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Maera Responde

Author: Batistad
last update publish date: 2026-10-25 11:04:11

Nara

A voz de minha mãe atravessou a pedra, e o mundo pareceu se partir exatamente onde Cassian ainda me abraçava.

— Nara? Filha, por que Morvan está atrás de você?

Não era o murmúrio fragmentado da esfera negra. Não era uma lembrança costurada por magia. Era Maera Vale, com aquela rouquidão familiar que surgia quando acordava cedo demais e a impaciência de quem sempre suspeitava que eu tivesse feito alguma estupidez.

Meus olhos arderam.

— Mãe?

Cassian soltou lentamente minha cintura, mas per
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    NaraA voz de minha mãe atravessou a pedra, e o mundo pareceu se partir exatamente onde Cassian ainda me abraçava.— Nara? Filha, por que Morvan está atrás de você?Não era o murmúrio fragmentado da esfera negra. Não era uma lembrança costurada por magia. Era Maera Vale, com aquela rouquidão familiar que surgia quando acordava cedo demais e a impaciência de quem sempre suspeitava que eu tivesse feito alguma estupidez.Meus olhos arderam.— Mãe?Cassian soltou lentamente minha cintura, mas permaneceu próximo. Seu calor ainda atravessava meu vestido, lembrando-me do beijo que havíamos compartilhado segundos antes. Parecia impossível que a mesma boca capaz de me fazer esquecer a mina tivesse acabado de despertar algo enterrado havia tantos anos.— Não chore perto das paredes — Maera advertiu. — Elas estão ouvindo.Soltei uma risada quebrada.— Você passou anos desaparecida e sua primeira preocupação é minha falta de discrição?— Minha primeira preocupação é que continue viva para recla

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    NaraCassian prometeu atravessar o quarto se eu o chamasse daquele jeito outra vez, e descobri que minha coragem era muito maior quando ele estava longe.A distância entre nós não chegava a quatro passos. Ainda assim, parecia conter todas as coisas que eu temia: minha loba, a marca de Morvan, a lembrança de minha mãe adormecida sob a mina e aquele homem impossível que conseguia me deixar sem palavras simplesmente aguardando uma resposta.A chama prateada da lamparina tremia sobre as paredes. Cassian permanecia perto da porta, os ombros largos imóveis, os olhos escuros fixos em mim. Não havia ameaça em sua postura. Apenas desejo cuidadosamente contido, o que, em sua versão particular de crueldade, era muito pior.— Você sabe que essa sua paciência está começando a parecer provocação? — perguntei.— Não estou provocando.— Naturalmente. Você nasceu com essa expressão de homem que promete problemas e depois finge inocência.O canto de sua boca se moveu.— Nara.Meu nome saiu grave, rouc

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    Nara Cassian descobriu que eu não queria esperar tanto quando fechei a porta do quarto e pedi que ele parasse de me olhar como se minha vontade fosse uma coisa frágil. A câmara de repouso ficava num desvio da mina, perto da escadaria que levava à prisão ritual de minha mãe. Havia uma cama estreita, uma bacia de água limpa e uma lamparina cuja chama prateada lançava sombras pelas paredes. Nenhum daqueles detalhes deveria ser romântico. Especialmente a possibilidade de Morvan estar escutando através das pedras. Ainda assim, Cassian conseguia transformar um aposento miserável em algo perigosamente íntimo apenas permanecendo imóvel perto da porta. — Você disse que não queria esperar — ele lembrou. — Impressionante. Além de bonito, possui memória. — Nara. — Esse tom não funciona comigo. Funcionava absurdamente bem. Ele ainda usava a camisa escura manchada pela batalha. A marca deixada pelo anel de Morvan desaparecia sob a manga, mas eu sabia que estava ali. Sabia também qu

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    NaraA primeira vez que minha loba rosnou para Cassian depois de um beijo, compreendi que havia coisas mais assustadoras do que um homem perigoso.Uma delas era descobrir que eu também podia ser perigosa para alguém que amava.A mina estava silenciosa naquela parte do subterrâneo. A cela ritual de minha mãe ficava além de um corredor estreito, protegida por raízes de prata lunar que pulsavam como veias sob a pedra. O anel de Ilyra permanecia enrolado em um tecido escuro, longe da minha pele. Depois que Morvan o usara para nos localizar, Cassian não permitira que a joia tocasse novamente seu corpo.Estávamos sentados sobre uma plataforma de pedra, próximos demais para fingir indiferença. Cassian examinava o ferimento na minha palma, deixado pela prata ritual, enquanto eu tentava não prestar atenção na maneira como seus dedos seguravam os meus.Era uma tarefa ridiculamente difícil.— Você está fazendo isso de propósito — murmurei.Ele ergueu os olhos.— Limpando sua mão?— Existindo co

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    SeleneDarius descobriu que minha paciência tinha limites quando seus olhos desceram, pela terceira vez, até minha boca.Estávamos sozinhos numa das câmaras de repouso da mina. A claridade azul atravessava as paredes, desenhando sombras sobre a cama estreita onde ele permanecia sentado, com a camisa aberta para que eu examinasse o ferimento. A prata ritual deixara uma cicatriz avermelhada abaixo de suas costelas. O corte estava fechando, mas seu lobo ainda se recuperava da ordem que o arrancara da morte.Darius acompanhava meus movimentos em silêncio. Não era um silêncio inocente. Eu reconhecia aquele olhar, a tensão em seu maxilar, a maneira como sua respiração mudava quando meus dedos chegavam perto demais da pele.— Você pretende continuar fazendo isso? — perguntei.Ele ergueu os olhos.— O quê?— Olhar para minha boca como se estivesse tentando decidir se ela é uma ameaça.— Já decidi.— E qual foi o veredicto?Um sorriso lento apareceu em seu rosto.— A ameaça mais perigosa que

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    Darius não discutiu a sentença. Ele a recebeu como recebia os golpes na mina: em silêncio, com o maxilar firme e os olhos presos aos meus.Depois, sem que eu pedisse, dobrou os joelhos.O movimento foi lento por causa da ferida nas costelas, e por um segundo vi a dor atravessar seu rosto. Mesmo assim ele desceu até o tapete diante da cama, até que sua cabeça ficasse abaixo da minha, até que o Alfa que um dia me mandou baixar os olhos diante da alcateia estivesse ajoelhado entre meus pés, esperando.— Eu não mandei você se ajoelhar — murmurei.— Não. — A voz dele saiu baixa, áspera. — Escolhi.Aquela palavra fez mais estrago do que qualquer toque. Durante anos, sonhei em vê-lo humilhado, obrigado, vencido. Nunca imaginei que seria pior vê-lo escolher.Darius pousou as mãos abertas no chão, de cada lado dos meus pés, sem encostar em mim. O calor dele subia pelas minhas pernas mesmo à distância. A marca lunar latejava entre meus seios, e o vínculo puxava, exigente, como uma corda amarrad

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