LOGIN— Pamela, não me obriga a ir mais longe. Se alguma coisa acontecer com ela, eu mesmo acabo com você.A ameaça saiu gelada, acompanhada por um olhar que não deixava qualquer dúvida de que Arthur falava sério.Então ele soltou Pamela.Sem lhe oferecer mais uma palavra, virou as costas e foi embora.Pamela ficou pálida.Ainda tentou correr atrás dele, mas Augusto segurou seu braço.— Já não passou vergonha o bastante?— Me solta!Ela se debateu com força, a urgência beirando o pânico.Estava com medo.Medo de que, depois daquela noite, Arthur nunca mais aceitasse vê-la.Pamela continuou tentando se libertar, mas Augusto não cedeu.Só conseguiu assistir, impotente, enquanto Arthur entrava no carro e desaparecia dali.Foi o bastante para que ela perdesse o controle outra vez.— Me larga!Pamela começou a golpear Augusto, socando seu peito e seus braços sem qualquer medida.Ele suportou tudo sem reagir. No fim, simplesmente a arrastou até o próprio carro, a colocou lá dentro e mandou o motor
Pamela soltou uma risada fria, agora carregada de triunfo.— Arthur ama a mim. Então é melhor você ficar longe dele. Caso contrário, não passa de uma amante sem vergonha tentando se meter entre nós.Larissa respirou fundo.Só então se virou.O olhar que lançou para Pamela era frio, quase irônico.— Se ele te ama tanto assim, é estranho você precisar vir até mim nesse estado para procurar por ele.Os lábios de Larissa se curvaram levemente.— Você diz que eu sou patética, mas, olhando para você agora... acho que a situação é bem mais triste do seu lado.Dito isso, virou-se outra vez e continuou andando.Pamela enlouqueceu.Num impulso, cravou os dentes no braço de Augusto. Ele afrouxou a força por reflexo, e ela aproveitou para se soltar.No instante seguinte, avançou sobre Larissa como se tivesse perdido completamente a razão.— Sua vagabunda! Você ousa me humilhar? Eu acabo com você!Larissa percebeu o movimento a tempo.Desviou de lado.Pamela passou direto.Sem conseguir recuperar o
Larissa voltou para junto da cama e pegou a mão de Samuel outra vez. Levou a mão do avô ao rosto e se aninhou contra ela, os olhos já vermelhos.— Vovô... acorda, por favor. Eu estou com medo...A voz falhou.— Eu te imploro. Acorda. O que você quiser que eu aprenda, eu aprendo.Ela apertou os dedos dele contra o rosto.— Se você acordar, eu faço tudo o que você mandar, está bem?As lágrimas começaram a escorrer.— Vovô, eu errei. Eu não devia ter vivido sempre do meu jeito, sem pensar nas consequências. Não devia ter feito do amor a única coisa importante da minha vida... e muito menos me diminuído tanto por uma coisa que eu chamava de amor.A culpa, que Larissa vinha tentando manter sob controle havia dias, enfim a engoliu por inteiro.— Me perdoa, vovô... Foi por minha causa que você ficou assim. A culpa é minha.Ela segurou a mão de Samuel com força e encostou a testa nela.O choro veio de uma vez.Larissa soluçou até perder o fôlego, incapaz de se conter, enquanto a luz branca do
Larissa se sobressaltou e virou o rosto.Arthur estava logo atrás dela.Como sempre, vestia um terno escuro de alfaiataria italiana, impecavelmente cortado sobre o corpo alto e esguio. A postura ereta, os traços extraordinariamente belos, aquela elegância distante que parecia colocá-lo acima de tudo ao redor... onde quer que estivesse, Arthur era impossível de ignorar.Larissa, porém, recolheu num instante toda a fragilidade que deixou escapar diante de Samuel.Seu rosto esfriou visivelmente.— O que você veio fazer aqui?A mudança não passou despercebida por Arthur.Algo se contraiu dentro dele. Seus dedos se fecharam devagar antes que respondesse, em voz baixa:— Vim ver seu avô.— Não precisa. Pode ir embora.Larissa o encarava com uma frieza tão absoluta que parecia olhar para um desconhecido.Arthur não se moveu. Seus olhos, apagados pelo cansaço dos últimos dias, permaneceram presos ao rosto dela.— Larissa... você me odeia tanto assim?Odeia?Ela se levantou e ficou de frente pa
