LOGINRebeca já tinha avisado Vinícius de todos os jeitos possíveis que Bruno não era boa gente. Mas ele simplesmente não escutava.— Vinícius, você não é do tipo que gosta de comprar esse monte de coisa. Olha pra mim e fala a verdade, foi ele que te empurrou tudo isso, não foi?Ela não tinha como pagar aquele dinheiro.E, mesmo que a situação acabasse na polícia, desde que Vinícius insistisse que não quis comprar nada daquilo, Bruno jamais conseguiria jogar a conta nas costas de um estudante.Vinícius ficou dividido.Antes que ele conseguisse responder, Rebeca falou de novo, a voz mais dura:— Vinícius! São três milhões. A gente mal consegue pagar o tratamento da mamãe. Você quer acabar comigo?— Eu...Vinícius olhou de novo para Bruno.Ele entendia o que a irmã queria. Mas não conseguia empurrar toda a culpa para cima de Bruno.Afinal, Bruno era o benfeitor deles.E tinha sido tão, tão bom com ele.— Mana... o Bruno não fez nada comigo. A culpa foi minha. Eu errei.— Chega. Não pressiona m
Tudo o que Rebeca tinha conseguido guardar até hoje, somando centavo por centavo, mal chegava a trezentos mil.E aquele dinheiro não estava ali à toa. Cada parte já tinha dono antes mesmo de sair da conta: o tratamento da mãe, a escola de Vinícius, a reserva que ela vinha juntando aos poucos para, um dia, voltar à cidade natal e comprar um lugar só seu.Ela abaixou os olhos para as sacolas.Roupas. Sapatos. Bolsas. Algumas coisas para o dormitório.Só aquilo custava trezentos mil?Rebeca simplesmente não conseguia aceitar.Ainda assim, eram peças novas. Se vendesse tudo em brechós de luxo ou plataformas de segunda mão, talvez o prejuízo não fosse tão absurdo. Fazendo uma conta rápida, no pior dos casos, ela teria de completar mais uns setenta ou oitenta mil para Bruno.Doía. Doía como arrancar carne. Mas ainda era uma dor que ela conseguiria engolir.Ao vê-la calada, Bruno falou de novo:— Se não consegue pagar, não precisa se apertar. Foi só uma gentileza minha com o Vinícius.Mas aqu
Só que, ao chegarem ao estacionamento, havia uma figura parada ao lado do carro de Bruno.Era Rebeca.— Mana...Vinícius congelou no instante em que a viu.Já nos olhos de Bruno, surgiu um brilho discreto de satisfação.Ele sabia.Rebeca jamais deixaria aqueles stories passarem batido.E, mesmo que por algum milagre não tivesse visto, sempre haveria alguém na empresa comentando. De um jeito ou de outro, notícias sobre ele acabariam chegando até ela.— Pá!Antes que qualquer um dos dois reagisse, Rebeca avançou e acertou um tapa no rosto de Vinícius.O movimento foi tão repentino que Bruno chegou a achar que a mão vinha na direção dele. Desviou por reflexo e quase tropeçou.A bochecha de Vinícius ardeu na hora.Ele encarou a irmã, atordoado, os olhos já marejados.Era a primeira vez que Rebeca levantava a mão para ele.Antes, por pior que fosse a besteira, ela no máximo brigava, fechava a cara, passava dias lhe dando gelo.Rebeca detestava violência.Por isso, Vinícius entendeu na mesma
Ao se lembrar do desprezo com que Rebeca o tratava, o olhar de Bruno se tornou gélido.Até a simpatia que vinha mostrando a Vinícius se apagou. Como o garoto não dava sinais de que fosse embora tão cedo, ele tornou a falar, dessa vez num tom gelado:— Mas me diz uma coisa... sua irmã sabe que você veio me procurar?— Ela...A hesitação de Vinícius já dizia tudo.Fazia tempo que ele queria encontrar uma oportunidade para agradecer Bruno de verdade. Chegou a comentar isso com Rebeca algumas vezes ao telefone.Mas, em todas, ela cortava o assunto antes que ele avançasse.Ela insistia que Bruno pertencia a um mundo completamente diferente do deles e dizia para Vinícius cuidar da própria vida, que não precisava ficar se preocupando com aqueles "pequenos favores".Só que Vinícius não via assim.Mesmo que, para Bruno, ajudá-los não tivesse passado de um gesto simples, isso não transformava o que ele fez em algo pequeno.A mãe sempre ensinou que bondade se retribui com o dobro.E, além de tudo
Enquanto a paisagem deslizava para trás do lado de fora da janela, Dante segurou a mão de Bianca num gesto silencioso de consolo.Os dedos dela estavam gelados, e o abatimento em seu rosto denunciava o tamanho da humilhação que acabara de suportar.— Agora acabou de vez?Bianca assentiu.E, dessa vez, as lágrimas já não puderam ser contidas.Gustavo a marcou fundo demais. Mesmo sabendo que não existia mais volta, mesmo entendendo que os dois jamais retomariam o que um dia tiveram, o coração dela ainda se recusava a aceitar.— Sofrer por um homem desses não vale a pena. Pelo menos agora você enxergou quem ele realmente é, e isso já é alguma coisa.Dante suspirou e, com cuidado, passou o lenço em seu rosto, enxugando-lhe as lágrimas.Bianca não respondeu. Apenas encostou a cabeça no ombro dele.Naquele momento, só Dante ainda conseguia lhe dar algum alívio.Só ele parecia capaz de ajudá-la a recomeçar.E Bianca sabia muito bem que não podia desperdiçar essa chance.Engoliu a dor à força.
— ...Gustavo, afinal, o que foi que eu fiz contra você?Bianca olhava para ele e sentia cada vez mais que estava diante de um estranho.Ou pior. De alguém assustador.Tudo o que os dois viveram, todos os momentos de intimidade, todas as promessas que um dia pareceram tão reais, de repente se tornaram uma piada cruel.— Você sabe muito bem. Não se faça de desentendida.Gustavo olhava para Bianca sem deixar um único vestígio de afeto aparecer.Se ainda estava ali, falando com ela, não era por apego. Era porque queria assistir de perto à dor estampada no rosto dela.Bianca destruiu a vida dele. Então, se ele descesse ao inferno, ela desceria junto.— Eu menti para você, sim. Mas o que eu sentia era real. Eu tive um filho seu. Fiz por você tudo o que estava ao meu alcance. Gustavo... depois de tudo isso, você ainda consegue me tratar assim? Você ainda tem coração?A voz de Bianca foi perdendo o desespero e ficando estranhamente calma.Enquanto esteve sendo vigiada, a única coisa em que con







