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Capítulo 4

Author: Aurélia
Mas, ao ver o sangue escorrendo do canto da minha boca, Gabriel soltou Nicole instintivamente.

— Marina, você está bem? Eu não quis... — O pânico atravessou seus olhos.

Ele estava prestes a se aproximar quando Nicole começou a chorar. Agarrada ao braço dele, fez uma expressão de injustiçada.

— Gabriel, eu só vim agradecer à Marina por fazer meu parto. Não imaginei que ela tiraria o acordo de divórcio de vocês para me insultar, me chamando de sedutora, de amante sem-vergonha. — As lágrimas escorriam sem parar. Ela cobriu o rosto, fingindo medo. — Eu só disse que nós nos amamos de verdade, e ela me bateu. E ainda mandou que eu saísse da casa dela.

À medida que o rosto de Gabriel se tornava mais sombrio, um brilho de satisfação surgia nos olhos de Nicole. Ela ergueu levemente o queixo e me lançou um olhar provocador.

— Marina, peça desculpas à Nicole. — Sem a menor hesitação, Gabriel me puxou para fora da cama e me encarou friamente.

Caí sentada no chão e ergui os olhos para ele. Então, de repente, comecei a rir.

— O que ela disse que não é verdade? Por que eu deveria pedir desculpas? Ah, não... Tem uma coisa errada. Ela nem chega a ser a amante oficial. No máximo, é a sétima.

— Você... — Nicole ficou tão furiosa que se jogou nos braços de Gabriel e voltou a chorar.

Eu me apoiei na cama e me levantei com dificuldade. Lancei um olhar frio para Gabriel e caminhei em direção à porta.

— Se a Marina não me pedir desculpas, o que vamos fazer quando as pessoas chamarem nosso filho de bastardo? — Nicole chorou ainda mais alto. — Se for assim, prefiro morrer!

No instante seguinte, meu pulso foi agarrado com força.

Os olhos de Gabriel estavam cheios de desgosto. Como se estivesse olhando para uma inimiga.

— Peça desculpas. — Em seguida, acrescentou rapidamente, em tom de ameaça. — Marina, não se esqueça de que sua avó ainda está na UTI. Ela continua viva graças aos recursos médicos que eu forneço. — Depois disso, ele pegou o celular e ligou para seu assistente. — Suspenda a produção do medicamento especial.

Meus olhos se arregalaram em descrença enquanto encarava o homem à minha frente.

Ele sabia muito bem que minha avó era o único familiar que eu tinha neste mundo. E mesmo assim estava usando a vida dela para me ameaçar por causa de Nicole.

Gabriel olhou para o relógio, impaciente.

— Se não me engano, sem o medicamento, o quadro dela vai piorar em três dias.

Minhas pernas pareciam pesar toneladas enquanto eu me virava lentamente.

— Me desculpe. — As lágrimas enchiam meus olhos enquanto eu cerrava os dentes.

— Parece que a Marina não está realmente arrependida. — Nicole se apoiou em Gabriel e falou em voz baixa. — Isso conta mesmo como um pedido de desculpas? E ela não vai receber punição por ter me batido? Meu rosto ainda está doendo.

Sem eu perceber, Gabriel já havia chamado um segurança, que me deu um chute na perna.

Meu joelho bateu violentamente contra o chão. O suor frio surgiu imediatamente em minha testa.

— Ajoelhe-se e peça desculpas à Nicole. — Ele me observou de cima para baixo. — Dê cem tapas em si mesma. Só poderá se levantar quando ela estiver satisfeita.

Não me mexi. Então, ele fez outra ligação.

— Gabriel? Onde está a minha menina? — A voz da minha avó veio do outro lado da linha.

— Não! — Corri desesperadamente, arranquei o celular de sua mão e desliguei a chamada. — Não conte nada para a minha avó. Ela não vai suportar. Desculpa. Eu peço desculpas.

Assim, ajoelhada na porta do quarto do hospital, comecei a bater em meu próprio rosto. Um tapa após o outro, enquanto pedia desculpas sem parar.

As pessoas que passavam pelo corredor paravam para assistir. Comentavam animadas, como se estivessem vendo um espetáculo.

Em algum momento, perdi a conta de quantos tapas já havia dado. Meu rosto estava inchado e deformado.

Nicole cobriu a boca e bocejou. Então se virou para Gabriel e disse, em tom manhoso:

— Gabriel, estou com sono.

Imediatamente, Gabriel a pegou nos braços.

— Considere isso uma lição. — Ao passar por mim, disse friamente. — Não mexa com a Nicole.

Minhas forças me abandonaram completamente e eu desabei no chão. Eu não sabia quanto tempo tinha se passado.

De repente, alguém urinou em mim.

— É ela! A médica incompetente e sem escrúpulos! Ela teve coragem de agredir uma mulher que deu à luz há três dias!

— Então essa é a Sra. Marina? Aquela cujo marido teve sete filhos bastardos? Não imaginava que ela fosse tão cruel! Já apareceu até na televisão!

Ao ouvir a voz da televisão vindo de um quarto próximo, meu corpo congelou. Levantei-me abruptamente e corri em direção ao quarto da minha avó.

Lá dentro era um caos. Os médicos tentavam reanimá-la. Na televisão, passavam justamente as imagens de mim me esbofeteando.

Minha avó me viu e seus olhos se arregalaram.

— Minha menina... — Ela segurou minha mão com toda a força que ainda lhe restava. — Deixe-o. A vovó não pode mais continuar sendo um fardo para você.

Após dizer isso, seus olhos permaneceram abertos. Imóveis. E ela parou de respirar.

Fiquei abraçada ao seu corpo, sem me mover. Até que uma sombra surgiu diante de mim.

— Desculpe. — Uma voz masculina falou suavemente. — Cheguei tarde demais.

— Minha avó morreu. — Minha voz saiu rouca. — Nenhuma dessas pessoas vai sair impune. — Ergui a cabeça. Meus olhos estavam vermelhos, mas havia um sorriso em meus lábios. — Você vai me ajudar, não vai?

Enquanto isso, do outro lado, depois de colocar Nicole para dormir, a inquietação no coração de Gabriel continuava sem desaparecer. Por fim, ele ligou para o assistente.

— Como ela está?

— Sr. Gabriel, algo terrível aconteceu! — A voz do assistente soou alarmada. — A Sra. Marina vendeu todas as ações que possuía nas empresas do grupo por um valor baixíssimo! O mercado entrou em colapso...

Ao mesmo tempo, Gabriel viu o painel eletrônico de avisos do hospital. Na lista de cremações que passava pela tela, um nome apareceu lentamente.

O nome da minha avó, Conceição.

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