ログインPouco a pouco, as horas passam e, quando o céu começa a escurecer, levanto-me do meu lugar para voltar para casa, aquele lugar onde ninguém sente a minha falta. Ou talvez a única pessoa que perceba minha ausência seja minha sogra, mas apenas para me humilhar, como vem fazendo há alguns anos.
Quando o céu está completamente coberto de estrelas, chego à mansão dos Lefebvre. Pago o táxi e, observando com certa desconfiança a caminhonete de último modelo estacionada na entrada principal, subo a escadaria de mármore e consigo ouvir os gritos que ecoam por todo o lugar.
—Quem deveria estar preocupado é você. Sei que roubou a nova fórmula do perfume que estávamos prestes a lançar e juro que, desta vez, não vou deixar passar.
—Não sei do que está falando, Dubois. É apenas uma coincidência termos pensado em algo semelhante —zomba Oliver—, ou talvez você só queira roubar minhas ideias novamente, como tem feito ultimamente, e criar cópias baratas dos meus produtos.
»Lembre-se de que, algumas vezes, temos que perder e, muitas outras, ganhar. É algo que acontece com frequência nos negócios, principalmente para aqueles que sabem movimentar bem as próprias peças.
Fico parada, ponderando suas palavras. Naquela tarde, ele havia dito que apresentaria o produto no aniversário da empresa, mas, conhecendo-o, provavelmente vazou a informação de que sua empresa teria um novo produto nos próximos dias. Não há outra maneira de aquele homem, Dubois, saber que Oliver está com a fórmula de seu novo produto.
—Não é a primeira vez que você faz algo assim comigo. Nas outras vezes, tenho certeza de que apenas modificou um pouco a minha fórmula e apresentou aqueles perfumes como se fossem seus —rosna o homem.
Ao ouvir suas palavras, fecho os olhos. Definitivamente, ele tem razão. Embora não tenha certeza, é possível que Oliver roube suas fórmulas há muito tempo e que seja por isso que sempre dizem que Dubois nos copia, quando, na verdade, acontece exatamente o contrário.
—Não tenho culpa de você ser um idiota para fazer negócios. Garanto que muito em breve acabarei de vez com você —cospe Oliver.
Quase no mesmo instante, ouço alguns golpes, seguidos de alguns palavrões.
—Deixe meu filho em paz! —ouço o grito da minha sogra.
—Maldito, desgraçado! —berra Oliver. —Isso não vai ficar assim. Vou processá-lo por invasão de propriedade privada. E vocês, o que estão esperando? Tirem-no daqui!
Oliver e o outro homem trocam mais algumas palavras, mas, como meus sogros começam a gritar para que chamem a polícia, não consigo ouvir o que dizem. Por isso, continuo escondida entre um vaso de plantas e a parede, para não ser descoberta.
Depois de alguns segundos, vejo dois homens saírem, enquanto vários seguranças se espalham pelo lugar para descobrir o que aconteceu com meu marido. Mordo os lábios, dividida entre entrar em minha casa ou seguir aquele tal Dubois. Como não tenho outra opção, corro atrás dele e entro em sua caminhonete antes que ele feche a porta.
—Quem diabos é você? —exige o homem, lançando-me um olhar gélido que contrasta com aqueles olhos azuis que parecem soltar faíscas.
—Vamos sair daqui e eu contarei tudo —balbucio, com um leve tremor na voz.
—Desça da minha caminhonete!
—Dê a partida. Garanto que não vai se arrepender —insisto, olhando para fora da caminhonete, esperando que ninguém tenha me visto entrar. —Por favor —imploro.
O homem solta um bufo e, com um leve movimento da cabeça, indica ao motorista que nos tire dali.
Depois de alguns minutos, a caminhonete para e estacionamos em um lugar um tanto escuro.
—Quem é você e por que entrou na minha caminhonete desse jeito?
—E-eu sou Giselle Lefebvre, esposa de Oliver...
