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Capítulo 2

Author: Lizy Joaquim
last update publish date: 2026-10-15 18:21:43

A luz fraca da vela brilhava no quarto dos pais de Khalifa. Dona Judith estava sentada no colo do marido, com as mãos envoltas no pescoço dele, esquentando o clima de cópula. As mãos do senhor Andrew viajavam livremente pelo corpo da esposa. Aquele era um momento raro nos últimos dias; devido à chegada do casamento, dona Judith não abria as pernas para o marido em jeito de protesto — recusava-se a vender as filhas para casamentos que talvez fossem infelizes. Esperava que, com isso, o marido cedesse e cancelasse o casamento. Mas isso não acontecia, e ela já estava com fogo por baixo das saias.

Senhor Andrew buscou com a cabeça o peito da esposa, que ainda estava em pé e firme como rocha. Sugou de forma esfomeada enquanto Judith afivelava sua calça e o conduzia para dentro dela.

— Ahhhhh — gemeu Andrew quando finalmente pode sentir ela.

— Senti falta disso — disse Judith entre suspiros enquanto cavalgava no marido, rebolando de um jeito que só as senhoras do centro sabem. Um rebolado que deixa seu marido louco; esse rebolado é o motivo de ele não tê-la deixado até hoje. As mamas do centro dizem que, com isso e mais uns caprichos que elas fazem nas suas partes íntimas, o marido nunca pensaria em abandonar a casa.

— Você é tão doce, Judith. Porra, eu nunca vou deixar você. Sempre tão... ahhhh — dizia Andrew, segurando sua cintura e conduzindo o rebolado dela, contorcendo-se de prazer.

Nesse momento, um grito agudo cortou o ambiente, deixando os dois perdidos e preocupados. Ajeitaram suas roupas e desceram apressados, cada passo mais pesado que o outro.

Quando chegaram na sala, encontraram Mia caída no chão, com a mão no peito e o rosto coberto de lágrimas que ela se esforçava para deixar cair. O vestido de seda esparramado contra o chão gelado. Os dois ficaram admirados, curiosos para saber o que teria acontecido.

— O que foi? — perguntou o senhor Andrew, com o rosto amarrotado, impaciente com aquela situação. Queria voltar logo ao que estava a fazer.

— Khalifa fugiu, papá... Ela disse que não quer se casar com quem não conhece, e hoje não está em lugar nenhum da casa. Nem o telemóvel dela chama — disse com uma atuação digna de Óscar.

Dona Judith levou as mãos à cabeça, sentindo-se perdida. A sua filha amada sumiu. Ela percebeu que alguma coisa estava muito, mas muito errada naquela história.

— O que essa menina fez, minha filha... — caiu em prantos. — É tudo culpa tua — apontou para o marido, que estava sem reação, parado.

— Não me estresses mais, mulher. Eu disse que estavas a mimar aquela criança. Viste só o que nos aprontou a tua filha favorita? Agora, quem vai arranjar essa merda? — berrou descontrolado.

Em poucos segundos, viu seu mundo desmoronar. A tão almejada eleição a secretário distrital escapou dos seus dedos com a fuga da Khalifa.

Os olhos de Mia brilharam naquele momento. Era tudo o que ela queria. Na verdade, já havia planejado tomar o lugar da irmã, custasse o que custasse, e agora ela finalmente conseguiu. Limpou as lágrimas falsas, levantou-se e falou:

— Eu me caso com ele.

Os pais se olharam chocados. Ela também já estava de casamento marcado. Daqui a cinco dias, ela casaria com o chefe da máfia local.

— Veja bem, o casamento é amanhã. Não vamos conseguir encontrá-la até lá. Visto que o filho do presidente nunca viu a Khalifa pessoalmente, não vai notar a diferença — continuou.

O pai e a mãe se entreolharam de novo. O senhor Andrew pareceu ter gostado da ideia. Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar; Mia era o único pássaro que tinha sobrado. Precisava fazer bem sua jogada.

— Até que não é de todo uma má ideia. Se não a encontrarmos até a hora do casamento, você casa no lugar dela — disse finalmente, achando uma solução para seu problema.

Os lábios de Mia subiram um pouco, ameaçando um sorriso. Ela olhou para o lado e sorriu disfarçado. Agradeceu mentalmente ao pai e correu de volta para o quarto; não queria correr o risco de ele mudar de ideia. Agora já tinha tudo como queria. Agora sim, o destino está ao meu favor. Era tudo o que eu queria, pensou ela.

— Ainda tens coração no peito? Tua filha sumiu e ainda te preocupas com esse maldito casamento? — disparou dona Judith, indignada com o que acabara de presenciar.

— Não me faltes com o respeito, Judith. Minha cabeça está cheia. Para de gritar toda hora na minha cara. Já te disse várias vezes: se não estás feliz, sabes onde fica a porta.

Dona Judith olhou para ele com tristeza. Uma mágoa que a cada dia se tornava mais profunda; cada palavra dita, cada falta de respeito fazia essa mágoa crescer.

— Sempre com as mesmas chantagens baratas. Juro que, se não achar minha filha, vou mesmo embora desta casa. E tu nunca mais tocarás neste corpo — disse ela, segurando a própria cintura e apontando para a coxa avantajada, antes de se dirigir ao quarto, pisando o chão com força, fazendo-o tremer. Mas não era só o chão que tremia; o senhor Andrew também tremeu com aquelas palavras.

Ele sempre chantageava a mulher, mas a verdade é que não achava que dona Judith iria mesmo embora. Apesar de tudo, ele amava a esposa, apesar das suas escapadas. Como se diz: homem precisa provar um pouco da comida de fora, mas nunca abandona a sua casa.

---

Naquela noite, ele mobilizou toda a segurança da casa para procurar por Khalifa. Em todos os bairros e esquinas, todos os cantos da cidade tinham que ser vasculhados, até os prédios abandonados.

Enquanto outros se preocupavam em encontrar Khalifa, Mia estava radiante no quarto, preparando todas as suas coisas para o dia que ela considerava grande. O dia para o qual se preparara todos esses anos: tornar-se a senhora Campira.

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