Larissa não disse nada.Só o observou em silêncio, com uma calma tão lúcida que Ícaro teve a incômoda sensação de que ela já enxergou tudo por trás daquela visita.Ele desviou os olhos, subitamente sem graça.— Está bem. Foi alguém que fez questão de me mandar entregar isso a você.Um sorriso discreto surgiu nos lábios de Larissa.Não precisava perguntar quem era esse alguém. Ela empurrou a pasta de volta pela mesa.— Então me faz um favor e devolve.Sua expressão continuava serena, mas não havia hesitação em sua voz.— Eu mesma resolvo os problemas do Grupo Moretti. Ele não precisa se preocupar comigo.Ícaro arregalou ligeiramente os olhos.— Lari, essas informações podem influenciar diretamente o futuro do Grupo Moretti. Fica com elas. Depois de tudo, isso é o mínimo que ele te deve.Larissa baixou os olhos para a pasta.Entre ela e Arthur, porém, nunca existiu uma conta tão simples de quem devia o quê a quem. Quando se casaram, ela agiu movida pela mágoa e pelo impulso de virar a pá
E ainda havia o rombo no braço imobiliário.Sem dinheiro entrando nos canteiros, os salários começaram a atrasar. Os operários entraram em greve, fornecedores suspenderam materiais e equipamentos, e as obras praticamente pararam.Cada dia perdido empurrava os cronogramas ainda mais para trás.Se Larissa não resolvesse aqueles dois grandes problemas, não conseguiria se firmar na presidência do Grupo Moretti.Daqui a uma semana, Marcelo só precisaria se aliar aos conselheiros certos para tirá-la do comando — e, talvez, até do próprio conselho.Por isso, ela não tinha margem para falhar.Precisava colocar tudo em ordem dentro daqueles sete dias.— Já pedi para entrarem em contato com os fornecedores de peças. Devemos ter uma resposta nos próximos dois dias — Explicou Otávio. — Quanto às obras, o problema de caixa não é exatamente falta de dinheiro.Larissa voltou os olhos para ele.Otávio continuou:— Alguém desviou recursos do projeto. Descobrir e recuperar o valor não é difícil...Ele l
— Sr. Ciro, hoje é o dia de você e a Larissa assinarem no cartório. Você não vai mesmo? Você simplesmente não apareceu. Não tem medo de ela explodir?— Explodir? Todo mundo sabe que a Larissa vive grudada no Sr. Ciro, igual carrapato. Mesmo se ela descobrir que ele faltou por causa da Mel, ela engol
A provocação de Arthur acendeu de imediato a timidez de Larissa. Do pescoço ao rosto, tudo nela ficou vermelho. Mordendo o lábio, ela ergueu-se na ponta dos pés e beijou a bochecha dele com delicadeza, como uma borboleta tocando uma pétala.— Assim está bom?Com o beijo, já tentou se afastar.Arthur
As palavras de Larissa deixaram Samuel incrédulo. Ele confirmou mais de uma vez e, ao ter certeza, riu com ainda mais entusiasmo, a alegria evidente.— Ótimo. Casaram, então está decidido. Venham me ver com Arthur.— Claro, vovô. — Respondeu ela, com sorriso doce.Assim que desligou, a porta do quar
Por sorte, o toque do celular salvou Larissa do constrangimento.— Alô?O coração acelerou. Ela atendeu às pressas.Do outro lado, veio a voz provocadora da modelo famosa e melhor amiga, Alisa Sampaio:— Então? Minha Srta. Larissa assinou ontem. Aposto que à noite já foi aproveitar o corpo jovem e f







