Mag-log inCecília ficou olhando para a janela da conversa, onde aparecia repetidamente: "Heitor está digitando..."Ela respirava baixo, sem piscar, com os olhos fixos na tela.Mas, após uma longa espera e o status de "digitando" surgindo e desaparecendo inúmeras vezes, tudo voltou ao silêncio.Heitor não respondeu mais.Cecília bloqueou a tela do celular e deixou o quarto mergulhar na escuridão.Virou de um lado para o outro por muito tempo, até o sono finalmente chegar.Na manhã seguinte, um telefonema a despertou. Sem nem abrir os olhos, ela pegou o celular debaixo do travesseiro e atendeu.— Alô, estou falando com a Sra. Cecília?— Sim. Quem é?— Aqui é do centro de cuidados pós-parto Villares. Estamos ligando para confirmar sua reserva. Sua data prevista para o parto é 28 de agosto, então quinze dias antes entraremos em contato para preparar sua internação. A senhora já pode trazer sua bolsa maternidade... — A voz delicada da atendente continuou explicando cada detalhe.— Desculpe, acho que
— Vamos. — Rodrigo deu um tapinha no ombro de Heitor. — Se não formos embora agora, os repórteres vão aparecer.O responsável pelo Grupo Prospera e herdeiro da família Siqueira. Qualquer um desses dois títulos, por si só, já seria suficiente. Se alguém com uma dessas identidades fosse visto bebendo à beira-mar no meio da noite a ponto de chamar a atenção da polícia, a mídia teria material de sobra para inventar duas matérias sensacionalistas.Heitor se levantou. A camisa preta se inflou sob o vento, formando grandes volumes de tecido.Quando ficou de frente para o vento, porém, a camisa voltou a se colar firmemente à sua cintura esguia.— Obrigado pelo trabalho. Vamos embora agora. — Ele se virou e caminhou em direção à margem sem olhar para trás.Não havia táxis naquele lugar. Os policiais, decidindo fazer uma boa ação, levaram Heitor e Rodrigo de volta.Depois de descer da viatura, Heitor colocou o casaco sobre os ombros e caminhou para dentro da mansão sem sequer olhar para trás.Ro
— Se o senhor achar inconveniente mandar uma mensagem para avisar que está tudo bem, então deixe para lá. O Sr. Heitor é um adulto. De qualquer forma, se alguma coisa acontecer com ele, não tem nada a ver com a moça.Cecília já nem conseguia se lembrar de quantas vezes Rodrigo havia feito aquele tipo de sondagem indireta.Assim que terminou de falar, desligou.O rosto de Rodrigo ficou rígido. Ele abaixou os olhos para o celular.De repente, uma lata de cerveja veio voando e bateu em sua cabeça. Ainda havia um pouco de bebida dentro, que espirrou para fora e caiu sobre sua camisa.Ele olhou, contrariado, para Heitor.— Por que tanta conversa? — O semblante de Heitor estava sombrio, carregado de desagrado. — Manda uma mensagem para ela. Diz que estou muito bem.Um homem que vai até a ponte no meio da noite para sentar-se sob a brisa do mar, e ainda chama alguém para lhe trazer bebida, está "muito bem"?Rodrigo percebeu, mas não comentou. Apenas caminhou até o lado dele e se sentou.— Fal
Murilo levantou-se de um salto, sentindo a boca queimar. Deu duas voltas ao redor da mesa até finalmente encontrar a lixeira e cuspir o pedaço.Sua boca já estava vermelha de tão queimada, e ele sentia que a língua começava a criar bolhas.— Sua megera!— Minha boca não é tão venenosa quanto a sua. — Manuela não conseguia imaginar que o pai de um garotinho tão adorável como o Tetéu pudesse ser como Murilo havia descrito.Murilo pegou um pouco de água fria e bebeu de uma vez. Só então sentiu a boca melhorar.— Doadores de esperma também precisam passar por uma seleção. Não é só a saúde física, o histórico e a origem também precisam ser verificados. Tudo tem que estar limpo para ser aprovado. — Cecília explicou a Murilo. — O hospital que a Manu escolheu é um dos mais regulamentados e rigorosos do país. Não vai haver problema.— Eu só falei por falar. Precisava ficar tão irritada? — Murilo puxou a cadeira e se sentou um pouco mais longe de Manuela.Manuela revirou os olhos para ele.— E s