Sem me dar a oportunidade de me explicar, o homem me segura rudemente pelo braço e tenta abrir a porta para me tirar dali.
—Fora daqui. Não quero falar com alguém tão desprezível quanto a esposa daquele desgraçado.
—P-por favor, espere. Eu sei quem vendeu a fórmula do novo produto ao meu marido. Eu conto em troca de alguma coisa —balbucio, tentando me soltar de seu aperto.
—É melhor você parar com esse jogo estúpido e me dizer de uma vez quem é o maldito desgraçado que me traiu. Odeio quando alguém tenta me chantagear, principalmente quando isso vem de alguém tão desprezível quanto os Lefebvre —rebate, segurando meu queixo com força e exercendo tanta pressão que meus olhos se enchem de lágrimas novamente.
—Você ficou louco, Nathan? Solte-a! Você está machucando-a —intervém seu motorista, apertando a mão do chefe e conseguindo, com isso, fazer com que o homem me solte.
—Tenho uma proposta para você —murmuro, massageando um pouco o queixo e ignorando o desprezo com que o tal Nathan me encara. —Mesmo que continue me olhando desse jeito, isso não vai me fazer sentir pior. Acredite, estou acostumada a esse tipo de humilhação.
—Que tipo de proposta? —pergunta ele, sem perder tempo.
—Se me ajudar a fingir que é meu amante e a me divorciar de Oliver, eu lhe direi quem é o traidor dentro da sua empresa. Além disso, posso lhe entregar algumas fórmulas para novos perfumes...
—Pois naquele dia você deixou bem claro que ela era uma mulher feia.—E ela é.—Não vou discutir com você sobre isso. Você não tem modos para tratar uma mulher.—E você tem? Lembro que não chama Scarlett de outra coisa além de bruxa —resmungo. —Deixando a aparência dela de lado, há mais alguma coisa que eu precise saber sobre aquela mulher?—Nada. Quer que eu continue investigando?—Não, não vale a pena continuar quando é óbvio que você não encontrará mais nada relevante.—Nesse caso, vou me retirar.—Espere. Há mais uma coisa —detenho-o quando está prestes a sair do meu escritório. —Por que, quando ela mencionou que não poderia ter filhos comigo, você me obrigou a ficar calado?—Você está falando sério que está me perguntando isso? É realmente tão idiota assim?—Kalet! Sou seu chefe e é melhor você me respeitar.—E eu respeito você, mas isso não muda o fato de que, às vezes, você é um idiota. Aquela mulher é estéril! —resmunga, revirando os olhos como se fosse a coisa mais óbvia do m
Como todas as noites, antes de descobrir sua traição, deito-me na cama, com a única diferença de que, desta vez, afasto-me o máximo que posso de Oliver, numa tentativa de evitar qualquer contato entre nós. Só de sentir seu toque, sinto-me enjoada.—Por que você está se afastando tanto, Giselle? —reclama quando o colchão afunda do lado dele.—E-eu não quero machucar você. Já percebi que suas costelas estão doendo.—Não importa. Chegue mais perto! —ordena, e, apenas para que ele não continue desconfiando de mim, fico a poucos centímetros dele e, como se isso não fosse suficiente, ele passa o braço pela minha cintura e me puxa até me colar completamente ao seu corpo.[…]Nos dois dias seguintes, Oliver me obriga a permanecer ao seu lado o tempo todo e, quando acredito que será impossível ir ao meu encontro com aquele tal de Nathan, Paulette aparece em casa, dando-me a desculpa perfeita para me livrar dos Lefebvre, que parecem estar me vigiando o tempo inteiro.—Já terminou de comer? —que
