ser irritante.— Você não pode continuar assim.Olho para Mei por cima do meu celular.— Assim como?Ela cruza os braços e me encara com uma expressão que conheço muito bem. A expressão de quem está prestes a me dar trabalho.— Com essas roupas.Olho para a minha própria roupa. Não vejo problema algum.— Elas estão limpas. Qual o problema? — indago.— Não estou falando disso. — Ela coloca as mãos na cintura.— Então não vejo qual é o problema.Mei solta um suspiro exagerado.— Você só tem roupas pretas e brancas.— E? — Você precisa de roupas novas. De cores, de vestidos, de roupas leves... você só tem calças de couro e camisa.— Não preciso de nada di
Alexei MorozovUm ano depoisA vida não podia estar mais perfeita. Nossas gêmeas acabaram de completar um ano de vida, o filho do meu amigo também completou um aninho um mês antes e a sensação é que todas as coisas finalmente estão em seu lugar.Para comemorar, resolvemos tirar férias em família.É verão na Rússia, com dias longos, noites agradáveis e uma temperatura que faz os mais acostumados ao frio procurarem alguma sombra.Por alguns dias, ninguém falaria sobre negócios. Essa havia sido a regra de Mikhail. Uma regra que, considerando quem fazia parte daquele grupo, provavelmente não duraria até o fim da tarde, mas tentaríamos mantê-la.— Eu ainda acho que isso foi uma péssima ideia — resmungo, observando Mikhail lutar com as barras de ferro e o tecido colorido.— Você diz isso porque não sabe montar uma barraca — provoca Sofia, sentada sobre uma toalha, com Alina no colo.— Eu sei montar uma barraca.— Então por que não está ajudando?Olho para a estrutura.— Tem razão, eu não se
Sofia MorozovaMinhas filhas ficaram na incubadora por uma semana e então foram liberadas. Elas estavam com bom peso e saudáveis, mamando bem e respondendo a estímulos. Fiquei muito feliz com a notícia e chorei de alegria com as duas em meus braços.No fim, aquele mês internada valeu a pena.Agora tinha uma semana que elas estavam em casa e eu resolvi tomar um pouco do sol da manhã com as minha meninas, aproveitando o verão.Alexei contratou duas babás para me ajudar e eu pedi que elas estendessem um lençol sobre a grama embaixo de uma árvore e assim elas fizeram.A casa de Alexei, que se tornou nosso lar, é como uma casa de interior e eu estou amando isso, a distância de tudo e o silêncio.Alina está dormindo com sua chupeta rosa na boca. Os bracinhos rosados de fora e bochechinha corada. Ela tem os traços fortes do pai, os cabelos mais escuros.Ksenia se parece mais comigo com os cabelos loiros e os olhos azuis. Ela não está dormindo, pelo contrário, ela parece perceber todas as cor







