LOGINO dia amanheceu lindo para o mundo, mas para Khalifa tudo parecia pintado num tom preto e carregado. O seu coração batia descompassado, como se quisesse saltar do peito, e as mãos tremiam enquanto agarrava com força o lençol frio da cama. Suspirou pesado, ouvindo passos lentos e seguros se aproximando do seu quarto. Ela nem precisava levantar a cabeça para saber quem vinha ali. Conhecia muito bem aqueles passos sorrateiros, a calma perigosa com que ele se movia pelos corredores da casa.Segundos depois, duas batidas secas ecoaram na porta, preenchendo cada canto do quarto que parecia cada vez mais gelado.— Está aberta — disse ela, com a voz rouca de tanto tempo passar calada. Afinal, não tinha conseguido pregar o olho nem por um instante na noite passada, a mente não parava de girar com medos que não ousava dizer em voz alta.Andrew entrou, com passos perfeitamente controlados. Dos seus olhos privava‑se um brilho estranho, quase ameaçador, que deixava Khalifa completamente desconcent
No salão de festas, vários rostos aproximaram-se para saudar os recém-casados. Bruno nem fazia questão de esboçar um sorriso diante dos convidados, o seu rosto continuava fechado. Mia até tentava fingir que não se importava, mas estava tão evidente o descontentamento do noivo que ela ficou sem graça diante dos olhares curiosos. — Esses casamentos arranjados nunca dão certo — disse um dos convidados. — Pois é, olhem só para eles. Mal se suportam. Mal se olham. — Por dinheiro, as pessoas humilham-se, yah. — Vejam só o modo dela, nem consegue disfarçar. Uma boa noiva saberia contornar um noivo insatisfeito. — É uma sem sal. Esse não é o lugar dela. Olhem só: até a própria mãe não veio. Nem a irmã. Essa família é uma comédia. — Falem baixo, ela está a escutar — disse alguém que se sentava ao lado. Eles sorriram baixinho, zombando da cara dela. Mia continuava plena no seu canto, enquanto o noivo se divertia com todo o mundo, menos com ela. Engolia em silêncio os sapos. Enquanto tom
Khalifa continuava a bater no armário sem parar, precisava sair daquele lugar. Bateu vezes sem conta, até que de repente ouviu um barulho vindo do lado de fora. Naquele momento, sentiu ainda mais forças para continuar. Depois, sentiu mãos a pegarem e assustou-se. O segurança tirou a venda dos seus olhos. Ela respirou fundo, ainda assustada. Pouco a pouco, seus olhos habituaram-se à claridade. Não podia acreditar que aquele lugar assustador onde vivera as últimas horas era o seu próprio quarto. O seu próprio armário. — Encontrei-a! — gritou o segurança, extasiado. Afinal, conseguira um ato que mudaria para sempre a sua vida. O senhor Andrew certamente recompensaria muito bem quem achasse sua filha — ou melhor, sua mercadoria. O homem desamarrou as mãos de Khalifa e tirou a fita-cola da sua boca. Khalifa encolheu-se ao sentir a dor, a fita estava grudada na pele. Quando finalmente teve a boca, as mãos e os olhos livres, Khalifa começou a chorar, assustada com o que vivera. Com
Khalifa gemeu, sentindo as cordas apertarem seus pulsos. O corpo inteiro doía. A última coisa de que se lembrava era de estar no quarto, arrumando as malas para o casamento, e Mia entrando com um copo de suco. Mia sorriu ao vê-la, e Khalifa correspondeu ao sorriso, ainda que com fraqueza. — É já amanhã o teu casamento, irmã. Então, como te sentes? — perguntou Mia, fitando-a com um olhar carregado de inveja que Khalifa não conseguia enxergar. Khalifa sorriu fracamente e suspirou. — Não sei se sinto alguma coisa. Já me acostumei com a ideia de casar com Bruno. Pelo que vejo na TV, parece ser um bom homem. Até que é bonitinho... Acho que vai ser tolerável. Estou contando com a sorte — disse, segurando o copo e sentando-se na cama. Mia observava atentamente, esperando que ela bebesse o suco para pôr em ação seu plano. Já que não conseguira convencer o pai com palavras de que era a melhor escolha para ir à Casa Vermelha, arquitetara um esquema: deixar Khalifa fora do radar até
O sol raiou para a alegria de alguns e tristeza de outros. Uma limousine preta estacionou do lado de fora para buscar a noiva do filho do presidente Khalifa Burgo. O senhor Andrew recebeu os seguranças, que vestiam ternos pretos, na porta. Tinha o rosto coberto de suor. Não conseguira dormir a noite toda, pensando em como iria localizar a filha. As olheiras profundas por baixo das suas pálpebras. Ele estava esgotado. — Bom dia, senhor Burgo. Viemos buscar a senhorita Khalifa, a noiva, por favor — disse um dos seguranças. Ele engoliu em seco. Não sabia se revelava a verdade ou se enganava aquela que era a família mais poderosa do país. — Entrem, por favor. Minha filha está a terminar de se arrumar — disse, conduzindo-os para dentro. Eles seguiam atrás dele, caminhando alinhados. O senhor Andrew subiu até o quarto de Mia e bateu na porta. — Filha, eles chegaram. Já estás pronta? — disse assim que ela abriu a porta. — Sim, papá, já estou pronta — respondeu, esboçando um s
A luz fraca da vela brilhava no quarto dos pais de Khalifa. Dona Judith estava sentada no colo do marido, com as mãos envoltas no pescoço dele, esquentando o clima de cópula. As mãos do senhor Andrew viajavam livremente pelo corpo da esposa. Aquele era um momento raro nos últimos dias; devido à chegada do casamento, dona Judith não abria as pernas para o marido em jeito de protesto — recusava-se a vender as filhas para casamentos que talvez fossem infelizes. Esperava que, com isso, o marido cedesse e cancelasse o casamento. Mas isso não acontecia, e ela já estava com fogo por baixo das saias. Senhor Andrew buscou com a cabeça o peito da esposa, que ainda estava em pé e firme como rocha. Sugou de forma esfomeada enquanto Judith afivelava sua calça e o conduzia para dentro dela. — Ahhhhh — gemeu Andrew quando finalmente pode sentir ela. — Senti falta disso — disse Judith entre suspiros enquanto cavalgava no marido, rebolando de um jeito que só as senhoras do centro sabem. Um reb