—Giselle, o que você está fazendo aí? —pergunta o pai de Oliver, fazendo com que eu dê um pequeno salto ao me dar conta de que fui descoberta.—E-eu estava prestes a bater à porta.—Por que você bateria à porta do seu próprio quarto? —pergunta o homem, olhando para mim com desconfiança.—É que minha sogra pediu que eu ficasse em um dos quartos de hóspedes para não incomodar Oliver. Os ferimentos dele foram um pouco graves e ela considera melhor deixá-lo sozinho —respondo, com a boca seca.Bato duas vezes à porta e, quando Oliver me permite entrar, ele e sua mãe franzem o nariz ao ver quem é.—O que você está fazendo aqui? Eu disse que meu filho precisa ficar sozinho. Se veio insistir em ficar com ele...—Só vim pegar algumas coisas que esqueci —interrompo-a, entrando em meu próprio quarto.—Não me interrompa quando estou falando com você. Não entendo como você pôde se casar com uma mulher como ela, Oliver. Ela não tem modos —lamenta a mulher.Ignorando suas reclamações, sigo direto at
GiselleDepois de mais de trinta minutos, chego aos portões da casa que agora me causa tanto repúdio e, sem outra opção, entro. Quando mais uma vez estou diante da porta, toco a campainha e, depois de alguns segundos, a governanta abre, não sem antes me lançar um olhar de desprezo.—Onde você estava? —pergunta com irritação, sem sequer se dar ao trabalho de me cumprimentar.—Saí para dar uma volta —respondo de cabeça baixa. Não consigo acreditar que ninguém nesta casa me respeite, mas, pior ainda, que eu tenha sido tão idiota a ponto de suportar esse tratamento.—Em vez de ficar perdendo tempo, deveria estar cuidando do meu menino —reclama, mas, antes que possa continuar com seus comentários maldosos, a voz da minha sogra nos interrompe.—Até que enfim você se dignou a voltar. Onde estava? —pergunta, cruzando os braços sobre o peito e me fulminando com o olhar.—Saí para dar uma volta.—Saiu para dar uma volta? Por acaso o ar do jardim não é suficiente para você? —grita, sem deixar de
Sem parar para ouvir suas reclamações, subo correndo a escadaria de mármore e, graças ao alvoroço que se formou, a porta principal se abre e, sem hesitar nem por um segundo, caminho em direção a ela.—Quem é você e o que está fazendo aqui? —grita uma mulher.—Onde você está, Oliver? Não se esconda, seu maldito infeliz! —grito, passando ao lado da mulher mais velha e ignorando-a.Continuo andando e, quando estou prestes a subir para os andares superiores, nem que seja de quarto em quarto, vejo a pessoa que mais odeio neste momento descendo as escadas com um sorriso debochado no rosto, o que me deixa tão furioso que chego a ranger os dentes.—O que está fazendo aqui, Dubois? Será que ninguém lhe ensinou a respeitar a casa dos outros? Não tem medo de que eu chame a polícia e, dessa vez, eles o prendam por invasão?—Quem deveria estar preocupado é você. Sei que roubou a nova fórmula do perfume que estávamos prestes a lançar e juro que, desta vez, não vou deixar passar.—Não sei do que est
Nathan DuboisObservo o protótipo do meu próximo lançamento e, sentindo uma profunda satisfação ao saber que, pela primeira vez, os Lefebvre não poderão roubar minha ideia, solto um suspiro de alívio e deixo o pequeno frasco de vidro em seu lugar.—O que achou da embalagem? —pergunta o chefe de produção.—Gostei. É exatamente como eu imaginava. Realmente é perfeita para o novo produto.—Eu sabia que você iria gostar —responde, animado.Depois de trocarmos algumas palavras e pedir que começássemos a produção em larga escala, dirijo-me à área de embalagem para verificar os últimos detalhes do material que usaremos.Confiro com os responsáveis se o material está de acordo com o que pedi e, quando termino com eles, volto para o meu escritório.—Chefe, aqui está o relatório das vendas que o senhor solicitou —Scarlett me intercepta assim que me vê sair do elevador. —O senhor poderá encontrar os detalhes por produto e por região.—Obrigado, Scarlett. Sempre tão eficiente e...—Seu cachorro e







