LOGINCésar soltou uma risada curta, gelada, e virou o rosto para Henrique.— Curioso… Porque o que você acabou de dizer soou bem ofensivo pra mim.O olhar de Henrique se fechou. Ele respondeu devagar, marcando cada palavra:— A representante legal do Grupo Nogueira Lima é sua amante. O dinheiro caiu no seu colo, mas você saiu intacto, sem se expor em momento nenhum. E, se alguma coisa der errado, é ela quem vai acabar carregando tudo sozinha.— Ué… Você não disse que não entendia dessa sujeira da política e que não se metia nisso? — O rosto de César endureceu de vez.— Exatamente. Eu não me meto. Mas isso envolve a minha mulher. E, quando envolve a Carolina, eu não fico parado.Sem alterar o tom, Henrique conduziu a cadeira de rodas até o armário do café. Abriu uma gaveta, pegou uma pasta e a atirou sobre a mesa de centro.— Dá uma olhada.César abriu os documentos e começou a folheá-los. À medida que lia, sua expressão ia ficando cada vez mais sombria. No fim, fechou a pasta com força e le
— Você ainda tem audiência à tarde? — Perguntou Henrique, com um braço envolvendo a cintura dela, enquanto com a outra mão conduzia a cadeira de rodas em direção à sala de jantar.Carolina continuava aconchegada nele.— Tenho. É o caso de poluição ambiental da fábrica química do Grupo Nogueira Lima. O julgamento vai ser transmitido ao vivo, aberto ao público… Estou sentindo uma certa pressão.— É aquele caso que explodiu na internet? Com denúncia nominal e tudo? Por isso resolveram transmitir ao vivo?— Sim.Henrique apertou de leve a bochecha dela, num gesto carinhoso.— Minha Carol vai ficar famosa de vez depois dessa.Carolina afastou a mão dele e esfregou a bochecha, fazendo uma careta leve.— Não é garantido que eu vá ganhar. Se eu perder, é bem capaz de começarem a dizer que eu fui comprada pelo Grupo Nogueira Lima.— Eu confio na justiça. E confio em você. Você vai ganhar.Carolina se levantou do colo dele e foi se sentar à mesa.— Se eu ganhar, vou pagar um jantar pro Enrico. S
Henrique apoiou a mão no chão, fazendo menção de se levantar, mas Carolina foi mais rápida. Aproximou-se depressa e o segurou pelo braço e pela cintura para ajudá-lo. Então ele se apoiou no ombro dela.— A mediação acabou?— Acabou. — Carolina o ajudou a se acomodar na cadeira de rodas. — Obrigada por tudo, Rick.— Não foi nada. — Quando olhou para Tomás, havia um carinho tão genuíno em seus olhos que não deixava espaço para dúvida. — O Tomás é muito fofo.Carolina virou o rosto para o menino e viu que ele já estava no colo de Larissa.Fazia tempo que Leandro não via o filho, mas, ainda assim, não foi logo pegá-lo nos braços. Ficou apenas diante de Larissa, levemente inclinado, segurando a mãozinha de Tomás enquanto falava baixinho, com uma delicadeza quase cautelosa:— Tomás, ficou feliz de ver o papai? Vamos pra casa com o papai, vamos?Mas Tomás reagiu como se estivesse diante de um estranho. Virou o corpinho e se escondeu no ombro de Larissa, abraçando o pescoço dela com os bracinh
Carolina percebeu o quanto Larissa estava abalada. Sem dizer nada, estendeu a mão e pousou de leve sobre o punho que ela apertava com tanta força que chegava a tremer.— Coloca no viva-voz.Leandro franziu a testa, irritado com a interferência. Apertou os dentes, soltou um suspiro pesado e ativou o alto-falante.Logo, a voz doce e levemente afetada de Vitória tomou conta da sala:— Lê, obrigada por me levar em casa ontem à noite… E por cuidar de mim também. Por beber no meu lugar, por me proteger daqueles homens nojentos… Eu nem sei como te agradecer. Hoje à noite vem jantar aqui em casa. Vou preparar tudo com carinho, comida da minha terra, pra te receber direitinho.O áudio terminou.Leandro ficou em silêncio.Larissa abaixou a cabeça. Um sorriso amargo surgiu nos lábios, enquanto seus olhos já se enchiam de lágrimas. O corpo tremia, tomado pela raiva contida, e ela cerrava os dentes com força para não perder o controle.Até a mediadora não conseguiu disfarçar o incômodo.A sala merg
