로그인“Eva”
Eu olhei para o homem sentado diante de mim e pensei em simplesmente lhe dar as costas e ir embora para não voltar nunca mais, só que eu não era assim e eu precisava do emprego e esse emprego era muito bom, bom demais para ser bem sincera.
Eu endireitei a minha postura, deixando minhas costas bem retas, eu não era uma derrotada e ele não me veria como uma, depois eu olhei dentro dos olhos dele, isso talvez eu não deveria ter feito, porque eu quase fiquei presa naquele olhar intenso e quase fiquei sem palavras.
- Sr. Rossi, podemos fazer de conta que não nos conhecemos. Não vou negar, eu preciso desse emprego e eu posso fazer o trabalho, mas eu não aceito ser tratada da forma como o senhor me tratou hoje. – Eu o encarei e esperei a sua resposta.
Ele se levantou calmamente e abotoou o paletó, me encarando com aqueles olhos escuros profundos.
- Srta. Sanchez, eu não trato os meus funcionários com menos que cordialidade e respeito. Então, deixando o que passou no passado, como se nunca tivesse acontecido, creio que poderemos trabalhar bem juntos. – Ele me respondeu com aquela voz baixa e profunda que era sedutora.
- Está bem, Sr. Rossi, vamos ver no que isso vai dar. Eu me apresento para o trabalho amanhã, porque como o senhor pode ver, eu fui atropelada por uma desequilibrada que ainda queria me cobrar o para-choque, que segundo ela foi arranhado. Uma doida varrida! – Eu respondi e ele ergueu as sobrancelhas e desviou o olhar, parecendo um pouco constrangido.
- Meu deus, isso pode dar muito errado! – Ele murmurou e pareceu pensar por um momento.
- O quê, quer que eu trabalhe desse jeito? Ou já está mudando de idéia? – Eu perguntei sem acreditar naquele homem.
- Não, Srta. Sanchez, de forma alguma. O melhor mesmo é que você vá para casa e nós dois nos preparemos para começar a trabalhar juntos à partir de amanhã. – Ele me respondeu muito sério, mas ainda parecendo desconcertado.
- Obrigada, Sr. Rossi. Até amanhã, então. – Eu me virei para ir embora.
- Srta. Sanchez. – Ele me chamou mais uma vez e tirou o celular do bolso, falando comigo enquanto verificava a tela e ignorava a chamada. – Amanhã, vá direto levar os seus documentos no departamento de recursos humanos e depois vá para a minha sala para começarmos a trabalhar. – Ele deu as instruções e eu me virei para sair dali.
Eu encontrei o Julio na frente do prédio e aproveitei para agradecê-lo mais uma vez. Novamente ele foi gentil e abriu um grande sorriso para mim.
- Posso ajudá-la em algo mais, Eva? – O Julio perguntou amavelmente.
- Não, obrigada, você foi muito gentil! Eu só preciso sair daqui, preciso de um taxi. – Eu comentei ainda analisando o meu estrago. Eu deveria ter enfiado aquele salto quebrado no parabrisa daquela criatura que me atropelou, para ela levar de lembrança, mulherzinha insuportável, arrogante!
- Olha, vem um aí! – Ele correu até a guia da calçada e fez o sinal, o taxi parou, ele abriu a porta e eu entrei depois de agradecê-lo mais uma vez.
Quando o taxi se afastou daquele lugar eu respirei aliviada, mas comecei a pensar na confusão em que tinha me metido com aquele homem, que o que tinha de lindo tinha de estúpido. Ai, mas o trabalho, era bom demais e eu não poderia perdê-lo! O jeito seria encarar como se nunca tivesse visto aquele deus mal educado sem roupa.
Durante todo o percurso até a minha casa, eu fiquei pensando na minha situação com o Sr. Rossi, mas eu esqueci de pensar no que eu diria para a minha mãe. E, assim que eu entrei em casa, ela parou diante de mim de boca aberta.
- Eva, minha filha, o que aconteceu com você? – Minha mãe me olhava como se eu tivesse voltado da guerra.
- Ai, mãe, não seja exagerada, eu caí na rua, meu salto quebrou. – Eu achei melhor não dizer que tinha sido atropelada ou ela faria daquilo algo maior do que era.
