LOGIN— Cala a boca as duas! O casamento é dela!
A voz de Paulo fez todo mundo parar. Olhei para ele, surpresa, enquanto minha mãe e Eleonora ficaram em silêncio por alguns segundos. Eu tentei manter a seriedade, mas não consegui. Acabei soltando uma risada. Paulo veio até mim, me abraçou e sussurrou no meu ouvido: — O que seria de você sem mim? — Muito obrigada — respondi, ainda rindo. Voltamos à escolha dos vestidos. E Paulo realmente levou sua missão a sério. Toda vez que minha mãe ou Eleonora começavam a dar uma opinião que ultrapassava o limite do razoável, ele intervinha. — Não. Próximo. — Esse não. — Minha querida, respeitosamente, ninguém perguntou. Eu precisava me controlar para não rir. Depois de algum tempo, comecei a experimentar os vestidos. Até que encontrei um que me chamou atenção. Era longo, tradicional e requintado. Não tinha excesso de brilho nem parecia exageradamente chamativo. Era feito de seda e renda, com um corte elegante que deixava o vestido delicado sem perder a presença. Quando saí do provador, fiquei diante do espelho. Minha mãe sorriu. Eleonora levou as mãos ao peito. Paulo ficou alguns segundos em silêncio. — Esse... — minha sogra começou. — Sim — minha mãe respondeu ao mesmo tempo. As duas se olharam. Pela primeira vez naquele dia, pareciam concordar. Eu também gostei. Enquanto os três me olhavam, meu telefone tocou. Era Pietro. Atendi. — Oi, amor. Do outro lado, havia um barulho enorme. Várias vozes masculinas falavam ao mesmo tempo. Não conseguia entender praticamente nada. Pietro estava rindo e sua voz parecia um pouco diferente. Parecia até que tinha bebido. Olhei para o relógio. Três da tarde. — Pietro? O que está acontecendo? Antes que ele pudesse responder, Paulo simplesmente pegou meu telefone da minha mão. — Querido! Sua esposa está experimentando vários vestidos aqui. Já ouvi sua mãe e a mãe dela brigarem umas seiscentas vezes. Eu não tenho paciência para você, tá? Boa tarde! E desligou. Fiquei olhando para ele, completamente incrédula. O telefone tocou novamente. Paulo atendeu. — Ela está experimentando o vestido. É a sua noiva. Você não vai interromper! Eu estou num momento dificílimo da minha vida, tendo que interromper duas leoas e proteger a sua gazela. Então você para de ligar. Quando ela estiver disponível, eu permito que ela te ligue. E desligou novamente. Poucos segundos depois, chegou uma mensagem de Pietro. Desculpa. Paulo olhou para a tela e fez uma expressão satisfeita, como se tivesse acabado de vencer uma batalha. A dona da loja, que também era a estilista, aproximou-se do seu ajudante e sussurrou: — Aquele homem parece ser bem interessante. Pena que é gay. O rapaz segurou o riso. — Pena nada. Pena pra você. Os dois começaram a rir baixinho. Eu voltei minha atenção para o vestido. — Eu gostei muito desse. Olhei novamente para o espelho. — Acho que quero deixar esse reservado. Não significava que havia escolhido definitivamente. Ainda faltavam quatro meses para o casamento. Eu queria experimentar outras opções, conhecer outros modelos e ter certeza. Mas aquele havia se tornado minha primeira opção. Depois de reservá-lo, fomos embora. Terminamos a tarde em uma doceria, comendo tortas, doces e conversando sobre o casamento. Enquanto todos falavam, peguei meu celular e mandei uma mensagem para Pietro. Estou bem. E me senti linda naquele vestido. A resposta chegou poucos segundos depois. Eu estou ansioso para ver. Sorri para a tela. Talvez eu também estivesse ansiosa para aquele momento. E, pela primeira vez, consegui imaginar de verdade o dia em que caminharia até ele usando aquele vestido.Ele me envolveu em seus braços, alisando o meu corpo por inteiro... Eu podia sentir: era o meu homem ali! E, por mais que eu quisesse, era fraca demais para resistir a seus toques.Então, ele começou a mexer seu corpo no meu, nos envolvendo completamente. Eu nem sequer conseguia lembrar ou perceber o que estava acontecendo ao redor; meus olhos e meu foco estavam somente naquele homem.Em certo momento, os movimentos se tornaram mais intensos. Eu o vi tirar sua gravata e, em seguida, usá-la para amarrar minhas mãos para trás da cadeira em que eu estava. Agora, eu estava totalmente submissa e entregue a ele, sem chance de reagir.Foi quando senti suas mãos explorando meu corpo enquanto dançava sensualmente por cima de mim, alisando seu corpo no meu... Dava para sentir seu pau duro e pulsando por dentro da roupa.Suas mãos tocavam meus seios, meu pescoço e meus lábios. Ele agarrava e puxava minha cintura para que eu sentisse seu corpo ainda mais próximo. Deslizava seus dedos entre meu ve
