LOGIN— Foi porque... — Daniel já não conseguia pensar em mais nada. Ele baixou o rosto, mas, ao notar o brilho das lágrimas nos olhos de Ayla, se desfez por inteiro. — Foi porque eu não queria que você tivesse medo de mim. Não queria que você passasse a me rejeitar.Ali estava.A verdade enfim saiu.Egoísmo, razão, prudência... nada daquilo era o centro de tudo. Eram só desculpas.O que mais importava para ele, no fim, sempre foi o jeito como Ayla o enxergava.Se um dia ela viesse a sentir repulsa, então ele preferia parar antes. Preferia deixar para ela a melhor versão do que viveram, intacta, sem mancha, e guardar inteiro o amor que tiveram.— Como eu poderia te rejeitar? Porque você se feriu? Ou porque a Isadora, no passado, te decepcionou por causa disso?A voz de Ayla baixou, mas não perdeu firmeza.— Isadora é Isadora. Eu sou eu. É claro que eu sentiria medo. Diante da pessoa que a gente ama perdendo a lucidez e podendo até se ferir, como eu não sentiria? Só que isso não quer dizer qu
— Isso mesmo. Eu não amo a Isadora. — A resposta de Daniel veio firme, sem a menor hesitação.Havia algo profundo demais no olhar dele, uma intensidade escura e absoluta, como se quisesse arrastar Ayla para dentro da própria alma. Ele não piscava. Não recuava. Estava inteiro ali.Ela não podia duvidar dele.— Já que você diz que ficar comigo não tem nada a ver com segurança, então me responde. Por que você quer ficar comigo?— É porque...As palavras chegaram aos lábios, mas Daniel não conseguiu terminar.De repente, teve a nítida sensação de que Ayla estava conduzindo tudo exatamente para aquele ponto.Nos olhos dela, a expectativa já brilhava sem disfarce. Havia até um lampejo de alegria, vivo e inquieto, enquanto ela o encarava, esperando ouvir da boca dele aquilo que queria tanto.No fundo, Ayla sabia muito bem o que existia no coração de Daniel.Tudo o que disse antes foi só para provocá-lo.Ao perceber a hesitação dele, ela soltou um suspiro leve e pousou a mão sobre a dele, just
Daniel virou o rosto para escapar dos olhos dela. Ficou calado por um longo instante antes de falar.— Se você decidir se divorciar, amanhã eu peço para o Enzo preparar o acordo. Quaisquer condições que você tiver, tudo o que eu puder cumprir, eu vou cumprir.A voz dele saiu quase sem vida, baixa e imóvel, fria como água parada.Ayla olhou para aquele homem assim e sentiu raiva e dor ao mesmo tempo.Então deixou escapar uma risada curta, igualmente gelada.— Ótimo.Daniel se perturbou por um segundo. Como se não esperasse que ela aceitasse tão depressa.No fundo dos olhos dele, a escuridão pareceu se adensar ainda mais, sem deixar passar nenhuma luz.— Pode ter divórcio, sim. Mas eu quero divisão de bens. Também não vou tirar proveito de você. Do que estiver no seu nome, a parte que for minha não pode ser menor que um terço.Os lábios finos de Daniel mal se moveram. A mandíbula se fechou com força.— Tudo bem.Vendo como ele respondeu sem hesitar, Ayla também sentiu o ar pesar no peito
— Você se machucou e ainda ficou batendo na porta daquele jeito? Você não sente dor, não?A voz limpa de Daniel vinha carregada de aflição e nervosismo. Ele tomou a mão dela entre as dele e examinou com cuidado a palma enfaixada. Só relaxou um pouco quando percebeu que não havia sangue atravessando a bandagem.Ayla ficou olhando para ele.Daniel vestia apenas uma camiseta larga e casual. O corpo alto, sempre tão imponente, agora parecia abatido, quase frágil.Não tinha nada a ver com o homem impecável de sempre, aquele que até dentro de casa mantinha tudo no lugar, sem um fio fora do lugar.Naquela noite, ele nem tinha feito a barba.— Se sabia que eu ia sentir dor, era só ter aberto antes.Ayla falou baixo.Depois de se certificar de que ela estava bem, Daniel soltou a mão dela. Como se fizesse de propósito, evitou encará-la. Não levantou os olhos.— Eu não sabia que era você.— Não sabia que era eu? Então achou que fosse quem? A Isadora?As palavras de Ayla fizeram o peito dele apert
