LOGINArthur se virou para Larissa.A tensão entrou de imediato em seus olhos.— Desculpa. Cheguei tarde. Ele machucou você em algum lugar?Larissa ergueu o rosto e ficou olhando para ele, parada.Aquele cuidado tão suave, tão sincero, parecia abrir uma fresta em seu peito. Por ali, algo quente se espalhou, leve e inquieto.Por um instante, ela chegou a pensar:Se toda essa preocupação, toda essa ternura, viesse de amor por ela, que bom seria?Ser amada por Arthur devia ser uma felicidade difícil de imaginar.Para não o deixar preocupado, Larissa recolheu depressa aqueles pensamentos e balançou a cabeça.— Estou bem. Ainda bem que você chegou a tempo.Só depois de confirmar que ela estava inteira, a tensão entre as sobrancelhas de Arthur finalmente se desfez.A mão dele apertou de leve seu ombro.— Desculpa. Eu devia ter subido com você. Você se assustou por minha causa.Ele era gentil demais.Gentil a ponto de fazer o coração dela parecer tocado por plumas, uma atrás da outra.— Não foi cul
— Não. — Vânia corrigiu a si mesma, sorrindo. — Melhor dizendo, você conseguiu o que queria.Os olhos de Arthur se estreitaram.— Só estou preocupado que ela esteja em perigo.— Mesmo que seja isso, é porque você se importa com ela.Ao ouvir aquilo, Pedro se adiantou:— Sr. Arthur, eu subo para verificar.Arthur assentiu.No instante seguinte, porém, mudou de ideia e voltou o olhar para a tela.— Depois te explico os detalhes.— Tá bom. Vai logo. — Vânia sorriu e balançou a cabeça. — No seu lugar, eu aproveitaria para deixar esse sentimento mais claro.No fundo, ela estava feliz por ele.Depois de tanto tempo, aquele coração enfim floresceu.A chamada terminou.Arthur se levantou, alto e impecável, e caminhou direto para o elevador....Depois do choque inicial, Larissa logo retomou a calma.O sarcasmo cortou sua voz:— Fui eu que seduzi o Arthur, ou foi você que sempre viveu nesse joguinho ambíguo com a sua suposta irmã?Ela o encarou, sem desviar.— Você e ela só faltavam dividir a m
Primeiro, ele a drogou, tentando forçar uma intimidade e fabricar uma suposta relação consumada.Depois, mandou bêbados a assediarem, só para aparecer como salvador.Podre por dentro. Sem cura.Larissa se achou cega por tantos anos.Como pôde correr atrás dele, insistir naquele casamento a qualquer custo e, no fim, acabar ferida, humilhada, cheia de marcas?Agora, pensando bem, o mais absurdo era isto: ela não enxergou um homem como Arthur diante dos olhos e, por causa de uma ridícula dívida de gratidão, amou um lixo como Ciro.Se isso não era cegueira, o que mais seria?— Larissa, você precisa ser tão cruel comigo?Ciro agarrou a mão dela no instante em que Larissa tentou abrir a porta. Seus dedos se fecharam com força, uma vez, depois outra.— Eu já te pedi desculpas. Já prometi que vou te tratar bem daqui pra frente. O que mais você quer que eu faça para me perdoar?No começo, ele achou que não amava tanto Larissa.Pensava que todo o cuidado, toda a tolerância de antes, serviram ape
O rosto de Larissa parecia dócil, quase sereno.A voz, porém, vinha com uma ponta clara de irritação.Arthur olhou para aqueles olhos limpos e perguntou, tranquilo:— Por que essa pergunta agora?Larissa curvou os lábios de leve.— Nada. Só curiosidade. Então, você está?— Depende do assunto.A voz de Arthur veio baixa, magnética, suave o bastante para desarmar.— Se for algo que te prejudique, claro que não.Larissa ficou parada, olhando para ele.Havia sinceridade naquele rosto.Pensando bem, fazia sentido.Com o orgulho de Arthur, ele não se rebaixaria a esse tipo de coisa.— Então está bem.Ao ver que aquela lâmina na voz dela se recolheu, Arthur ergueu levemente os olhos.— Agora pode me dizer o que aconteceu?Larissa não escondeu.Contou, ponto por ponto, sobre o ator que a produção já resolveu. As sobrancelhas bonitas se franziram um pouco.— Vendo por esse lado, os bêbados não devem ter ligação com alguém do set.Então era isso.Uma sombra passou pelos olhos de Arthur.Por um i