- Minha filha, eu vivo dizendo para você usar saltos menores, mas é uma teimosa, não me escuta. – Minha mãe se aproximou olhando para o meu joelho ralado. – Vai tomar um banho que eu vou passar uma pomada aí.
- Mãe, eu não sou criança! – Eu respondi e fui em direção ao meu quarto.
- Não, não é criança e ia começar num emprego novo hoje. O que aconteceu? – Minha mãe veio atrás de mim e eu tinha três segundos para pensar em algo.
- Ah... o emprego... ah, mãe, meu chefe é tão bonzinho que me disse para vir pra casa e começar no trabalho amanhã. – Eu falei tentando ser o mais convincente possível e dei um sorriso para ela.
- É, ele deve ser bonzinho mesmo. – Minha mãe me olhou e estreitou os olhos, eu dei o meu melhor sorriso para ela.
Minha mãe deu as costas e se deu por satisfeita, enquanto eu respirei aliviada. Mas, embora eu ainda tivesse um emprego, eu também tinha agora um joelho ralado e o meu orgulho ferido, pois eu ainda não tinha entendido porque o Sr. Rossi reagiu daquele jeito comigo no escritório dele, ele parecia estar morrendo de medo que descobrissem que nós passamos a noite juntos.
Quando eu entrei naquela sala e me virei, eu pensei que estava tendo uma alucinação, não podia ser, era muita falta de sorte a minha que o Sr. Rossi, meu novo chefe, fosse o mesmo homem da boate, aquele homem lindo, daquela noite que eu não conseguia esquecer! Por um momento eu pensei que estivesse num pesadelo, com tantos homens na cidade e eu fui pra cama com um estranho, e dias depois ele se torna o meu chefe! E ele pareceu muito mais desconfortável do que eu.
- Ah, meu deus, e se ele for casado? – Eu murmurei e me sentei na minha cama. – Não, mas ele não usava aliança, então não devia ser casado e nem noivo. Então qual era o problema dele?
Eu precisava ligar para a minha amiga Gabriele, eu precisava me acalmar e eu precisava muito daquele emprego!
"Giovana"A vida tem um jeito muito próprio de fechar os seus ciclos e nos lembrar de que nenhuma tempestade dura para sempre, tampouco pode nos afogar quando a gente se cerca das pessoas certas. Eu, com certeza, estava cercada pelas melhores pessoas e por muito amor.Meu filho já estava prestes a completar um ano. Ele era uma réplica minúscula do pai. Os mesmos olhos sérios, a mesma calma e aquele jeito ordenado e observador. Desde aquela noite em nossa casa, quando descobrimos que o nosso bebê estava a caminho, o nosso mundo se transformou por completo e nos jogou na operação mais exaustiva, recompensadora e barulhenta das nossas vidas: a paternidade em dose dupla na família. Quantas noites o Rui e o Anderson ninaram as crianças no corredor de madrugada para que a Bianca e eu pudéssemos dormir depois de amamentar; quantas vezes eu peguei o meu filho dormindo no peito do pai exausto e o levei para o berço; quantas vezes o Tio Rubens, o Bóris e o meu pai apareceram, "sequestraram" as
"Giovana"O Anderson piscou devagar, como se tentasse decifrar uma mensagem em outra língua. Ele olhou para mim, olhou para as três caixas em cima da mesa de centro, voltou a me encarar e passou a língua levemente pelos lábios, como se estivessem ressecados. - Enjoada... com o cheiro dos croissants? - Ele repetiu, a voz saindo num sussurro.- Sim, Gracinha. - Eu limpei uma lágrima teimosa que tinha escapado e apertei a mão dele. - Meu implante contraceptivo não venceu há duas semanas. Eu olhei a agenda. Ele venceu há três meses. Eu cometi um erro, perdi o prazo e... aconteceu. Quando você pensou que eu estava grávida lá atrás, você jurou que estaria comigo. Agora eu preciso que você realmente esteja, que... - minha voz caiu para uma súplica quase inaudível. - Eu preciso que você continue me amando do mesmo jeito, mesmo que eu tenha feito uma grande bagunça.A ficha dele finalmente caiu. Eu vi a postura rígida e controlada do Anderson desabar por completo na minha frente. Eu vi os olh
