เข้าสู่ระบบO sol raiou para a alegria de alguns e tristeza de outros. Uma limousine preta estacionou do lado de fora para buscar a noiva do filho do presidente Khalifa Burgo.
O senhor Andrew recebeu os seguranças, que vestiam ternos pretos, na porta. Tinha o rosto coberto de suor. Não conseguira dormir a noite toda, pensando em como iria localizar a filha. As olheiras profundas por baixo das suas pálpebras. Ele estava esgotado. — Bom dia, senhor Burgo. Viemos buscar a senhorita Khalifa, a noiva, por favor — disse um dos seguranças. Ele engoliu em seco. Não sabia se revelava a verdade ou se enganava aquela que era a família mais poderosa do país. — Entrem, por favor. Minha filha está a terminar de se arrumar — disse, conduzindo-os para dentro. Eles seguiam atrás dele, caminhando alinhados. O senhor Andrew subiu até o quarto de Mia e bateu na porta. — Filha, eles chegaram. Já estás pronta? — disse assim que ela abriu a porta. — Sim, papá, já estou pronta — respondeu, esboçando um sorriso que mostrava todos os dentes brancos. Ela vestia um vestido creme que desenhava seu corpo. A cauda rastejava pelo chão, lembrando o vestido de noiva. E um sapato alto preto, que deixou seus pés lindos e intimidadores. Ela preparara esse look vários anos antes. Mia era uma mulher que não aceitava não como resposta; ela dava o jeito da resposta ser sim. E ela deu seu jeito dessa vez. — Ótimo. A partir de hoje serás a senhora Campira. Não me envergonhes. Lembra-te de sorrir sempre — advertiu o pai. — Já te decepcionei alguma vez, papá? — perguntou com o olhar altivo, como uma cobra astuta. O pai fez que não com a cabeça. — Então, farei o meu melhor, como sempre. Andrew sorriu, aliviado. Mia procurou a mãe com os olhos, mas não a achou. — Ela não vem? — perguntou. — Não sai daquele quarto desde que a Khalifa sumiu. Ela acha que aconteceu alguma coisa com a tua irmã. Talvez nós devêssemos cancelar ou, sei lá, adiar até encontrarmos a tua irmã — disse sem firmeza na voz; ele não queria isso de verdade. Era só para, quando perguntassem por que não cancelaram, jogar a culpa na filha. Mia segurou na mão do pai e olhou diretamente nos olhos dele. Andrew sentiu arrepios com aquele olhar. Sentiu que alguma coisa estava errada. Mas, naquele momento, já era tarde. Os seguranças precisavam levar uma noiva para o filho do presidente. Senão, ele perderia a eleição a secretário. — Não vamos cancelar nada. Confia na tua filha. Passei anos a preparar-me para entrar naquela família. Não vou desistir agora — disse fria, fazendo o pai sentir arrepios na espinha. O senhor Andrew engoliu em seco, engolindo cada palavra que queria dizer. — Está bem. Vamos. Mia entrelaçou o braço no cotovelo do pai e, juntos, desceram com sorrisos falsos nos lábios. Tal pai, tal filha. Farinhas do mesmo saco. Aqueles dois tinham tanta coisa em comum que nem precisava perguntar se eram parentes. Parecia que tinham a mesma alma escura e feia. --- A limousine estacionou num complexo de apartamentos bastante chique. Um dos seguranças deu a volta e abriu a porta para Mia descer. Ela colocou primeiro um pé fora, exibindo o salto preto. Depois, tirou o outro. Endireitou a postura e caminhou. O vestido arrastava-se pelo chão enquanto ela se dirigia ao interior do recinto. Os seguranças formavam uma barreira para que ninguém a tocasse. Subiu o elevador e o segurança apertou o botão da cobertura. O elevador subiu lentamente, enquanto Mia via a vida mudar, tal como sempre quis. Pensava radiante. Dizia para si mesma que valera a pena tudo o que fizera. Mesmo que a irmã nunca a perdoasse, não se importava. A vida dela é que era mais importante. Khalifa que se virasse casando com um mafioso. Justificava o que tinha feito para si