Faltavam poucos dias para o casamento.Todos já estavam na Itália, e eu estava cada vez mais nervosa.Depois de experimentar dezenas de vestidos, tanto no Brasil quanto na Itália, finalmente havia escolhido o primeiro. Aquele vestido de seda e renda que havia conquistado minha atenção desde o começo tinha sido o vencedor.As madrinhas usariam verde-escuro, em homenagem à família Bellini e ao seu tradicional brasão. Os padrinhos também usariam verde, mas em uma tonalidade mais clara e suave.Tudo estava praticamente pronto.Até que Pietro me ligou.— Amor, você precisa fazer uma despedida de solteira.— Preciso?— Sim.Ele parecia estranhamente animado.— Você também vai fazer?— Vou. Já planejei algumas coisas com os meus amigos.— Então por que está tão preocupado com a minha?— Porque eu só vou fazer se você fizer.Fiquei alguns segundos em silêncio.— Está bem. Eu faço.Eu não fazia ideia do que ele havia planejado.Algumas horas depois, meu apartamento começou a ficar cheio de mul
Passou-se mais um mês e meio.Faltavam cerca de dois meses e meio para o casamento quando eu e Pietro viajamos para a Itália.Precisávamos resolver tudo que não poderia ser feito no Brasil.Comida, doces, bebidas, decoração e os últimos detalhes da festa precisavam ser escolhidos diretamente lá. E, pela quantidade de coisas que ainda precisávamos decidir, percebemos que seria melhor passar aquele período juntos na Itália.Foi uma das melhores decisões que tomamos.Pietro aproveitou para me mostrar lugares que conhecia desde muito antes de me conhecer.Visitamos vinhedos, experimentamos diferentes vinhos e escolhemos algumas das bebidas que seriam servidas no casamento. A família Bellini tinha parceria com alguns produtores locais, então parte dos vinhos seria fornecida por eles.Também passamos dias experimentando doces, salgados e pratos que poderiam fazer parte da festa.E, claro, eu e Pietro discutimos novamente sobre a quantidade de doces.— Ainda acho que vinte tipos é exagero.—
Alguns dias se passaram desde a escolha do vestido.Eu estava no trabalho quando liguei para Pietro.— Amor, posso te perguntar uma coisa? O que aconteceu naquele dia em que você me ligou?Dessa vez, não havia aquele barulho absurdo de várias pessoas falando ao mesmo tempo.Pietro riu.— Eu estava escolhendo meu terno com alguns amigos.— E?— E... as coisas saíram um pouco do controle.— Como assim?Ele explicou que, depois de escolher algumas opções, os amigos decidiram parar para assistir a um jogo de futebol que estava acontecendo. Eles ouviram a gritaria de um bar próximo, entraram para ver e, quando perceberam, estavam bebendo, torcendo e se divertindo.O mais engraçado era que eles nem sabiam direito quem estava jogando.Muito menos conheciam os jogadores.No fim, Pietro ainda tinha feito amizade com algumas pessoas do bar.Fiquei alguns segundos olhando para o telefone.Meu Deus... o que aconteceu com esse homem?Mas, apesar de tudo, eu estava feliz por ele estar se divertindo
— Cala a boca as duas! O casamento é dela!A voz de Paulo fez todo mundo parar.Olhei para ele, surpresa, enquanto minha mãe e Eleonora ficaram em silêncio por alguns segundos.Eu tentei manter a seriedade, mas não consegui. Acabei soltando uma risada.Paulo veio até mim, me abraçou e sussurrou no meu ouvido:— O que seria de você sem mim?— Muito obrigada — respondi, ainda rindo.Voltamos à escolha dos vestidos.E Paulo realmente levou sua missão a sério.Toda vez que minha mãe ou Eleonora começavam a dar uma opinião que ultrapassava o limite do razoável, ele intervinha.— Não. Próximo.— Esse não.— Minha querida, respeitosamente, ninguém perguntou.Eu precisava me controlar para não rir.Depois de algum tempo, comecei a experimentar os vestidos.Até que encontrei um que me chamou atenção.Era longo, tradicional e requintado. Não tinha excesso de brilho nem parecia exageradamente chamativo. Era feito de seda e renda, com um corte elegante que deixava o vestido delicado sem perder a
Os meses seguintes passaram muito mais rápido do que eu imaginava.Entre reuniões, escolhas, visitas e provas, eu e Pietro começamos a planejar nosso casamento.E foi durante esse período que descobri uma coisa que nunca tinha percebido completamente sobre ele: Pietro era muito mais atrapalhado do que parecia.Principalmente quando o assunto envolvia cores, roupas, decoração e moda.Ele conseguia olhar para duas tonalidades praticamente iguais e dizer que eram completamente diferentes. Às vezes, eu mostrava uma decoração e perguntava o que ele achava.— Está bonita.— Só isso?— Sim.— Você gostou da cor?Ele olhava novamente.— Que cor?Eu acabava rindo.Por isso, Pietro simplesmente passou a deixar praticamente todas essas decisões comigo.Havia, porém, uma coisa em que ele não abria mão.Os doces.Pietro era completamente apaixonado por doces.E, aparentemente, nosso casamento precisaria alimentar uma pequena cidade.— Amor, nós teremos duzentos convidados.— Eu sei.— Então por qu







