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Capítulo 4

Autor: Nuvem Verde
Peguei um Uber e voltei sozinha para o apartamento.

Recostei-me no banco, fechei os olhos e respirei fundo. As ondas de sufocamento e o zumbido nos ouvidos finalmente começaram a diminuir.

Ao chegarmos, o motorista colocou minha mala na entrada do prédio e perguntou se eu queria ajuda para a levar até o elevador.

Respondi que não. Entrei no prédio com o notebook quebrado no braço esquerdo e a mala na mão direita.

Assim que entrei no apartamento, fui ao escritório procurar o HD de backup.

Ele ainda estava no fundo da gaveta.

Soltei um suspiro de alívio e fui buscar o frasco de remédio no criado-mudo.

O frasco mal havia caído na palma da minha mão quando ouvi a fechadura girar.

Rafael estava parado à porta com o rosto sombrio.

— Então, você voltou mesmo.

Coloquei o HD no bolso interno da mala.

— Sai.

Ele não se moveu. Seu olhar caiu sobre o frasco de remédio em minha mão.

No instante seguinte, Rafael avançou e o arrancou de mim.

— Mariana, ainda não cansou desse drama? Eu disse que compraria outro notebook e faria a Camila pedir desculpas. Até quando vai castigar a gente com esse silêncio?

Tentei pegar o frasco de volta.

— Me devolve.

Rafael ergueu a mão, contendo a raiva no olhar.

— A Camila está lá embaixo, chorando tanto que mal consegue respirar, e você nem perguntou se ela está bem. Quando ficou tão insensível?

— Quando vocês começaram a tratar a minha vida como uma aposta.

— Não exagere. — Ele falou entre os dentes. — Foi só um concurso, um notebook e uma viagem. Vai mesmo jogar fora todos esses anos por causa disso?

Olhei para ele.

— Rafael, acabou entre nós.

Ele ficou surpreso por um instante e depois riu.

Não havia alegria naquele riso, apenas a incredulidade de quem se sentia afrontado.

— Acabou? Está usando o término pra me assustar?

— Não estou tentando assustar você.

Eu não queria mais continuar aquela conversa inútil. Puxei a mala e estendi a mão para recuperar o frasco de remédio.

Rafael, porém, desviou antes que eu conseguisse alcançá-lo e apertou o frasco com força na mão.

— Está bem. Você quer um tempo pra se acalmar? Então, vou dar isso a você.

Ele recuou para fora do apartamento.

Meu peito se contraiu de repente.

— Rafael, o que você está fazendo?

A porta de segurança se fechou diante dos meus olhos.

Ouvi a chave girar na fechadura.

Corri até a porta e tentei girar a maçaneta, mas ela não se moveu.

A voz de Rafael atravessou a porta.

— Eu e a Camila fizemos uma última aposta. Quatro horas. Depois de ficar aí dentro por quatro horas, você vai perceber o quanto passou dos limites hoje.

Bati na porta.

— Abre a porta.

— Vou ficar com o remédio pra você não usar seu problema de saúde pra me manipular de novo. — A voz dele estava fria e dura. — Quando estiver disposta a conversar direito, me liga.

Seus passos se afastaram.

Ouvi o som do elevador antes que as portas se fechassem.

Todo o apartamento mergulhou em silêncio.

Permaneci na entrada com a palma da mão apoiada na porta, e minha respiração ficou repentinamente curta.

A entrada apertada, a porta trancada e o remédio que eu não conseguia recuperar.

Tudo aquilo se acumulou, como se uma mão invisível apertasse meus pulmões por dentro do peito.

Virei-me e comecei a vasculhar as gavetas.

Não havia nenhum remédio reserva.

As coisas dentro da minha mochila tinham ficado completamente reviradas depois da queda no aeroporto.

O celular havia escorregado para uma abertura no forro rasgado da mochila. Consegui puxá-lo com as mãos trêmulas, mas o desbloqueio por digital falhou três vezes seguidas.

Uma mensagem de Camila apareceu na tela.

"Mari, se acalma. O Rafael só está fazendo isso pro seu bem."

Fiquei olhando para aquela frase, sem conseguir sequer rir do absurdo.

Eles realmente acreditavam que me trancar dentro de casa também era para o meu bem.

Meu coração batia cada vez mais rápido.

As bordas da minha visão começaram a escurecer.

Antes de perder completamente a consciência, derrubei a estante da entrada.

Peguei o enfeite de latão caído no chão e, reunindo o último resto de força que ainda havia em meu corpo, golpeei com violência o vidro da janela panorâmica da sala.

Em meio ao estrondo, os estilhaços voaram em todas as direções e se cravaram profundamente no meu antebraço. O sangue começou a jorrar no mesmo instante.

A tela do celular se acendeu novamente.

Era uma mensagem de Rafael.

Uma única frase apareceu na prévia da tela bloqueada.

"São só quatro horas. Pare de se fazer de coitada."

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