mesma. A porta do elevador abriu-se e eles caminharam para um local super luxuoso, decorado com rosas vermelhas. Parecia um salão feito só para ela. Uma moça vestida formalmente caminhou até eles com um sorriso amarelo no rosto. — Seja bem-vinda, senhora Burgo. Sou a Kátia. Vou ajudar-te a preparar-te para o casamento. Relaxa e deixa o resto comigo. Mia sorriu. Kátia preparou Mia por completo: banho de flores, manicure, pedicure, cabelo, maquilhagem e até o vestido. Um vestido branco, estilo princesa, que coube perfeitamente no seu corpo. Mia olhou-se no espelho e, pela primeira vez no dia, viu uma lágrima cair do seu rosto. Uma lágrima de orgulho. Finalmente consegui, pensou. Enxugou-a com a ponta dos dedos. Estava bela, uma verdadeira princesa. — A senhora está uma verdadeira princesa — disse Kátia, emocionada com o trabalho. — Obrigada, Kátia. Amei — agradeceu para não ser mal-educada. Depois de pronta, os seguranças conduziram-na novamente à limousine e rumaram em direção ao salão onde seria realizado o casamento. Assim que desceu, todos os fotógrafos apontaram as câmaras para Mia. As pessoas admiravam a sua beleza. Desceu orgulhosa de si mesma, sorrindo sempre para a câmara. Vários flashes que a deixaram quase cega. O pai esperava-a na entrada. Caminhou até ela e ela entrelaçou a mão no seu cotovelo. — Minha filha, que orgulho — disse baixo, para que só ela ouvisse. — Obrigada, pai. Os dois entraram, caminhando devagar, enquanto a música nupcial tocava ao fundo.O banho foi rápido, mas conseguiu lavar embora um pouco daquele peso que trazia no peito. Hidratou o rosto com cuidado e, ao passar o batom vermelho nos lábios, parou por um instante. Antes, isso era proibido — "não fica bem para a noiva do filho do presidente", diziam. Agora, já não importava tanto.Olhou para o espelho. Não viu a si mesma. Apenas um cansaço profundo escorrendo dos seus olhos, marcado por olheiras escuras que nenhum creme esconderia por completo. Respirou fundo. Precisava fazer isso. Precisava recuperar um pouco de si mesma antes de desaparecer por completo.Decidiu que ia sair. Com a ajuda de Félix, o motorista, iria às compras. Compria roupas bonitas, escolhia peças que Mia usaria, que Mia gostaria. Passaria também num spa — precisava se sentir bem, precisava estar pronta. Não ia chegar ali fazendo‑se de vítima, esperando que ele tivesse pena. Ia bater de frente, se fosse preciso. Para isso, precisava ser Mia. Precisava incorporá‑la até a última fibra.Escolheu um
O dia amanheceu lindo para o mundo, mas para Khalifa tudo parecia pintado num tom preto e carregado. O seu coração batia descompassado, como se quisesse saltar do peito, e as mãos tremiam enquanto agarrava com força o lençol frio da cama. Suspirou pesado, ouvindo passos lentos e seguros se aproximando do seu quarto. Ela nem precisava levantar a cabeça para saber quem vinha ali. Conhecia muito bem aqueles passos sorrateiros, a calma perigosa com que ele se movia pelos corredores da casa.Segundos depois, duas batidas secas ecoaram na porta, preenchendo cada canto do quarto que parecia cada vez mais gelado.— Está aberta — disse ela, com a voz rouca de tanto tempo passar calada. Afinal, não tinha conseguido pregar o olho nem por um instante na noite passada, a mente não parava de girar com medos que não ousava dizer em voz alta.Andrew entrou, com passos perfeitamente controlados. Dos seus olhos privava‑se um brilho estranho, quase ameaçador, que deixava Khalifa completamente desconcent
