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3. Desejo reprimido Parte 1

作者: Giss Vargas
last update 公開日: 2026-11-03 16:00:42

—Ha, ha, ha. Quem acreditaria que nós dois somos amantes? —questiona o homem, incrédulo. —Nem em sonhos eu me interessaria por alguém como você. Você é tão comum que meus olhos chegam a doer só de olhar para você. Além disso, como eu poderia confiar na mulher que está por trás de cada uma das minhas desgraças?

—Nathan! —grita seu motorista.

—Nada de Nathan. Apenas olhe para ela. Está tão desleixada e insignificante que é incrível que seja a esposa daquele bastardo do Lefebvre. Agora entendo por que ele a trai há tantos anos.

—E-eu sei que minha aparência não é das melhores, mas é a única coisa que consigo imaginar para humilhar Oliver —murmuro, suportando seus insultos. —E o que você quer dizer com eu estar por trás das suas desgraças?

—O laboratório dela sempre foi uma concorrência bastante forte para nós. Além disso, roubar nossos produtos é algo que eles sabem fazer muito bem.

—Meu laboratório?

—Sim, seu laboratório. Todo mundo sabe que o laboratório ParfumLab pertence a você e que é a única proprietária.

—I-isso não é verdade. O laboratório dos meus pais faliu.

—Acha que, com esse seu choro miserável, vai conseguir me convencer do contrário? Todos sabem que a esposa de Lefebvre é a dona daquele laboratório, que é o mais cobiçado do mercado por ter as melhores fórmulas.

—Isso não é verdade. Meu laboratório faliu há mais de seis anos —insisto, negando suas palavras. —Oliver me disse... Ele não... ele não poderia ter mentido para mim —soluço, cobrindo a boca com a mão ao perceber que, na verdade, ele mentiu para mim.

O laboratório que meus pais tanto valorizavam, na realidade, nunca faliu. Pelo contrário, Oliver me enganou e o tomou de mim.

—Aqui está a prova, senhora, de que meu chefe não está mentindo e de que esse laboratório é bastante famoso —murmura o motorista, estendendo a mão e mostrando-me em seu celular as notícias mais recentes.

Com um leve tremor, pego o aparelho e, quando a realidade me atinge em cheio, volto a chorar. Como pude ser tão estúpida a ponto de acreditar cegamente em tudo o que Oliver me dizia? Agora, por causa disso, não tenho nada. Perdi tudo.

—Há pouco, você mencionou que meu marido me trai há vários anos. Como é possível que saiba disso? —pergunto, ainda sem querer saber a resposta. Sei que, assim que ele me contar a verdade, isso vai me destruir por completo.

O homem me encara com desagrado e, depois de soltar um suspiro de impaciência, decide falar.

—Porque não é segredo para ninguém que Oliver e sua assistente são amantes há pouco mais de nove anos.

Quando o ouço dizer isso, solto um grito e bato na própria perna, numa tentativa de amenizar a dor que percorre todo o meu corpo ao descobrir aquela verdade.

—Não faça isso, senhora, vai acabar se machucando —murmura o motorista com delicadeza. —Beba um pouco de água, a senhora precisa.

Ele me estende uma garrafinha e, quando estou um pouco mais tranquila, aceito-a.

—C-como você descobriu isso?

—Como não saber? Você não lê as notícias ou as fofocas na internet? Ou esteve vivendo debaixo de uma pedra para não ficar sabendo disso? —questiona, incrédulo.

—E-eu... não tenho celular. Desde que me casei com Oliver, ele decidiu que não era necessário que eu tivesse algo tão inútil quanto isso —murmuro, envergonhada.

Assim que digo isso, os dois homens quase se engasgam, mas disfarçam com uma leve tosse para não demonstrar a surpresa.

—Não poderia esperar menos daquele imbecil do Lefebvre —zomba o homem de olhos azuis, balançando a cabeça.

Ele me observa por alguns instantes e, devido à intensidade com que me encara, abaixo o rosto, envergonhada demais diante daquele estranho que me contou mais verdades do que meu marido foi capaz de me contar durante esses oito anos de casamento.

—Você me disse que, se eu a ajudasse a se separar do marido, me daria o nome do traidor e fórmulas para novos perfumes...

—Decidi mudar minhas condições. Vou lhe dar o mesmo que prometi, mas, em troca, quero outra coisa.

—Que droga! Estou farto dos seus malditos joguinhos baratos —sibila, entrelaçando as mãos em meus braços e sacudindo-me de tal maneira que seu rosto fica a poucos centímetros do meu.

—Garanto que é vantajoso para você. Nós dois sairemos ganhando.

—Nathan! —intervém seu motorista ao perceber que seu chefe não pretende me soltar.

—O que você quer? —exige, apertando-me um pouco mais forte do que antes, fazendo com que eu solte um gemido de dor.

—Você foi criado por macacos da selva? Solte-a!

Graças ao motorista apertar a mão de seu chefe, o tal Nathan me solta, e só consigo massagear o braço enquanto penso cuidadosamente no que estou prestes a lhe pedir.

—Ainda quero que você finja ser meu amante. Não importa há quanto tempo você diga que nos conhecemos. Também quero que me ajude com meu divórcio, mas, além disso, quero propor que nos casemos por um ou dois anos...

—Será que descobrir a infidelidade do seu marido provocou um infarto fulminante em todos os seus neurônios a ponto de você me pedir uma coisa dessas? —grita o homem, fechando a mão em punho e olhando para mim com ódio.

—Há um instante, lembrei que vi uma reportagem sobre você na televisão. Dizia que sua mãe...

—Madrasta —rosna, aproximando-se novamente de mim. Mas, graças ao outro homem colocar o braço entre nós, ele não volta a me sacudir como se eu fosse uma boneca de pano.

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