LOGINO tom de Gustavo saiu aflito, carregado de uma falsa preocupação, como se tudo aquilo fosse apenas fruto da imaturidade dela.Ayla ergueu levemente os lábios num sorriso breve e simplesmente ignorou o que ele dizia.— Sr. Armando, eu insisto nos cinquenta por cento das ações não por impulso. Hoje, vários projetos centrais da empresa estão parados e precisam de avanço imediato. Se o poder de decisão continuar pulverizado, com aprovações sucessivas e interesses se anulando, vamos perder o timing outra vez. Eu preciso de comando absoluto para garantir que a estratégia seja executada até o fim. Isso é o mínimo de segurança para um projeto de quase um bilhão.Ela fez uma breve pausa, o olhar firme, sem recuar.— Se o senhor não concorda com essa lógica, não faz sentido eu permanecer. Nesse caso, peço que decida logo: vamos ampliar juntos esse negócio ou o senhor prefere providenciar minha demissão agora?A postura firme, segura, acabou encurralando Armando.O que Ayla dizia não era desprovi
Quanto às ações que Armando detinha, não havia sequer a possibilidade de transferi-las para Ayla. Parte daquele percentual pertencia ao Sr. Heitor, algo fora de sua alçada, e a Sra. Elena podia retomá-las a qualquer momento.Ayla lançou um olhar rápido ao contrato de cessão. Só depois de alguns segundos voltou a falar:— O Gustavo me disse que seria metade das ações. Foi por isso que eu voltei à empresa trazendo um novo projeto.Enquanto falava, abriu a bolsa e retirou dali uma pasta. Era, de fato, uma proposta de projeto — justamente aquele que o Grupo Siqueira tentara conquistar várias vezes, sem sucesso.O valor beirava um bilhão. Se a empresa conseguisse fechar aquele contrato, todas as perdas anteriores se tornariam irrelevantes, e o processo de abertura de capital avançaria a passos largos.Os olhos de Armando e Gustavo brilharam ao mesmo tempo. Armando chegou a estender a mão, ansioso para pegar o material.Mas Ayla o recolheu no último instante. Ergueu levemente a sobrancelha e
As respirações rasas, entrelaçadas, fizeram o desejo se espalhar em silêncio.Ainda assim, Daniel manteve o último limite. De verdade, apenas a envolveu com cuidado por alguns instantes.Quando enfim a soltou, os dedos dele roçaram a bochecha ainda corada. Nos olhos profundos como o oceano, ardia um calor contido, disciplinado.— Não tenha medo. Eu não quero só esta noite. Temos o resto da vida pela frente.A voz masculina soou rouca, mas firme. Caiu sobre o coração de Ayla como uma pena — leve, e ao mesmo tempo incendiária. O sangue dela pareceu ferver por inteiro.A intenção de Daniel ficou clara. Ele realmente queria se casar com ela. E, mais do que isso, realmente a respeitava.O coração de Ayla entrou em completo descompasso.Até aquela noite, ela não tinha nutrido nenhum outro sentimento por ele. Mas agora, diante dele, o peito batia forte, inquieto, impossível de ignorar....Na segunda-feira, Ayla voltou ao Grupo Siqueira conforme combinado.Armando e os demais já aguardavam na
Foi nesse instante que Enzo também chegou às pressas.O sorriso aberto no rosto não passava despercebido. Ele trocou um olhar cúmplice com Daniel antes de se dirigir a Ayla:— Srta. Ayla, desejo a você e ao senhor um feliz Dia dos Namorados.Ayla não entendeu de imediato. Olhou para Daniel, que baixou os olhos e lhe fez um leve sinal para que verificasse o celular.No segundo em que acendeu a tela, o coração quase lhe parou.A data tinha voltado para o dia anterior...E o horário, que já passava da meia-noite, agora marcava pouco antes das onze e meia.Fuso horário.Daniel não tinha simplesmente levado Ayla para passar o Dia dos Namorados dentro de um avião. Ele usou a diferença de horários entre os países e a levou, literalmente, de volta ao dia anterior.Naquele momento, eles ainda não tinham perdido a data.— Sr. Daniel...Ayla levou a mão à boca, tomada por uma surpresa que a fez marejar os olhos.Era a primeira vez...A primeira vez que alguém levava tão a sério um convite feito q
— O presente da Srta. Ayla é mesmo irresistível. — Daniel manteve os olhos nela e sorriu.Ayla ia se levantar, mas ele segurou levemente seu pulso. Desequilibrada, acabou caindo no colo dele.O calor do corpo dele a envolveu por completo. O hálito roçou sua orelha, fazendo com que ela encolhesse os ombros.Ao levantar os olhos, deu de cara com o olhar intenso dele. Com a mente vazia, passou os braços pelo pescoço dele.Daniel reparou no rubor das orelhas dela e, sem pensar, se inclinou para falar baixinho.Mas Ayla, sentindo cócegas, virou o rosto — o que fez com que os lábios dele roçassem de leve sua bochecha.Ela ficou paralisada, as orelhas em chamas, o rubor se espalhando pelo rosto.Daniel também congelou, os dedos apertando de leve a cintura dela. Não avançou mais. A voz saiu rouca:— ...Não conseguiu desviar?Ayla mal teve tempo de processar. O toque inesperado embaralhou todos os pensamentos.Os olhos se arregalaram, os cílios tremiam como asas batendo ao vento.— Sr... Danie
Daniel não levou Ayla para o térreo, mas sim direto para a cobertura pelo elevador.Ayla ficou surpresa. Tão tarde assim... será que ele queria levá-la para ver as estrelas?Mas a ideia logo se desfez. Daniel não parecia ser o tipo romântico, e certamente não do tipo que faria algo tão juvenil.De fato, o céu estava encoberto, e não havia estrelas à vista. O que havia era um helicóptero pousado na beirada do prédio.O vento forte sacudia a barra das roupas dos dois. Ayla olhou, perplexa, para Daniel.— Sr. Daniel... o que é isso?Enzo saltou do helicóptero e correu em direção a ela, sorrindo com entusiasmo: — Srta. Ayla, por favor, suba. Vai entender tudo assim que estiver lá em cima.Ele ainda lançou um olhar para Daniel, acenando com a cabeça — tudo pronto.Daniel não disse nada. Retirou o casaco dos ombros e o colocou sobre Ayla com delicadeza. — Está com frio?O casaco trazia o perfume frio e discreto do homem, com uma leve nota amadeirada de pinho e sândalo.Ayla corou. Olhou cu







