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Andrea - Inadmissível.

Author: Sol Costa
last update publish date: 2026-09-23 04:19:22

O final de semana que deveria ser pura diversão entre irmãos tinha se transformado em puro desastre nas suas primeiras horas.

Isso é inadmissível!

E como o divertido da família, é minha obrigação resolver esse problema.

A ideia não demorou a surgir.

Noite de jogos!

Isso sempre funciona.

No minuto seguinte eu estava subindo as escadas esperançoso com a possibilidade de deixar o clima mais leve. Primeiro passei no quarto de Beatrice, a única pessoa que tinha certeza que toparia. Como imaginei
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    Enfim, o dia que tanto aguardei, chegou. O que me faz sair mais cedo da fábrica. Bem mais cedo. O Nicolas está na sala de reunião com a Geórgia. Passo pela porta deles de fininho, falo baixo com a secretária. — Se perguntarem, fui resolver coisas da produção. — Coisa de produção no heliporto, senhor Andrea? — ela brinca. Dou risada e desço. Tô ansioso. Ansioso pra caralho. Desde que acordei hoje parece que o dia não anda. Olho pro relógio a cada cinco minutos. Então decidi: vou de helicóptero. Se eu for pilotando, chego em vinte minutos. De carro levaria horas nesse trânsito. Subo correndo lembrando que se quiser manter esse segredo vou ter que começar a usar o táxi aéreo. Faço o check, decolo. Eu mesmo pilotando. O barulho me acalma um pouco, mas a cabeça não para. Aqui de cima a cidade parece pequena, mas o orfanato parece cada vez mais perto. Pouso, deixo a aeronave no hangar e pego o carro que já pedi pra preparar. Agora é o segundo trecho. Estrada até o orfanato. E aí c

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    Essa foi a semana mais longa da minha vida.Eu achei que depois que a Cassandra marcou toda segunda na agenda, eu ia ficar em paz. Que era só esperar. Foi o contrário. Agora que eu tenho a certeza que vou vê-la, cada dia útil parece ter quarenta e oito horas. E o fim de semana então, nem se fala.*Terça-feira.*Levantei antes do despertador. Já com a doação na cabeça.Se tem uma coisa que eu aprendi com meu pai é: não mistura conta pessoal com conta da empresa. Se eu coloco "Doação Orfanato - R$ 150.000,00" no financeiro, o Nicolas me liga em cinco minutos."Que doação é essa, Andrea? Foi aprovada em reunião? Desde quando faz caridade?"E eu não ia saber explicar sem falar dela. E eu não quero falar dela ainda. Pra ninguém.Isso é meu. Por enquanto.Fui pro meu banco, conta pessoal, pessoa física. Transferi da minha reserva. Doeu? Não. Cento e cinquenta mil é troco pra gente. Porque na hora que caiu a confirmação, eu senti alívio pela primeira vez desde segunda.Alívio porque a minh

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    Eu ainda flutuava quando a diretora Cassandra me chamou pra sair.Por causa dele. Do jeito que ele me segurou antes de me afastar. Firme. Como se não quisesse soltar.Quando eu voltei para o interior do orfanato, já tinha um grupinho esperando.— Anna, o que ele queria?— O que ele falou?— O que fez para ele voltar?Eu não sabia o que responder. Porque nem eu tinha entendido direito. Só sabia que o peito estava batendo muito rápido e que, pela primeira vez, uma visita tinha acabado com aquela sensação de vazio. Até ela terminar, é claro.— Ele só veio conversar — eu falei, baixinho.— Conversar o quê? — a Sofia insistiu. — Ele fica te olhando diferente, Anna. Todo mundo vê.Eu senti o rosto queimar. Apertei o uniforme velho contra o corpo sem querer. Querendo me esconder.— Ele é bom. Ele escuta — foi tudo que consegui dizer. Porque era verdade. Ele me escutou quando eu falei da minha rotina boba. Ninguém aqui escuta a gente de verdade. Ele escutou.Elas iam continuar perguntando, e

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