LOGINLeandro balançou a cabeça.— Ainda não sabemos. Estamos investigando, mas não conseguimos descobrir o que aconteceu.Larissa sentiu crescer aquela inquietação que já vinha rondando seus pensamentos.— Seja como for, precisamos recuperar o prontuário original. Não vou deixar que apareça mais um imprevisto.A princípio, pretendia ter paciência, deixar a linha correr até que o peixe grande mordesse a isca. Mas bastaram dois dias para a investigação tomar um rumo que ela não esperava.— Pode deixar.Leandro pegou o celular e fez uma ligação.— Podem agir. Recuperem o prontuário original.Larissa permaneceu pensativa, tentando entender o desaparecimento de Eduardo. Havia alguma peça daquela história que ainda lhe escapava.Talvez fosse hora de procurar respostas com Ciro.Ao chegar ao Grupo Moretti, participou da reunião habitual e, assim que saiu da sala, encontrou Otávio à sua espera.— Srta. Larissa, tem um minuto?Ela o encarou com a tranquilidade de sempre.— Vamos conversar no meu esc
Eduardo começou a tremer ainda mais.— Sr. Arthur, eu... eu juro que não sei de nada!Mas havia algo que não conseguia entender.Os Vasconcelos não sabiam de tudo? A morte de Manuel não foi obra da própria família? Por que Arthur estava investigando o caso agora?Será que ele realmente não sabia de nada?— Aaaah!Antes que conseguisse encontrar uma resposta, Arthur pressionou a ponta acesa do cigarro contra seu rosto.O grito de Eduardo ecoou pelo galpão. A dor veio tão violenta que parecia cozinhar sua pele, e um cheiro acre de queimado se espalhou pelo ar.Arthur o encarava sem qualquer traço de piedade. Os olhos negros, imóveis, eram ainda mais assustadores que a brasa que acabava de apagar contra sua carne.— Minha paciência acabou. Você tem três segundos pra falar. Se continuar escondendo a verdade, vou fazer você sentir na própria pele tudo o que Manuel passou.Eduardo conhecia a morte de perto. Como médico, convivia com ela diariamente. E, depois de tantos anos fazendo o serviço
Chamar Arthur de frio ou cruel seria injusto. Afinal, foi para protegê-la que ele tomou aquela decisão.Mas Samuel passou tão mal naquela noite que chegou a vomitar sangue. E continuava em coma, sem que ninguém soubesse quando voltaria a abrir os olhos. Como Larissa poderia simplesmente deixar tudo para trás?Por outro lado, se Arthur anunciasse o casamento e Pamela, tomada pela fúria, revelasse a verdade sobre a morte de Heloísa...Larissa sabia exatamente o que aconteceria.Naquela época, a culpa a destruiria. Ela não conseguiria suportar a ideia de que seu próprio sistema provocou a morte da mãe. Não possuía nem de longe a força que aprendeu a reunir nos últimos meses.E mesmo agora, com tudo o que enfrentou e superou, quase sucumbiu ao peso daquela descoberta.— Vamos ver isso depois. — Larissa deixou a questão em aberto. — Daqui é mais fácil ir à empresa, e o hospital também fica perto.Não foi a recusa categórica de antes.No rosto de Arthur, a tensão começou a ceder, e seus olho
Nos meses de casamento, Larissa aprendeu a reconhecer a ternura de Arthur nos menores gestos. Era curioso pensar que o homem diante de quem a alta sociedade de Aurimare media cada palavra pudesse cuidar dela com tanta delicadeza.E, outra vez, aquela declaração lhe voltou à memória."A mulher que eu amo é você..."— Lari? — A voz de Arthur a trouxe de volta. — Por que ficou tão quietinha? Ainda está sentindo alguma coisa?Ele a ajudou a se acomodar na cama, as sobrancelhas contraídas de preocupação.Era fome, na verdade. Depois de tanto tempo sem comer, Larissa sentia a cabeça leve e as pernas sem firmeza. Não queria, porém, deixá-lo ainda mais apreensivo.— Estou bem. Só preciso comer alguma coisa.Arthur abriu a mesinha articulada da cama e começou a retirar as embalagens da sacola.O aroma da comida quente logo se espalhou pelo quarto.Ele lembrou até dos pratos de que ela mais gostava: mingau de arroz com peixe fresco e fatias de carne, acompanhado de pequenas porções de costelinha
