MasukEmir se afastou apenas o suficiente para Maya respirar. Quando ele lhe deu espaço, ela abriu os lábios e respirou rapidamente. Abriu os olhos e o encarou, os cílios tremendo.Ele sorriu.— Não vou pedir desculpas por isso. Eu quis, eu fiz.Ela não respondeu. Sentiu como se sua alma estivesse deixando o corpo. Emir, que vira suas bochechas vermelhas pouco antes do beijo, agora via a frágil Maya parecer ainda mais frágil. Ela ficou pálida, os olhos pesaram, e a mão que o empurrava perdeu a força e escorregou por seu braço.Ele se afastou.— Maya? — chamou, preocupado.Apertou o botão de pânico e, ao ouvir passos, afastou-se da cama. Ainda sentia a mão dela em seu braço e o frio dos pequenos lábios nos seus.Um médico e uma enfermeira entraram.— O que houve?— Ela estava normal. De repente, ficou pálida e apagou.— Queda de pressão — disse a enfermeira enquanto aferia.O médico ajustou o soro. A enfermeira saiu apressada e voltou com uma seringa, cujo conteúdo injetou no soro.— É grave
Emir olhou para o filho tão pequeno. Queria lhe dar uma lição e agora se surpreendia ao perceber que o menino estava sofrendo, achando que, por sua culpa, deixaria alguém órfão.— Não se atormente. Ela não vai morrer.— Como sabe?— O segurança já a trouxe para o hospital.— E quanto à minha mãe?— Está em casa. Você também irá para lá. O segurança já está esperando.Enquanto isso, no quarto de Maya, Youssef a olhava preocupado.— Estou bem.— O que aconteceu?— Nada demais. Apenas uma criança entrou na frente do carro, eu vi e a protegi.— Você podia ter morrido.— Não exagere. O carro não estava tão veloz. E eu o deixaria morrer? Você deixaria?— Só temos você. E se algo acontece...— Você tem medo de perder sua mãe? — Maya perguntou com um olhar travesso.— Claro que sim.Youssef estava envergonhado e aflito como um menino.— Vá para casa. Amine e as crianças precisam de você, devem estar preocupados. Pegue seus irmãos mais velhos na escola.— E você vai ficar aqui sozinha?— Hum..
Emir deixou Soraya para trás. O garoto ainda lançou à mãe um último olhar, mas não pediu por misericórdia.Emir dirigiu até um distrito distante. Amim começou a olhar pela janela. Crianças descalças brincavam na rua, outras ajudavam idosos, empurravam carrinhos de mão e carregavam tijolos.— Vê, Amim? Homens ruins transformam riquezas em miséria e sofrimento.O garoto continuou olhando pela janela.— Acha que, se eu trocasse você por qualquer um daqueles garotos ali, eles diriam o que você me disse pela manhã? Diriam o que você disse à pequena Esra?Amim permaneceu em silêncio.— A vida já não foi difícil para Esra? Ela mal conheceu o pai. O que você ganhou dizendo aquilo para ela?Por fim, o garoto olhou para o pai, com os olhos úmidos.— Minha mãe...— Diga-me, Amim: sua mãe está correta?— Não — respondeu, com a voz baixa.— Este é o filho que eu conheço. Meu Amim não tem esse tipo de atitude rude e egoísta.Emir soltou o ar e dirigiu para fora do distrito.— Eu ia levar você até a
O filho sorriu. Emir viu lágrimas em seus olhos, mas ele as segurou.— Vou falar com Amim agora.No caminho, enquanto seguia para o quarto onde Amim estaria, Emir olhou pela casa. Encontrou uma das filhas no quarto e bateu à porta.— Pai? — ela disse, assustada.— Oi. Está tudo bem?— Está, sim.— Se precisar de algo, pode vir falar comigo.— Está tudo bem, pai.— Mesmo?Emir entrou e abriu os braços. Ela veio correndo. Tinha a mesma idade de Yassi.A menina o abraçou e chorou.— O que foi?— Não é nada, só... — ela disse, secando as lágrimas.Emir ficou olhando para ela.— Me sinto sozinha.— Não tem amigas?— Sou filha do Emir. Às vezes, essa posição é cruel.— É mesmo? Eu achei que dava vantagens.— O senhor viu as notícias hoje de manhã?— Vi, sim. E eu só queria ir à feira. — Emir riu.— Talvez alguém que não se importe com seu status... Assim como Samir e Youssef são amigos. Os irmãos deles estão na escola. Yassi tem sua idade.— Eu sei. Ela está na minha turma, mas não se entur
Maya serviu café na xícara de Emir. Os dois ficaram conversando e evitaram falar da confusão na feira.Assim que ele terminou o café e comeu o pãozinho, Maya perguntou:— Quer levar alguns?— Imagina, não precisa.— Bem, então, quando tiver vontade de tomar um café, ligue e posso preparar.— Faria isso?— Por que não faria?Emir olhou para Maya, em seus olhos, e se lembrou do episódio mais cedo, quando ela parecia tão assustada e vulnerável em meio ao tumulto. Ali, com os filhos, parecia uma mulher forte, mas era frágil e delicada. Tudo o que fazia era para sobreviver e protegê-los.— Dê-me seu telefone — Emir pediu.Maya ditou número por número. Ele anotou e mandou uma mensagem para ela com o número de seu assistente também.— Meu telefone e o do meu assistente. Qualquer coisa que você precisar, que as crianças precisarem, por favor, me procure. Ficarei muito chateado se você não me comunicar.— O senhor é muito ocupado.— Não estarei para você e sua família.Maya sentiu as bochechas
Julien mal havia cumprimentado Amy e já apontava, entusiasmada, para o outro lado da propriedade.— Meu pai fez uma casa na árvore!— Uma casa na árvore?— É enorme. Tem uma escada e uma janela. Venha ver!As duas dispararam pelo gramado.— Não subam sozinhas! — gritou a mãe de Julien.— É segura — disse o pai de Julien, observando as duas com orgulho do próprio trabalho.— Está bem! — responderam as duas sem parar.Richard fechou o porta-malas e encontrou Irina sorrindo.— O que foi?— Nada.Ele pegou a bolsa de Ethan e caminhou ao lado dela em direção à casa.Não demorou muito para Amy reaparecer. Veio correndo, com Julien logo atrás, e parou diante do pai.— Papai!Richard já conhecia aquele tom.— Diga.— Eu quero uma casa na árvore.— Imaginei.— Igual à de Julien.— Claro. Podemos fazer uma juntos.Amy arregalou os olhos.— Nós dois?— Nós dois.— Você sabe fazer uma casa na árvore?Richard ficou em silêncio.Irina levou a mão à boca para esconder o sorriso.— Eu sei construir h







