登入Só que, antes que ela conseguisse se explicar, quando levantou os olhos, Fabiano já tinha se virado de costas. Ele se afastou, sem demonstrar o menor interesse em ouvir qualquer justificativa.Maia ficou olhando para a silhueta alta e larga dele do lado de fora. Debaixo do alpendre, ele acendeu um cigarro, desceu os degraus com passadas longas e foi embora sem olhar para trás.Ela mordeu os dentes, com os olhos vermelhos.Por que ele não mencionou uma única palavra sobre o que tinha acontecido de manhã no condomínio Vila Imperial? Por que também não falou nada sobre o fato de ela ter mandado matar alguém? Era por causa da sua "carta branca" diante da morte, o sangue dela?Afinal, o que o sangue dela significava para Fabiano? Para quem, exatamente, aquilo era tão importante?Ela já havia mandado investigar isso secretamente, mas não conseguiu descobrir nada.Antes de entrar no carro, Fabiano deixou apenas uma ordem para o chefe dos seguranças:— Vigiem-na de perto. Não quero mais nenhum
Os seguranças ocultos voltaram a se esconder, em silêncio, ao redor da casa. Fabiano subiu os degraus, e um dos seguranças empurrou a porta fechada à sua frente.Uma rajada de vento frio entrou, fazendo a pesada cortina da janela oposta balançar.Ao lado da cortina, Maia, que estava lendo um livro, levantou a cabeça assustada. A palma da mão dela estava enfaixada, pois ela havia se ralado de manhã, quando caiu da cadeira de rodas.No instante em que viu Fabiano, seu rosto se encheu de alívio misturado com medo.— Fabiano, ainda bem que você veio!Aquele Gael até que tinha alguma capacidade, conseguiu achar este lugar.A cadeira de rodas de Maia se moveu sozinha até parar diante de Fabiano.— Com toda aquela cena, eu achei que o Gael ia realmente me levar embora. — Quando posso voltar a morar no condomínio Vila Imperial? Esta casa é bonita, eu sei, mas ainda prefiro o clima do condomínio Vila Imperial.Ela forçou um sorriso, tentando puxar conversa:— Só sei que hoje à noite não vou con
O olhar de Gael recaiu sobre o brasão nos peitos daqueles homens: eles eram os seguranças ocultos de Fabiano.Eram homens cuidadosamente selecionados pela família materna de Fabiano, treinados em várias etapas, com uma capacidade de combate que nenhum segurança comum poderia igualar. Gael não imaginava que Fabiano teria colocado exatamente aqueles seguranças ali.— Senhor, é para atacar? — O assistente perguntou.Gael continuou esperando em silêncio. Ao longe, o som de motores se aproximava. Ele recolheu o olhar e falou com voz firme e calma:— Fabiano chegou.O assistente piscou, surpreso, e se virou a tempo de ver alguns carros pretos se aproximando. Eles pararam logo atrás dos carros deles.As portas se abriram, e Fabiano desceu, todo de preto. Seus olhos escuros se misturaram ao frio da noite, lançando um único olhar cortante aos carros que bloqueavam a entrada, com uma expressão distante e gelada.Do banco do passageiro, o assistente de Gael sentiu imediatamente a pressão que eman
Depois do jantar, Fabiano cumpriu de fato sua promessa e entregou a Ivone o álbum de fotos de Paula.Naquela noite, já de madrugada, Ivone se encolheu em um canto do sofá, abraçada ao álbum que Paula folheava quase todos os dias em vida, e começou a virar as páginas, uma a uma.O tempo parecia ter voltado atrás. Ela se via novamente aninhada no braço da avó, olhando o álbum junto com ela.Paula contava a ela histórias da juventude, explicava como conheceu o avô, como havia conseguido que aquele homem que dizia não amar ninguém, mas que a amava até os ossos, se casasse com ela e ela contava também as histórias dos pais de Fabiano.Em vida, a avó sempre dizia que Ivone se parecia muito com a sua versão jovem, e ao olhar para Ivone, era como se visse seu próprio rosto no passado. Talvez por isso Paula tivesse mimado tanto Ivone.Ivone sentia uma saudade imensa da avó.De repente, alguém arrancou o álbum de suas mãos. Logo em seguida, a voz grave e aveludada do homem soou atrás dela:— Já
Depois que Fabiano saiu, não demorou muito para as empregadas entrarem com o almoço.— Senhora, o almoço está servido.Mas Ivone continuou sentada na cama, imóvel. As empregadas, sem saber o que fazer, colocaram a comida sobre a mesa e saíram silenciosamente.Até o fim da tarde, quando Raul subiu e viu as travessas intactas em cima da mesa, ele soltou um suspiro de preocupação.Ele se aproximou da cama. Ivone tinha passado a tarde inteira sentada no mesmo lugar, o corpo rígido, parecendo uma estátua.Aquela cena apertou o peito de Raul. Ele falou com doçura:— Senhorita, por favor, coma um pouco. Se continuar de greve de fome, o Sr. Fabiano ficará irritado, e isso não lhe trará nenhum benefício. Não use seu corpo como moeda de troca.Ivone balançou a cabeça em silêncio:— Não quero comer.Só com Raul ela ainda demonstrava alguma reação. Raul ligou a luz do quarto em silêncio e saiu.…O céu escureceu. A chuva fina começava a bater no vidro da janela, espalhada pelo vento.Ivone continu
Roberto estava com a chave do carro na mão quando abriu a porta, jogou a chave no porta‑trecos e já ia ligar o motor, quando algo entrou de relance no seu campo de visão.— Porra… Ivi! — Roberto apertou o peito com força, o coração disparado.— Dirige.Ivone estava toda encolhida no espaço em frente ao banco do carona, o cabelo solto caindo pelos ombros, os olhos vermelhos fixos nele, o rosto completamente neutro. Por um instante, Roberto achou que tinha trombado com um fantasma em pleno dia e quase morreu do susto.Ele tinha o péssimo hábito de não trancar o carro quando estacionava. E aquela menina aproveitou exatamente esse vacilo.— Dirige. — Ivone insistiu, com o rosto fechado.O tom dela soou duro, mas aquele rostinho sem uma gota de cor transmitia uma fragilidade que mexia com qualquer um.Quando ele pensou no que tinha acontecido de manhã, Roberto não conseguiu evitar que a expressão ficasse tensa. Ele tinha crescido tratando Ivone como uma irmã mais nova, e seu peito também do