O desprezo de Augusto não se limitava às palavras. Até a maneira como encarava a irmã deixava claro o pouco que restava de sua consideração por ela.— Já passou pela sua cabeça que Arthur só cedeu à sua chantagem porque ama Larissa? Porque não suportava a ideia de ver ela sofrer, nem um pouco?Deixar de anunciar o casamento naquela noite foi um golpe duro para Larissa, sem dúvida. Mas, se Samuel não passasse mal, bastava Arthur explicar suas razões e resolver rapidamente o problema das provas que Pamela guardava. Nada daquilo precisaria abalar tanto a relação dos dois.Pamela, porém, com todo o poder dos Duarte à disposição, escolheu justamente o caminho mais estúpido. E acabou cavando a própria ruína.— Poupe seu discurso! — Pamela o interrompeu, furiosa. — A verdade é que Larissa não vai perdoar Arthur, nem sabendo de tudo!Seus olhos se estreitaram.— E você viu o que aconteceu hoje! Ela desmaiou de tanto sofrer. Tanto a situação de Samuel quanto a descoberta de que matou a própria
— Arthur...O nome saiu num fio de voz, rouco, enquanto Larissa conseguia abrir apenas uma fresta dos olhos.— Larissa... Você acordou mesmo... Acordou!Uma gota fria caiu sobre o dorso de sua mão.Arthur se levantou às pressas para apertar o botão de chamada. Entre a névoa que ainda lhe turvava a visão, Larissa distinguiu a agitação dele, aquela alegria quase incrédula que mal conseguia conter.Mas estava exausta. Não era apenas o corpo. Até manter os olhos abertos exigia uma força que já não encontrava em si.As pálpebras voltaram a pesar, e ela mergulhou outra vez no sono.Quando despertou novamente, já passava da meia-noite.A luz suave do quarto iluminava Arthur, sentado junto à cama. Ele continuava ali, sem sair de perto dela.Larissa o observou, ainda meio perdida entre o sono e a realidade.Durante todo aquele tempo em que permaneceu inconsciente, uma voz chegou até ela, falando sem parar, tentando alcançá-la através da escuridão.Era a voz dele.— Larissa, acordou? Está sentin
A provocação de Arthur acendeu de imediato a timidez de Larissa. Do pescoço ao rosto, tudo nela ficou vermelho. Mordendo o lábio, ela ergueu-se na ponta dos pés e beijou a bochecha dele com delicadeza, como uma borboleta tocando uma pétala.— Assim está bom?Com o beijo, já tentou se afastar.Arthur
As palavras de Larissa deixaram Samuel incrédulo. Ele confirmou mais de uma vez e, ao ter certeza, riu com ainda mais entusiasmo, a alegria evidente.— Ótimo. Casaram, então está decidido. Venham me ver com Arthur.— Claro, vovô. — Respondeu ela, com sorriso doce.Assim que desligou, a porta do quar
A voz provocadora demorou alguns segundos para atravessar o torpor de Larissa.— Arthur, seu mano acabou de brincar comigo. Agora é a sua vez?Do outro lado da linha estava Arthur Vasconcelos, o irmão mais velho de Ciro.Quando ela começou a namorar Ciro, Arthur nunca lhe ofereceu um olhar gentil.—
— Sr. Ciro, hoje é o dia de você e a Larissa assinarem no cartório. Você não vai mesmo? Você simplesmente não apareceu. Não tem medo de ela explodir?— Explodir? Todo mundo sabe que a Larissa vive grudada no Sr. Ciro, igual carrapato. Mesmo se ela descobrir que ele faltou por causa da Mel, ela engol







