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Capítulo 4

ผู้เขียน: Lizy Joaquim
last update วันที่เผยแพร่: 2026-10-15 18:29:42

Khalifa gemeu, sentindo as cordas apertarem seus pulsos. O corpo inteiro doía. A última coisa de que se lembrava era de estar no quarto, arrumando as malas para o casamento, e Mia entrando com um copo de suco.

Mia sorriu ao vê-la, e Khalifa correspondeu ao sorriso, ainda que com fraqueza.

— É já amanhã o teu casamento, irmã. Então, como te sentes? — perguntou Mia, fitando-a com um olhar carregado de inveja que Khalifa não conseguia enxergar.

Khalifa sorriu fracamente e suspirou.

— Não sei se sinto alguma coisa. Já me acostumei com a ideia de casar com Bruno. Pelo que vejo na TV, parece ser um bom homem. Até que é bonitinho... Acho que vai ser tolerável. Estou contando com a sorte — disse, segurando o copo e sentando-se na cama.

Mia observava atentamente, esperando que ela bebesse o suco para pôr em ação seu plano. Já que não conseguira convencer o pai com palavras de que era a melhor escolha para ir à Casa Vermelha, arquitetara um esquema: deixar Khalifa fora do radar até que ela mesma se tornasse a esposa do filho do presidente.

— É, tu ficas com a parte boa, enquanto eu fico com a pior — disse, com um sorriso desdenhoso.

Khalifa olhou para ela, preocupada. Sentia pena do destino cruel que a irmã teria de seguir, mas não podia fazer nada. Não fora ela quem fizera a divisão dos esposos. Apesar da compaixão, não queria estar no lugar de Mia.

— Tu és forte, Mia. Vais conseguir lidar com isso — respondeu com gentileza, dando um longo gole no suco.

Mia sorriu. Finalmente ela tinha bebido.

— Podemos trocar de lugar, irmã? Tu casas com aquele mafioso por mim? Estou com muito medo.

— Já falamos sobre isso, sabes que não posso. Se alguém descobrisse, seríamos todos mortos — disse Khalifa, arrumando os livros numa caixa.

— Sabia que ias dizer isso. Mas saiba que não tive escolha — murmurou Mia, aproximando-se da irmã, que começava a sentir um leve cansaço.

— Podemos falar depois, estou cansada agora — disse Khalifa, bocejando. Deixou a caixa de lado e apoiou-se na cama.

— Claro, o teu desejo é uma ordem, princesa.

Mia saiu do quarto e foi buscar os materiais que preparara: fita-cola, cordas e uma venda. Voltou e encontrou a irmã já deitada. Virou-a de costas, amarrou-lhe as mãos e os pés, colocou fita-cola na boca e uma venda sobre os olhos. Com dificuldade, arrastou-a até o armário, abriu a porta e colocou-a lá dentro.

— Desculpa, irmãzinha, não havia outro jeito — disse para si mesma.

Depois, caminhou de volta ao quarto, desceu à sala e fez todo aquele show. Mia era uma verdadeira artista.

Agora, Khalifa estava assustada, sem saber onde se encontrava, e mil perguntas fervilhavam em sua mente.

---

O salão estava repleto de figuras importantes do governo; todos os tipos de puxa-sacos estavam ali. Fazer-se presente naquele casamento era a garantia do próprio poder.

A decoração fora cuidada ao mínimo detalhe. Nada podia estar fora do lugar — afinal, era o casamento do filho mais velho do presidente.

Bruno estava parado no altar, vestindo um terno preto feito sob medida. Seus olhos castanhos pareciam vazios. Olhou para a noiva, mas não sentiu nenhuma emoção. Ele também só se casava por mera conveniência, tudo pelos negócios.

Mia olhava para ele com um sorriso no rosto. Imaginava como seria a vida ao lado daquele homem lindo e elegante. Com certeza, qualquer uma teria inveja dela, pensava, mal sabendo o que a esperava.

O padre deu início à celebração:

— Boa tarde a todos. Estamos aqui hoje para celebrar o casamento do senhor Bruno Campira e da senhora Khalifa Burgo. Esses dois jovens que se amam e decidiram começar uma vida juntos. Se alguém tem algo contra esta união, que fale agora ou cale-se para sempre.

Um minuto de silêncio tomou conta do salão. Mia engolia em seco enquanto os segundos passavam. Só mais um pouco, pensava. Daqui a pouco vão encontrar a Khalifa; esta coisa tem de acabar logo.

— O noivo pode olhar para a sua noiva.

Bruno virou-se e encarou Mia por longos segundos, e por fim suspirou. Tudo aquilo parecia tão errado.

Os dois trocaram os votos, olhando um para o outro, enquanto a plateia vibrava.

— Eu, Bruno Campira, prometo ser-te fiel na alegria, na tristeza, na saúde, na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte nos separe. Recebe esta aliança como símbolo do meu amor — disse, colocando o anel no dedo de Mia.

— Eu Mi... Digo, Khalifa Burgo, prometo amar-te e respeitar-te, ser-te fiel na alegria, na tristeza, na saúde, na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte nos separe. Entrego-te este anel como símbolo do meu amor — declarou, com os olhos marejados.

Respirou fundo; quase estragara tudo. Agora respondia pelo nome da irmã, precisava estar sempre atenta.

— Em nome da autoridade que me foi dada por Deus e pelos homens, declaro-vos marido e mulher. O noivo pode beijar a noiva — anunciou o padre.

Bruno aproximou-se devagar de Mia e deu-lhe um beijo rápido, quase um selinho.

— Eles precisam manter o decoro — brincou o padre, e os convidados caíram na gargalhada.

A cerimónia continuou sem nenhum sobressalto. Os convidados comiam e bebiam, muito alegres.

---

Khalifa batia com o cotovelo na porta do armário, freneticamente. Mas de nada adiantava: estava trancada a chave. O desespero tomou conta dela. Tentava gritar, mas tudo o que saía era um som abafado. Começou a chorar, desesperada. Precisava dar um jeito, senão morreria de fome ou por falta de oxigénio.

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