Se connecterOlhei para o perfil dele pelo retrovisor interno. — A Giulia pertence a mim, Sergei — respondi de forma direta e sem hesitação. — Isso já é mais do que suficiente. Não preciso dar rótulos ou explicações burocráticas para o que sinto ou para a forma como cuido dela. Sergei assentiu devagar, processando a resposta. Mas ele não parou por aí. — Entendido, Pakhan... Mas e a senhorita Sofia? O senhor também está se envolvendo com ela? Ajustei meu corpo no banco de couro, franzindo levemente a testa. — Por que essa pergunta agora, Sergei? — Porque eu não sou cego, senhor — respondeu Sergei com naturalidade e o respeito de quem me acompanhava há anos. — Eu vi a senhorita Sofia entrar e sair do seu quarto na mansão tarde da noite em mais de uma ocasião. Além disso, já presenciei várias situações, trocas de olhares e a química evidente entre vocês dois. Soltei um suspiro abafado, encostand
POV: Matteo Volkov Giulia continuava encostada no meu peito, a respiração calma. Sentir o corpo dela relaxado contra o meu era a prova de que ela estava segura e finalmente livre das garras daquele infeliz. Ela se afastou devagar, mantendo as mãos apoiadas levemente nos meus braços. Olhou no fundo dos meus olhos e depois correu o olhar, ainda levemente hesitante, na direção da cidade lá embaixo. — Matteo... e a minha casa? — perguntou ela, a voz baixinha e um pouco rouca pela agressão no pescoço. — A minha casa ficou um caos... — Não se preocupe com nada disso — interrompi suavemente, deslizando o polegar pela bochecha dela com cuidado. — Já ordenei que uma equipe vá até lá hoje mesmo. Eles vão consertar a porta, trocar todas as trancas da casa, reparar qualquer estrago e limpar cada centímetro da casa. Você não precisa esquentar a cabeça com nada. Um brilho de alívio genuíno passou pelos olhos escuros dela.
POV: Giulia Bianchi A luz suave da manhã começava a atravessar a cortina entreaberta, projetando um tom dourado e acolhedor pelas paredes da suíte de hóspedes. Abri os olhos devagar, sentindo o corpo pesado pelo cansaço acumulado e uma dor incômoda na região do pescoço. Por um segundo, a confusão me tomou. O teto alto, o edredom de linho cinza e o cheiro suave de perfume amadeirado misturado com flor de laranjeira não pertenciam a minha casa. Lembrei-me de tudo em um estalo doloroso: os gritos, a porta arrombada, o aperto sufocante na minha garganta, o desespero ao ligar para Matteo e a sensação de segurança imediata assim que ele me tirou daquele pesadelo e me trouxe para a cobertura de Massimo. Girei a cabeça com cuidado sobre o travesseiro. A dor no pescoço lembrou-me das marcas roxas que Felipo tinha deixado. Um som baixo de passos no piso de madeira fez com que eu olhasse para a entrada do quarto. Uma senhora de cabelos grisalhos presos num coque elegante, vestindo um avental
— Eu... eu tava bêbado! Eu amo a Giulia! A gente se desentendeu, foi só isso! — ele gaguejou, o terror genuíno finalmente assumindo o controle total de sua expressão. — Por favor... me deixa ir. Eu juro por Deus que sumo da cidade! Eu pego um avião hoje mesmo para o exterior e nunca mais chego perto dela! Nunca mais! Soltei o queixo dele com desprezo, tirando um lenço do bolso para limpar a ponta dos meus dedos. — Você teve essa chance, Felipo. Quase três meses atrás, quando ela terminou com você, você teve a chance de sumir. Quando ela tentou seguir a vida, você teve a chance de parar de mandar mensagens e parar de ligar. Mas você preferiu arrombar a porta da casa dela. Preferiu deixar marcas roxas no pescoço e no braço dela. Caminhei até a mesa de apoio onde Sergei tinha organizado algumas ferramentas. Passei os olhos pelos alicates, braçadeiras e correntes, mas balancei a cabeça. Não precisava de espetáculo. Não precisava estender aqui
POV: Matteo Volkov O cheiro de mofo, ferrugem e maresia impregnava o ar do velho galpão abandonado na zona industrial de Nápoles. A chuva fina que tinha começado a cair do lado de fora ecoava contra o teto de chapa galvanizada. Deixei Giulia devidamente acomodada na cobertura de Massimo, sob os cuidados atentos de Bellina, a governanta de confiança que cuidava do lugar com extremo zelo, e deixei dois dos meus melhores seguranças postados na porta para garantir proteção absoluta. Só quando tive a certeza de que ela estava medicada, segura e adormecida sob o olhar atencioso de Bellina, é que me permiti cruzar a cidade para resolver a última pendência daquela noite. Caminhei a passos lentos e cadenciados pelo piso de concreto frio. Meus sapatos de couro estalavam no chão limpo, o único som que quebrava o silêncio além das respirações pesadas. No centro do galpão, sob a luz amarelada e vacilante de uma única lâmpada pendurada p
POV: Matteo VolkovO silêncio que tomou conta do apartamento depois que Sergei levou aquele lixo embora era quase palpável. A fúria que queimava nas minhas veias deu lugar a uma urgência diferente, muito mais visceral: cuidar de Giulia.Ela continuava agarrada à minha camisa, com o corpo todo estremecendo em soluços baixos. Me mantive ali por longos minutos, apenas segurando-a com firmeza, deixando que ela sentisse que o perigo tinha passado de verdade. Passei a mão devagar pelas suas costas, acariciando seus cabelos bagunçados e sussurrando palavras baixas de conforto perto da sua orelha até que a respiração descontrolada dela começasse a desacelerar.— Vem, pequena... Vamos sair daqui, vamos para sala — falei suavemente, afastando-me apenas o suficiente para olhar no rosto dela.Giulia levantou os olhos devagar. As lágrimas tinham manchado suas bochechas e o olhar ainda carregava aquele pavor de quem esteve cara a cara com o pior. Quando meus olhos pousaram novamente no pescoço dela







