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Meu melhor amigo!

Author: D'Leosha
last update publish date: 2026-09-15 11:15:53

Alguns dias se passaram desde a escolha do vestido.

Eu estava no trabalho quando liguei para Pietro.

— Amor, posso te perguntar uma coisa? O que aconteceu naquele dia em que você me ligou?

Dessa vez, não havia aquele barulho absurdo de várias pessoas falando ao mesmo tempo.

Pietro riu.

— Eu estava escolhendo meu terno com alguns amigos.

— E?

— E... as coisas saíram um pouco do controle.

— Como assim?

Ele explicou que, depois de escolher algumas opções, os amigos decidiram parar para assistir a um jogo de futebol que estava acontecendo. Eles ouviram a gritaria de um bar próximo, entraram para ver e, quando perceberam, estavam bebendo, torcendo e se divertindo.

O mais engraçado era que eles nem sabiam direito quem estava jogando.

Muito menos conheciam os jogadores.

No fim, Pietro ainda tinha feito amizade com algumas pessoas do bar.

Fiquei alguns segundos olhando para o telefone.

Meu Deus... o que aconteceu com esse homem?

Mas, apesar de tudo, eu estava feliz por ele estar se divertindo.

Foi quando Paulo apareceu.

— Sara!

Ele entrou acompanhado de algumas pessoas do trabalho, carregando um bolo enorme.

— Hoje é seu último dia!

Meu coração apertou.

Eu havia decidido deixar meu emprego para trabalhar no projeto de arquitetura que desenvolveria com Pietro e me dedicar ao meu ateliê. Não queria mais dividir minha vida entre três coisas diferentes.

Queria construir algo nosso.

Todos comemoraram, comemos o bolo, conversamos e rimos.

Até o dono da empresa apareceu.

Ele me parabenizou pelo casamento, disse que estava feliz por ter sido convidado, mesmo a cerimônia acontecendo na Itália, e desejou que eu tivesse um futuro maravilhoso.

— Você foi uma excelente funcionária, Sara. Vamos sentir sua falta.

Recebi aplausos, abraços e brincadeiras.

Foi uma despedida simples, mas muito especial.

No final da tarde, quando eu já estava pronta para ir embora, Paulo segurou meu braço.

— Você não vai embora ainda.

— Por quê?

Ele sorriu.

— Porque eu quero te levar a um lugar.

Quando saímos, encontrei Pietro e Pierre esperando.

Olhei para os três.

— O que vocês estão fazendo juntos?

Paulo abriu os braços.

— Nós, o PPP, viemos aqui para te mostrar uma coisa!

— PPP?

Pierre levantou a mão.

— P de Pierre, P de Pietro e P de Paulo.

Levei a mão ao rosto.

— Meu Deus do céu...

Pietro riu.

— Nós três gostamos de você. Então decidimos fazer uma surpresa.

Antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, Paulo colocou uma venda nos meus olhos.

Entrei no carro.

Pietro dirigiu.

O caminho não demorou muito. Cerca de cinco minutos.

Depois, eles me ajudaram a sair e caminhar.

Entrei em algum lugar.

Então a venda foi retirada.

Fiquei imóvel.

Diante de mim havia um espaço enorme, branco e elegante.

Parecia uma galeria.

Mas não era apenas uma galeria.

Eram todas as minhas obras.

Quadros, esculturas e trabalhos que eu havia feito ao longo dos anos.

Abaixo deles, havia textos contando suas histórias.

Havia referências aos artistas que eu admirava, às pessoas com quem trabalhei, aos lugares onde havia passado e até aos prédios que participei de projetar.

Tudo tinha sido organizado de uma maneira limpa, exatamente como eu sempre havia imaginado.

Era a minha história.

Minha vida transformada em exposição.

Pietro caminhou até mim.

— Esse aqui é o seu ateliê.

Olhei para ele, sem conseguir entender.

Pierre se aproximou.

— Pietro queria te dar alguma coisa que fosse inesquecível. Então decidiu te dar seu próprio espaço. Você não vai mais precisar expor suas obras no ateliê de outra pessoa.

Ele apontou para tudo ao redor.

— Agora você é dona da sua própria história. Não é mais a entrada para abrir o apetite de ninguém.

Pietro olhou para ele, um pouco confuso com a comparação.

Pierre deu de ombros.

— Você é o prato principal.

Pietro acabou rindo.

— E é a es-tre-la.

Ele separou a palavra em sílabas, enfatizando cada uma.

Nós três rimos.

Eu não consegui dizer nada.

As lágrimas simplesmente começaram a cair.

Corri até eles e abracei os três.

— Eu amo vocês...

Paulo e Pierre perceberam minhas lágrimas e se afastaram devagar, deixando-me abraçar Pietro.

Ele me envolveu nos braços.

Naquele momento, eu não precisava de mais nada.

Eu tinha meu amor.

Minha arte.

E, finalmente, um lugar para chamar de meu.

Do outro lado, Pierre abriu os braços e gritou:

— VOCÊ AINDA VAI SER A MAIOR ARTISTA QUE ESSE BRASIL JÁ VIU!

Eu ri no meio das lágrimas.

E, pela primeira vez, consegui acreditar nisso.

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