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CAPÍTULO 5

ผู้เขียน: Alan Rios
last update วันที่เผยแพร่: 2026-06-03 19:00:16

Cheguei à sala de Mauro às oito em ponto, no meu primeiro dia oficial como assistente pessoal. Eu tinha passado a noite tentando me convencer de que, dali para frente, as coisas seriam minimamente profissionais. Agenda, e-mail, reunião, relatório, café caro demais. Essas coisas. Mas claro que eu estava sendo ingênua.

Mauro já estava lá, de pé atrás da mesa, com um frasco do Relux bem no centro, como se aquilo fosse um terceiro funcionário participando da reunião.

Parei na porta.

— Olha aqui, doutor Mauro…

— Mauro, por favor.

— Olha aqui, DOUTOR Mauro, eu não aceitei esse emprego para servir de cobaia para…

— Ei. Baixa o tom — ele cortou, seco.

Eu travei. Não pelo susto, mas pela audácia. O Mauro transtornado do dia anterior, aquele quase desesperado, tinha sumido. No lugar dele estava o chefe. O dono. O homem acostumado a falar e ser obedecido.

— Como é?

— Você está na minha sala, no meu horário, no cargo que eu te dei. Então vamos começar sem espetáculo.

Por um segundo, fiquei sem resposta. Eu tinha achado que ele estivesse meio caidinho, meio perdido, talvez até comendo na minha mão. Pelo visto, eu tinha confundido desespero com rendição. Erro meu. Mauro Ventura continuava sendo um insuportável.

— Você quer ou não quer esse emprego? — ele perguntou. — Essa oportunidade que eu estou te dando?

A palavra “dando” me irritou num lugar profundo.

— Claro que eu quero. Mas tudo tem limite.

— E qual limite eu ultrapassei agora?

— O de achar que pode me chamar aqui para ficar borrifando perfume em cima de mim como se eu fosse amostra grátis de shopping.

Ele apoiou as mãos na mesa e se inclinou para frente.

— Você está se achando muito só porque é, aparentemente, imune ao Relux.

— Eu não estou me achando. Você que me achou, lembra?

A mandíbula dele travou. Ponto para mim. Mas dessa vez o ponto não veio com prazer. Veio com um frio na barriga. Mauro estava bravo de um jeito diferente, e, por mais que eu odiasse admitir, aquilo deixava ele ainda mais bonito. Bonito e perigoso. Uma combinação péssima para a minha sanidade.

— Alguma peça ainda falta encaixar — ele disse. — Eu vou descobrir o que está acontecendo. Podemos trabalhar?

Eu quis mandar ele enfiar o Relux no inferno. Quis virar as costas e voltar para operações, para minha mesa sem glamour, meu salário ruim e minha paz relativa. Mas eu não podia. Eu precisava daquele dinheiro. Nunca mais teria uma chance assim dentro da Noir.

Então engoli o orgulho. Quase engasguei, mas engoli.

— Tá. Vamos trabalhar.

Mauro pegou um frasco menor, sem rótulo, contendo uma variação do perfume. Borrifou no próprio pulso, depois no ar entre nós. O cheiro era parecido com o Relux, mas mais doce, mais pesado. Invadiu a sala rápido demais.

— E então? — ele perguntou, com aquela avidez ridícula.

Respirei pelo nariz, já irritada antes mesmo de responder.

— Nada.

Ele fechou os olhos por um segundo, frustrado. Depois deu um soco na mesa. O barulho me fez dar um passo para trás.

— Que merda.

— Nossa, excelente ambiente de trabalho. Muito acolhedor.

Ele me olhou. Dessa vez, não era só raiva. Era exaustão. Como se aquele perfume, aquela falha, eu, tudo estivesse puxando alguma coisa de dentro dele que ele não queria mostrar.

— Você acha que isso é vaidade — ele disse.

— E não é?

— Não.

— Difícil acreditar, considerando que a crise começou porque uma mulher não ficou doida por você.

Ele se aproximou, devagar. Não perto o suficiente para me encurralar, mas perto o bastante para o ar mudar. O perfume estava nele, na sala, em mim. E, mesmo sem efeito nenhum, era impossível ignorar a presença de Mauro. Isso era o mais irritante. O Relux falhava, mas o homem não ajudava.

— Se fosse só isso, eu teria deixado pra lá — ele disse.

— Então é o quê?

Ele não respondeu. Sentou-se, pegou o telefone e fez duas ligações curtas, num tom frio. Falou em avaliação, coleta, sigilo. Eu cruzei os braços.

— Espera. Avaliação de quem?

— Sua.

— Minha? Você enlouqueceu de vez?

— Quero descartar fatores hormonais, neurológicos, psicológicos. Tudo.

Eu ri, mas foi de nervoso.

— Você está mesmo tentando provar que eu tenho defeito porque não reagi ao seu perfume?

— Estou tentando entender por que você é a exceção.

— E eu estou tentando entender por que ainda não te processei.

Ele levantou os olhos para mim.

— Porque você quer ficar.

Aquilo me calou. Não porque fosse bonito. Porque era verdade. E eu odiei que ele soubesse.

Duas horas depois, a sala dele virou uma clínica particular improvisada. Médico, psicólogo, coleta de sangue, perguntas demais. Passei o dia respondendo coisas absurdas enquanto Mauro circulava por perto, sério, calado, fingindo que não me observava. Mas observava. Toda vez que eu levantava o olhar, ele estava ali. E toda vez que nossos olhos se cruzavam, alguma coisa que não era Relux acontecia.

No dia seguinte, os resultados estavam na mesa dele.

— Tudo normal — Mauro disse, decepcionado, como se tivesse torcido por uma tragédia médica que salvasse o orgulho dele.

— Que pena. Continuo sem defeito.

— Eu não entendo.

— Mauro, até remédio caro falha em algumas pessoas. Talvez eu seja só isso: a falha.

— Não.

— Não?

Ele levantou da cadeira, pegando uma pasta preta.

— Eu criei o Relux há dez anos. Nunca conheci uma mulher que não fosse afetada. Nunca.

— Tudo tem uma primeira vez.

Mauro abriu a pasta e tirou uma folha com meu nome no topo.

— Então vamos testar de outro jeito.

Meu estômago afundou.

— Que outro jeito?

Ele me olhou como se a resposta fosse óbvia.

— Se o Relux não desperta desejo em você, eu preciso descobrir se alguém consegue.

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