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Capítulo 2

Penulis: Redleaves
Todo mundo ficou estático. Os olhos de todos alternavam entre a boca do papai e a da Vanessa.

O papai estendeu a mão e apertou a minha bochecha com força, o suficiente para me fazer chorar.

— Não invente mentiras — rosnou ele.

Mas eu não tinha inventado. Os lábios dele realmente estavam vermelhos, do mesmo vermelho que os da Vanessa. Mas todo mundo no corredor tinha medo do Alfa, então ninguém disse uma palavra.

O papai nos levou de carro para casa e depois saiu de novo com a Vanessa.

Mais tarde, no meu tablet, vi uma foto dos dois se beijando na varanda do lado de fora do quarto onde tomei a injeção. Tinha algo escrito embaixo da foto, e eu não conseguia ler a maior parte.

— Al-fa. Tra-ição... — apontei para a tela. — Mamãe, essa é a palavra para traição?

A mamãe não respondeu. Ela apenas desligou o tablet.

Eu não fiquei brava. A mamãe só tinha mais vinte dias comigo.

O papai voltou furioso, com a Vanessa chorando logo atrás dele. Ele varreu tudo o que estava em cima da mesa, e o meu copo favorito se estraçalhou no chão.

Escondi-me atrás da mamãe e espiei para ele. Ele abriu a foto no celular e esfregou na cara dela.

— Você acabou com a Vanessa! Como ela vai colocar a cara na rua agora? E você sequer pensou na minha reputação como Alfa?

Agarrei a parte de trás da calça da mamãe e escondi o rosto. A aura de Alfa dele pressionava como uma mão gigante sobre o meu nariz e a minha boca, e eu não conseguia respirar.

Eu não entendia. Ele é quem tinha beijado a Vanessa, então por que estava gritando com a mamãe?

— Não fui eu — disse a mamãe.

— Então quem foi? Você aceitou meus cem milhões e prometeu não se meter! Suas palavras e suas atitudes são totalmente diferentes. Você é uma vagabunda!

Ele agarrou os ombros dela e a sacudiu, empurrando-a com força em seguida. Ela caiu em cima dos cacos de vidro quebrado.

Cortes se abriram nas mãos e nas pernas dela, e o sangue começou a escorrer. A loba dela estava fraca demais. As feridas não se fechavam, e o sangue continuava saindo.

Abri o zíper da minha mochilinha e peguei os curativos que a mamãe tinha guardado para mim.

Ela acenou para que eu me afastasse.

— Serena, é perigoso! Não venha aqui. Fique exatamente onde você está.

Fiquei parada e vi a Vanessa sorrir por trás das costas do papai.

— Luna, eu sei que você não gosta de mim. Mas mesmo que queira se vingar, pense na reputação do Alfa.

O papai se virou, e ela fez beicinho instantaneamente. Começou a chorar rios de lágrimas. Ele limpou o rosto dela e mandou a mamãe pedir desculpas.

Mas a mamãe era a Luna, e uma Luna tinha uma posição superior à da Vanessa. Por que ela tinha que pedir desculpas?

A mamãe rangeu os dentes e puxou os cacos de vidro de suas próprias feridas.

— Eu não fiz isso. Vá investigar.

O sangue continuava escorrendo, linhas vermelhas e finas descendo pelos braços e pernas dela, como fitas amarradas ao seu corpo.

O papai viu que ela não conseguia parar o sangramento. Ele se agachou, desesperado, e tentou tocá-la.

— Fiona, eu me exaltei. Venha, deixe-me levar você para a enfermaria.

A mamãe empurrou a mão dele e se levantou, cambaleando. Ela olhou para mim e depois para o papai. A voz dela era leve, quase sem peso:

— Theodore, se você se sente culpado, passe a casa de veraneio para o meu nome. Não se preocupe. Eu não vou ficar no seu caminho com a Vanessa.

O papai congelou. O rosto dele ficou vermelho e, em seguida, pálido. Ele recolheu a sua aura, e a pressão na minha boca desapareceu. Ele parecia chocado.

Não era de se estranhar. A mamãe estava tão diferente agora. Antes, quando o papai não vinha para o jantar, a mamãe ficava arrasada. Quando ela o via com outras lobas, ela se escondia em algum lugar sozinha para chorar.

Mas agora a mamãe não parecia nem um pouco triste. Ela estava cheia de cortes e nem estava chorando. Não como a Vanessa, que chorava por qualquer bobagem.

Eu estava certa. As Lunas eram mais fortes que as lobas comuns.

O papai ficou ali parado por um longo tempo. Finalmente, ele assentiu com a cabeça. Mas o jeito que ele olhava para a mamãe era estranho, e eu não conseguia decifrar. Os adultos eram tão esquisitos.

Depois que o papai saiu com a Vanessa, a mamãe enfaixou os próprios cortes e ligou para o hospital para agendar um transplante de coração.

Perguntei a ela o que era aquilo. Ela disse que ficaria bem.

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