"Giovana"A placa sobre a minha mesa com o nome Delegada Cavalcante brilhava com o reflexo da luz da tarde que entrava pela jenela, mas para a equipe inteira daquela delegacia eu continuava sendo a Delegada Ferinha. E eu gostava de ser a Delegada Ferinha! Havia se passado pouco mais de um ano desde que eu ocupei a vaga de delegada aqui e o Bonfim tomou posse como Delegado-Geral. Um ano em que a nossa rotina tinha se estabilizado de forma perfeita: eu comandava as investigações e aprendia tudo o que o Flávio podia me ensinar, e o Anderson brilhava no Ministério Público, seu trabalho sendo reconhecido cada vez mais, o que me dava um orgulho absurdo. Nós éramos perfeitos juntos, nos entendíamos no olhar e ele era sempre tão atencioso as menores coisas que me emocionava. Ontem mesmo eu caí no choro quando cheguei em casa exausta e ele me carregou da porta até o sofá, tirou os meus coturnos e massageou os meus pés, beijando cada um com reverência. Droga, eu estava ficando molenga e choro
"Giovana"Era como se a mulher a minha frente fosse alguém totalmente diferente, mais discreta, mais elegante e certamente mais agradável. Eu não via a Maya há muito tempo. Tudo o que eu soube foi que ela tinha trancado a faculdade faltando poucas matérias para se formar e nunca mais voltou. - Ah, qual é Giovana, sua língua é mais afiada que isso. Vai, pode mandar, fala o que você está pensando. - Ela sorriu e abriu os braços mostrando que estava pronta para receber as minhas implicâncias. - Tá... mas depois não reclama. Eu sempre quis saber, o que aconteceu com o trabalho de conclusão de curso. Você agarrou a posse e propriedade? - Eu sorri, me lembrando da última vez que tinha falado com ela. - Ridícula! - Ela riu. - Eu fiz melhor. Enquanto eu estava olhando para aquele quadro e tentando engolir aquele tema, a caloura mais abusada e irritante que eu já vi na vida resolveu aparecer para pegar no meu pé. Mas, eu não sei se foi sem querer... ou se foi querendo... acontece que ela me
"Giovana"Antes que eu pudesse chorar mais um pouco, o Felipe e a Juliana se aproximaram de nós segurando taças de água. O Felipe estava com aquele sorriso enigmático típico dele, cutucando o sogro com o cotovelo. Ele não dava um minuto de paz para o Bonfim e o Bonfim fingia que não gostava, mas se o Felipe passava uma tarde sem ligar para ele, ele acabava resmungando ordens mau humoradas na delegacia para todos nós.- É uma noite de grandes anúncios para a Segurança Pública, hein, sogrinho?! - O Felipe começou, com um brilho puramente atrevido nos olhos, piscando para a Juliana. - Meus parabéns! - Ele bateu a mão nas costas do Bonfim e o puxou para um abraço.- Moleque atrevido! Não larga essa mania de me chamar de sogrinho. - O Bonfim resmungou, mas abraçou o Felipe dando tapinhas nas costas. - Ah, mas pelo menos se tornou responsável e não bebe mais e nem deixa a minha Jujubinha beber. Vem, filhinha do papai, dá um abraço. - O Bonfim puxou a filha para um abraço sentimental e, não
"Giovana"O evento da noite era algo do qual eu não esperava participar um dia, muito menos tão no início da carreira, mas me fez perceber que conhecer algumas pessoas faz portas se abrirem mais fácil. A atmosfera no grande salão de convenções do Palácio do Governo era de pura imponência entre festa e solenidade. Dezenas de oficiais da Polícia Militar com fardas de gala, políticos, Promotores de Justiça, Juízes e o alto escalão da Polícia Civil preenchiam o espaço sob o brilho dos lustres de cristal. Aquele lugar não se chamava palácio à toa, era riquíssimo em arquitetura e decoração, realmente imponente. O Anderson estava impecável ao meu lado, de terno escuro, cumprimentando membros do judiciário com uma desenvoltura impressionante e atraindo os olhares de respeito, ele já era o jovem Promotor de Justiça que se destacava pela competência e dedicação. Ele me apresentava com um orgulho que brilhava na sua voz e nos seus olhos. Eu não era apenas a esposa, ele fazia questão de dizer q