As palavras de Ayla atingiram Isadora com mais força do que qualquer tapa.— Ter pena de mim? E você tem moral para isso? Você sabe muito bem que não tem futuro com o Daniel. Ele já desistiu de você. E ainda quer posar de superior? Isso também não é insistir numa coisa morta?Isadora perdeu a cabeça, mas Ayla não lhe deu a menor atenção. Virou as costas e foi embora.— Ayla! Você não queria saber por que eu estou aqui? Eu posso te contar. Porque o Daniel simplesmente não quer ver você!A voz de Isadora a alcançou quando ela já se afastava. Ainda havia coisa demais entalada na garganta dela.O passo de Ayla vacilou por um instante.— O motivo de você estar aqui não é um assunto que me interesse. Se eu quiser saber de alguma coisa, pergunto ao meu marido.Isadora ainda tentou abrir a boca outra vez, mas a figura de Ayla já se perdia ao longe.A luz do corredor enfraqueceu.A escuridão foi engolindo Isadora aos poucos, até o simples ato de seguir em frente parecer difícil demais.Daniel e
— Você veio ver o Daniel?Giovanna se surpreendeu tanto que deixou a pergunta escapar na mesma hora.— Ele não estava com você?— Ele não voltou para casa?Ayla também entendeu na mesma hora. O coração deu um baque.— Aconteceu alguma coisa entre vocês?Giovanna já começava a se alarmar, meio perdida, quando Ayla abriu um sorriso rápido.— Ah, não, acho que entendi errado. Ele foi à empresa hoje, e como ficou até tarde sem voltar, achei que talvez tivesse vindo para cá...Enquanto falava, Ayla pegou o celular e baixou os olhos para a tela, fingindo que acabara de ver uma mensagem.— Ah, é, ele já voltou. Desculpa, vó.— Voltou mesmo?Giovanna ainda não parecia totalmente convencida. Só que Ayla saiu com tanta pressa logo em seguida que ela nem teve chance de perguntar mais nada.Assim que Ayla deixou a mansão, Giovanna ligou para Daniel na mesma hora.Estranho demais.Ele não atendeu.No instante em que saiu dali, Ayla também ligou para Daniel.Todo o incômodo que ainda restava dentro
Oh, céus... ela estava com muita dor, quase a ponto de desmaiar.Ayla, atordoada, tateou o celular, querendo ligar para pedir ajuda...Ela ligou para Rebeca, mas não atendeu. Ayla olhou as horas... já eram duas da manhã, provavelmente todos estavam dormindo.Lá fora, parecia estar chovendo forte.De
— Disseram que a senhora ainda não tem as permissões da empresa... então, por enquanto, não podem liberar nada. — O assistente abaixou a cabeça, visivelmente frustrado. Já havia enfrentado resistência.Ayla já havia retornado ao Grupo Fonseca fazia alguns dias, mas os acionistas continuavam evitando
Igor também entrou na onda:— Pois é! A herdeira do Grupo Fonseca é uma figura de outro nível. Ia perder tempo vindo aqui pedir investimento pra gente? Melhor fazer o que a gente quer e beber mais um pouco. Aí talvez a gente feche negócio.O Sr. Júlio até tentou passar o braço pelos ombros de Ayla,
Ele realmente foi egoísta, nunca pensou na situação da Bianca, apenas exigiu que ela se submetesse a tudo calada.— Me desculpa.Mas agora, tudo o que Gustavo podia dizer eram essas palavras.Ele abraçou Bianca com força.Nos últimos dias, ele tinha ficado cansado da relação dos dois por causa de to