Murilo estendeu a mão, prestes a apertar a dela, mas, como se tivesse se lembrado de alguma coisa, esfregou-a com força no próprio corpo duas vezes.— Pode contar comigo. Daqui para frente, eu cuido de você!Cecília havia sido praticamente empurrada para aquela mudança de emprego, acabando por ir trabalhar com Murilo.Para ela, aquilo estava completamente fora de suas expectativas. Para Murilo, por outro lado, era uma agradável surpresa.— Primeiro, fique tranquila e aproveite sua licença-maternidade. Quanto à minha família, eu mesmo vou conversar com eles.Murilo não queria esperar até que seus familiares procurassem Cecília para criar problemas e só então resolver a situação. Ele pretendia explicar tudo de antemão.— Está bem. Quando a comida estiver pronta, eu te ligo.— Fechado. Não precisam sair para comprar os ingredientes. Vou mandar alguém entregar. Eu sou seu chefe, como poderia ficar comendo e bebendo de graça na casa de vocês? — Os cantos dos lábios de Murilo quase chegavam
— Se tiver alguma coisa que você não entenda, me liga. Mesmo que seja no meio da madrugada. — Cecília deu um tapinha no ombro dela e olhou na direção do escritório de Heitor.A porta estava firmemente fechada, como se separasse completamente os dois espaços.— Pronto, estou indo.Rafaela parecia ter pensado em alguma coisa e estava quase chorando.Cecília foi embora decididamente, com medo de que ela acabasse derramando lágrimas e isso atrapalhasse seu trabalho.Rafaela estava prestes a acompanhá-la até o térreo da empresa. No entanto, nesse instante, o telefone interno sobre a mesa tocou.— Entre. — A voz grave e atraente de Heitor veio do outro lado."Entre." "Venha aqui um instante." "Cecília, venha aqui."Ela havia ouvido frases daquele tipo incontáveis vezes. A sensação familiar e, ao mesmo tempo, estranha a atingiu, fazendo com que seu movimento de entrar no elevador parasse por um instante.— Ai, Cecília! — Rafaela se apressou, sem saber se deveria acompanhá-la ou não. — Esper
No meio da noite, Cecília postou uma foto do seu bebê recém-nascido, acompanhada da legenda: [Promovida a mamãe! Meu herdeiro legítimo!]Em menos de uma hora, o ex-marido, de quem ela tinha se divorciado há seis meses, bateu à porta.Assim que Cecília abriu a porta, o rosto sombrio de Heitor fez a
Os passos de Cecília cessaram de repente. Sua respiração falhou por um instante, e seu semblante foi ficando cada vez mais sério.— O que foi? — Leandro não entendeu. — Não foi você que pediu ao Sr. Heitor para te transferir de volta?— Não. Eu vim pedir demissão. — Cecília balançou a cabeça.— Demi
A cena de Nicole puxando Heitor para a mesa, sentando-se colada a ele, repetia-se incessantemente na mente de Cecília.Ela não deveria ter olhado.No caminho de volta, deixou o vento frio bater no rosto, tentando se acalmar. No meio do trajeto, parou para comer um pouco de mingau quente antes de vol
Cecília, quase instintivamente, puxou o casaco acolchoado para baixo, cobrindo a barriga lisa.— Fui sim. Acho que estou ficando velha. Este ano estou sentindo mais frio do que o normal. — Ela se aproximou, sentou-se e mudou de assunto. — Precisa do meu notebook? Posso ir buscar no carro.— Use o me