Ela olhou para ele outra vez.— Augusto foi atrás de Alex. Você não vai?— Hm? — Arthur sustentou o olhar dela, os olhos escuros como se escondessem uma sondagem. — Você acha que eu devo ir?Larissa respondeu com calma:— Disso eu não entendo. Melhor você decidir.Ela hesitou por alguns segundos.— Mas, se até Augusto procurou, é porque ele deve ser muito bom. Talvez valha a pena tentar.Já que Arthur pretendia investir nessa área, Larissa acreditava que ele certamente já pesquisou os engenheiros do setor.E, se pesquisou, não deixaria Augusto levar Alex tão facilmente.— Faz sentido, Lari.Arthur sorriu com carinho e tocou a cabeça dela de leve.O gesto era íntimo, mas também carregava aquele ar de adulto mimando uma criança.O rosto de Larissa esquentou. Ela suspirou, sem muita saída.Caiu na provocação de novo.Se Arthur conseguisse tirar o coração daquela pessoa de quem gostava, talvez entre eles...Não.Melhor parar.Larissa não se permitiu pensar mais longe....No último dia de
Larissa ergueu os olhos.O olhar dela entrou direto nos olhos de Arthur, escuros, fundos, mas cobertos por uma ternura que ele não dizia em voz alta.O calor chegou primeiro ao peito. E, sem perceber, ela se acalmou.Durante o jantar, os homens começaram a falar de negócios.O assunto era o mercado de carros elétricos. Entre uma frase e outra, surgiram baterias, sistemas inteligentes, autonomia e outros pontos técnicos.Larissa permaneceu quieta, concentrada no próprio prato.Estava com fome de verdade.A conversa na mesa se animava cada vez mais, mas Arthur quase não falava. De vez em quando, apenas assentia.Ainda assim, não deixava de servir Larissa pessoalmente.Entre os pratos, ela gostou especialmente dos aspargos salteados com castanhas-de-caju. Eram leves, crocantes, com um toque adocicado que ficava fresco na boca. Sem perceber, comeu um pouco a mais.— Hoje, os carros elétricos já ocupam 70% do mercado. Se resolvermos os gargalos dos sistemas inteligentes e da autonomia das b
Larissa guardou as roupas e se deitou.Depois de um dia inteiro andando pelo shopping, o cansaço veio sem cerimônia. Bastou encostar na cama para o sono a levar.Quando Arthur voltou ao quarto, encontrou apenas uma luz baixa, morna, espalhada pelo ambiente.Ele caminhou sem fazer barulho e voltou pa
Ao ver o rosto distante de Larissa, Arthur engoliu em seco mais de uma vez. Os lábios finos se moveram antes que a pergunta saísse, ainda carregada de hesitação:— Por quantos dias?Larissa continuou a arrumar as roupas enquanto respondia:— Não sei dizer. Quando as gravações se estabilizarem e não
O coração de Larissa deu um salto estranho.Ela se lembrou de que Arthur comentou antes que gostava de alguém. E, depois do que Vânia acabou de dizer, uma peça pareceu se encaixar.Então era isso.Aquele relógio... ele preparou para a mulher de quem gostava.Larissa escondeu depressa a queda no rost
Depois do jantar, as duas foram ao shopping.Na última vez em que saíram para comprar, o encontro com Melissa estragou o clima, e Alisa nem aproveitou direito. Agora, de bom humor, compensou com gosto e levou várias coisas.Quando entraram numa loja de luxo, Larissa apenas demorou alguns segundos a