— Eu vou fazer tudo do seu jeito… — Murmurou Carolina, se aninhando ainda mais contra o peito dele, envolvida por uma sensação profunda de segurança.— Daqui pra frente, qualquer coisa… Problema, frustração, pensamento ruim… Você me conta. A gente resolve junto.— Certo.— Carol… Na faculdade, você era confiante, leve, vivia sorrindo. Eu quero ver você voltar a ser quem você é de verdade.— Eu vou.— O que você tem pra hoje?— De manhã tem a conciliação antes do divórcio do Leandro e da Larissa. À tarde, audiência do caso de poluição do Grupo Nogueira Lima.— Tem algo em que eu possa te ajudar?— Contrata uma babá pra ficar com o bebê. Eu e a Lari vamos ao fórum encontrar o Leandro.— Fechado.Henrique beijou os cabelos dela e a puxou para mais perto, como se ainda não quisesse sair da cama. Fechou os olhos, preguiçoso, disposto a aproveitar mais um pouco aquele momento com ela nos braços.A sessão de conciliação era uma etapa obrigatória antes da audiência.No fórum, na sala de mediaç
A luz suave da manhã atravessava as cortinas, espalhando um brilho difuso pelo quarto.O ar-condicionado mantinha a temperatura agradável. Carolina despertou devagar, ainda envolvida em um sonho leve, abrindo os olhos aos poucos.A primeira coisa que viu foi o rosto dele.Os traços de Henrique eram tão bem desenhados que pareciam esculpidos, firmes, harmoniosos, quase irreais de tão bonitos.Ele estava deitado de lado, voltado para ela. A respiração tranquila, o semblante sereno, completamente em paz.O coração de Carolina se apertou.O amor que sentia por ele era intenso demais para caber em palavras, um amor atravessado por insegurança, por medo. Medo de que, em algum momento, ele pudesse se arrepender da escolha que fez.Ele tinha aberto mão da possibilidade de ter filhos para ficar ao lado dela, com tudo o que ela carregava.Se fosse o contrário… Ela sabia que talvez nem fosse capaz de amar assim.Por isso, no fundo, não tinha coragem de acreditar que aquele amor duraria para sempr
— Obrigada.Carolina finalmente parou de insistir em recusar. Estava profundamente grata.Henrique pegou o celular e olhou a hora. Já passava da meia-noite.— Já está muito tarde. Vá dormir.— Ok. — Ela respondeu baixinho.Henrique então acrescentou, em tom tranquilo, quase como uma orientação:— Le
O chicote cortava o ar de forma caótica, atingindo seus braços e pulsos.A camisa branca de Carolina logo foi marcada por faixas vermelho-vivo de sangue.Ela tremia de dor, o corpo inteiro sacudindo, mas continuava segurando a faca com todas as forças. Lágrimas enchiam seus olhos, e ela não ousava p
Henrique ficou levemente surpreso.Seu olhar caiu sobre as costas de Carolina enquanto ele soltava um suspiro quente e levantava devagar a parte de trás da camisola dela.Na noite anterior, tinha sido a enfermeira quem limpara e tratara as feridas.Era a primeira vez que ele realmente via os machuca
Deixa para lá.As mentiras que ela inventara naquela época para conseguir terminar o relacionamento não eram em nada inferiores às de Marcelo.Carolina sabia muito bem. Ela se valeu dele. Usou Marcelo como ferramenta para conseguir se separar sem obstáculos.Falando sem rodeios, a amizade entre Marc