No salão de festas, vários rostos aproximaram-se para saudar os recém-casados. Bruno nem fazia questão de esboçar um sorriso diante dos convidados, o seu rosto continuava fechado. Mia até tentava fingir que não se importava, mas estava tão evidente o descontentamento do noivo que ela ficou sem graça diante dos olhares curiosos. — Esses casamentos arranjados nunca dão certo — disse um dos convidados. — Pois é, olhem só para eles. Mal se suportam. Mal se olham. — Por dinheiro, as pessoas humilham-se, yah. — Vejam só o modo dela, nem consegue disfarçar. Uma boa noiva saberia contornar um noivo insatisfeito. — É uma sem sal. Esse não é o lugar dela. Olhem só: até a própria mãe não veio. Nem a irmã. Essa família é uma comédia. — Falem baixo, ela está a escutar — disse alguém que se sentava ao lado. Eles sorriram baixinho, zombando da cara dela. Mia continuava plena no seu canto, enquanto o noivo se divertia com todo o mundo, menos com ela. Engolia em silêncio os sapos. Enquanto tom
Khalifa continuava a bater no armário sem parar, precisava sair daquele lugar. Bateu vezes sem conta, até que de repente ouviu um barulho vindo do lado de fora. Naquele momento, sentiu ainda mais forças para continuar. Depois, sentiu mãos a pegarem e assustou-se. O segurança tirou a venda dos seus olhos. Ela respirou fundo, ainda assustada. Pouco a pouco, seus olhos habituaram-se à claridade. Não podia acreditar que aquele lugar assustador onde vivera as últimas horas era o seu próprio quarto. O seu próprio armário. — Encontrei-a! — gritou o segurança, extasiado. Afinal, conseguira um ato que mudaria para sempre a sua vida. O senhor Andrew certamente recompensaria muito bem quem achasse sua filha — ou melhor, sua mercadoria. O homem desamarrou as mãos de Khalifa e tirou a fita-cola da sua boca. Khalifa encolheu-se ao sentir a dor, a fita estava grudada na pele. Quando finalmente teve a boca, as mãos e os olhos livres, Khalifa começou a chorar, assustada com o que vivera. Com
Khalifa gemeu, sentindo as cordas apertarem seus pulsos. O corpo inteiro doía. A última coisa de que se lembrava era de estar no quarto, arrumando as malas para o casamento, e Mia entrando com um copo de suco. Mia sorriu ao vê-la, e Khalifa correspondeu ao sorriso, ainda que com fraqueza. — É já amanhã o teu casamento, irmã. Então, como te sentes? — perguntou Mia, fitando-a com um olhar carregado de inveja que Khalifa não conseguia enxergar. Khalifa sorriu fracamente e suspirou. — Não sei se sinto alguma coisa. Já me acostumei com a ideia de casar com Bruno. Pelo que vejo na TV, parece ser um bom homem. Até que é bonitinho... Acho que vai ser tolerável. Estou contando com a sorte — disse, segurando o copo e sentando-se na cama. Mia observava atentamente, esperando que ela bebesse o suco para pôr em ação seu plano. Já que não conseguira convencer o pai com palavras de que era a melhor escolha para ir à Casa Vermelha, arquitetara um esquema: deixar Khalifa fora do radar até
O sol raiou para a alegria de alguns e tristeza de outros. Uma limousine preta estacionou do lado de fora para buscar a noiva do filho do presidente Khalifa Burgo. O senhor Andrew recebeu os seguranças, que vestiam ternos pretos, na porta. Tinha o rosto coberto de suor. Não conseguira dormir a noite toda, pensando em como iria localizar a filha. As olheiras profundas por baixo das suas pálpebras. Ele estava esgotado. — Bom dia, senhor Burgo. Viemos buscar a senhorita Khalifa, a noiva, por favor — disse um dos seguranças. Ele engoliu em seco. Não sabia se revelava a verdade ou se enganava aquela que era a família mais poderosa do país. — Entrem, por favor. Minha filha está a terminar de se arrumar — disse, conduzindo-os para dentro. Eles seguiam atrás dele, caminhando alinhados. O senhor Andrew subiu até o quarto de Mia e bateu na porta. — Filha, eles chegaram. Já estás pronta? — disse assim que ela abriu a porta. — Sim, papá, já estou pronta — respondeu, esboçando um s







