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Capítulo 5

ผู้เขียน: Lizy Joaquim
last update วันที่เผยแพร่: 2026-10-15 18:40:44

Khalifa continuava a bater no armário sem parar, precisava sair daquele lugar. Bateu vezes sem conta, até que de repente ouviu um barulho vindo do lado de fora. Naquele momento, sentiu ainda mais forças para continuar. Depois, sentiu mãos a pegarem e assustou-se. O segurança tirou a venda dos seus olhos.

Ela respirou fundo, ainda assustada. Pouco a pouco, seus olhos habituaram-se à claridade. Não podia acreditar que aquele lugar assustador onde vivera as últimas horas era o seu próprio quarto. O seu próprio armário.

— Encontrei-a! — gritou o segurança, extasiado. Afinal, conseguira um ato que mudaria para sempre a sua vida. O senhor Andrew certamente recompensaria muito bem quem achasse sua filha — ou melhor, sua mercadoria.

O homem desamarrou as mãos de Khalifa e tirou a fita-cola da sua boca. Khalifa encolheu-se ao sentir a dor, a fita estava grudada na pele.

Quando finalmente teve a boca, as mãos e os olhos livres, Khalifa começou a chorar, assustada com o que vivera. Com todo aquele terror, ficara certamente traumatizada. Só pensava em como parara naquele lugar, quem diabos faria aquilo com ela. Mesmo com a resposta bem diante dos seus olhos, não queria aceitar. Não podia crer que a irmã seria capaz de uma monstruosidade daquelas.

Ajudaram-na a sair do quarto e a descer para a sala. Khalifa tremia, assustada, o coração ainda em estado de alerta. Os guardas correram para informar dona Judith, que permanecia no quarto a chorar e a rezar pela filhinha. Ao ouvir as novidades, saiu emocionada, não conseguia acreditar.

— Minha filha! — disse dona Judith ao ver Khalifa. Correu e abraçaram-se apertado.

— Estava tão assustada, mamã. Não sei como fui parar lá. Pensei que fosse morrer. Só conseguia pensar em como a senhora ficaria tão triste se eu morresse.

— Tragam água para ela — ordenou dona Judith.

A empregada da casa, dona Márcia, prontamente foi buscar a água. Os guardas comunicaram a boa notícia ao senhor Andrew. Este visualizou a mensagem e continuou na festa como se nada tivesse acontecido. Pôs um sorriso no rosto e continuou a celebrar. Afinal, tudo estava certo de novo; agora só faltava casar Khalifa com o mafioso.

Khalifa bebeu a água e sentiu-se um pouco mais calma. As mãos pararam de tremer um pouco. Sentou-se na cadeira que dona Márcia lhe ofereceu.

— Agora conta-me o que aconteceu, filha. Quem fez isso contigo?

— Não sei, mamã. Só me lembro de estar a arrumar as minhas coisas e a Mia entrar no meu quarto para conversar. Depois de ela sair, adormeci. E acordei no armário — disse Khalifa, com a voz falhando só de lembrar.

— Ela deu-te alguma coisa de comer ou de beber? — perguntou dona Judith, já suspeitando de Mia.

— Sim, a Mia deu-me um copo de suco. Mamã, não acha que...? Não, por que ela faria isso? — disse, incrédula.

— Adivinha quem está a casar agora no teu lugar?

— Quê? Não brinca com isso, mamã. A Mia vai casar na próxima semana com aquele homem.

— Acorda, minha filha. Acorda — disse dona Judith, sacudindo-a.

— Não, mamã, eu não aceito isso — disse, transtornada.

Levantou-se da cadeira e viu os guardas a olharem para ela com pena. Foi então que soube.

— Isso é verdade? — perguntou baixinho, mesmo já tendo a resposta.

Os homens fizeram que sim com a cabeça. Dona Márcia também confirmou.

— Ninguém sabia onde a senhorita estava, e a Mia ofereceu-se para casar no seu lugar — disse dona Márcia, que também tinha um carinho enorme por Khalifa.

Na verdade, todos naquela casa gostavam dela, pois sempre tratara todos como uma verdadeira família. Tratava todos com muito respeito.

Uma lágrima caiu dos olhos dela. Não podia acreditar que a irmã tivesse traído a sua confiança daquele jeito. Fazer-lhe passar por tudo aquilo.

Khalifa levantou-se e caminhou com dificuldade para o seu quarto.

— Precisas comer alguma coisa, minha filha. Não comeste nada — sugeriu dona Judith.

— Deixa-me, mamã. Comer para quê, se a minha vida acabou?

— Khalifa, não faças isso. Come alguma coisa.

— Preciso ficar um pouco sozinha. Vou comer depois, não te preocupes.

— Filha... — chamou dona Judith.

Porém Khalifa não mudou de ideia. Entrou no quarto e trancou a porta.

Olhou ao redor e viu as coisas que arrumara no dia anterior ainda no lugar. Engoliu as lágrimas que insistiam em cair. Sabia que precisava ser forte, porque aquilo significava que teria de casar com o noivo da irmã. Deixou o corpo cair no chão frio e amaldiçoou a irmã e o seu casamento. E também o pai, por as fazer passar por aquilo. Então fora por isso que ele veio com aquela conversa estranha, dizendo que queria que trocassem de lugar. Aquela cobra, pensou em voz alta.

Tomou um banho rápido e depois de tanto a dona Judith insistir ela finalmente desceu para comer alguma coisa, cada vez que a comida descia ela sentia uma dor na garganta. Estava apavorada, afinal foi preparada para ser a esposa de um homem completamente diferente do que ela vai ter que se casar.

Pensou em fugir de casa, mas não tinha condições financeiras para tal. Era recém formada na mercado do trabalho e ainda não tinha tido oportunidade de bater portas para trabalhar. Apesar de seu currículo ser excepcional, sabia como as coisas funcionavam naquele país. Para conseguir um trabalho era necessário ter costas quentes. Essa era a realidade moçambicana.

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