MasukUma sombra se moveu mais rápido do que qualquer reflexo humano e se lançou na direção de Ivone antes mesmo de Davi conseguir alcançá‑la.— BUM!…Ivone só ouviu o estrondo ensurdecedor da explosão. O chão tremeu como se a montanha estivesse desabando. O corpo dela foi lançado para longe por uma força brutal e, no instante seguinte, ela perdeu a consciência.…Depois da explosão, a encosta da serra parecia terra recém‑revirada, impregnada pelo cheiro de pólvora e barro úmido.O helicóptero pairava no ar, imóvel. No horizonte, o céu já começava a clarear de leve. A claridade esbranquiçada da madrugada engolia a lua, que ficava cada vez mais rala. No alto da montanha, a visibilidade era baixa e o frio, cortante.Um dos braços de Rui sangrava. Ele estava ajoelhado na ladeira tomada por pedras irregulares, usando as duas mãos para segurar uma ferramenta. Junto com os seguranças, ele fazia força para erguer a pedra que estava prensando Fabiano e Ivone.A pedra finalmente cedeu sob a alavanca
— É mesmo? — Ivone não tentou mais se soltar como antes, fora de si. Ela perguntou em voz baixa, o rosto branco como papel.Davi olhou para ela daquele jeito e sentiu o peito apertar. Ele não se importava nem um pouco com o fato de ela estar encostada em Fabiano naquele momento, desde que ela conseguisse se acalmar.— Claro. — Respondeu Davi, em tom baixo. — A Maia é só uma cobra venenosa. Ela falou tudo aquilo só para te ferir por dentro. Você não pode deixar isso entrar na sua cabeça.Depois de falar, Davi ergueu os olhos e encarou Fabiano por um segundo.Fabiano só olhava para a mulher em seus braços. Mesmo assim, Davi não tinha como esquecer a lágrima que tinha caído do olho de Fabiano no exato momento em que ele atirou em Maia.Aquilo mexeu demais com Davi. O que, afinal, significavam aquelas palavras que Maia não tinha conseguido terminar?Do outro lado, Gael reparou que Davi estava com a mão pressionando a barriga e franziu levemente a testa.Pelo jeito, Davi tinha puxado o feri
Antes de cair, Maia ainda mantinha uma das mãos cravada no braço de Ivone. As unhas dela tinham afundado na carne com tanta força que pareciam querer arrancar um pedaço do braço de Ivone.Mesmo depois de levar o tiro e desabar no chão, Maia não soltou.O corpo de Ivone foi puxado pelo peso dela e cambaleou para trás. As pernas de Ivone ficaram moles, ela não tinha força nenhuma para se manter em pé e começou a desabar junto.Antes que Ivone caísse no chão, uma sombra escura correu até ela com um movimento rápido e preciso. O corpo dela foi puxado para cima e ficou colado contra um peito duro e gelado.Lá na mata, Fabiano tinha tirado o casaco grosso de frio para colocar em Ivone. Agora, a roupa que ele usava estava encharcada e fria.Fabiano deu um chute em Maia para afastá‑la, e os seguranças correram até ela para conferir. Eles se certificaram de que ela já não tinha mais nenhum sinal de vida.A mão de Fabiano que segurava a arma protegeu a cabeça de Ivone, impedindo que ela virasse
A tal "declaração" de que Fabiano não tinha nenhuma relação com Ivone era uma mentira dele.— Você não quer salvar a Ivone? Então agora, na minha frente, você vai postar nas redes sociais uma declaração dizendo que você e a Ivone vão se divorciar em breve, que você não sente nada por ela! — Disse Maia.Mas, antes que Fabiano, do outro lado, dissesse qualquer coisa, Ivone, ainda presa pelos braços de Maia, soltou uma risada baixa de repente:— Maia, você é realmente patética.— Cala a boca! — Rosnou Maia, cortando-a com violência.Mesmo assim, a voz de Ivone continuou soando:— O Fabiano e eu só temos um registro de casamento falso. Eu nunca fui mulher dele de verdade. De onde você tirou essa história de divórcio?Quando Fabiano viu o sorriso com um toque de auto‑zombaria nos lábios de Ivone, ele prendeu o olhar no rosto dela, com aqueles olhos fundos, e a mão dele, que segurava a arma, enrijeceu.O cano da arma encostado na têmpora de Ivone tremia, roçando sem parar na pele já ferida.
O couro cabeludo de Davi pareceu formigar na mesma hora, e as pupilas dele estremeceram com força.— Maia, solta ela! — Gritou Davi.— Soltar? — Maia deu um sorriso.O rosto dela estava todo riscado pelos galhos, e de vários cortes finos escorria sangue. O vermelho descia pelo rosto pálido até se juntar no queixo. Quando ela sorriu, o sangue já seco se quebrou em pequenos veios rachados. A cena parecia coisa de pesadelo.Aos poucos, o sorriso no rosto de Maia foi sumindo:— Quando ela estiver morta, aí eu solto.Fabiano, mesmo brigando com Gael, tinha ficado atento a qualquer movimento daquele lado. No momento em que alguém jogou uma bomba na direção de Ivone e dos outros, ele já tinha se desvencilhado dos seguranças da família Braga e disparado em direção a eles.Quando Fabiano viu Maia agarrar Ivone e encostar a arma na cabeça dela, percebeu que Ivone, enfraquecida pelo frio da montanha e pela perda de forças, estava sem nenhuma cor no rosto. Ela parecia tão fina quanto uma folha de
O rosto de Ivone estava um pouco sujo. Antes, dentro da mata, Fabiano não tinha conseguido enxergar direito esses detalhes, só percebeu quando chegou mais perto.Ele estendeu a mão por instinto para limpar o rosto dela, mas Ivone se afastou.— Se você não tivesse aparecido, eu já teria descido a montanha. — Disse Ivone.A mão de Fabiano caiu no ar, os dedos ficaram ligeiramente rígidos por um instante. Ele prendeu o olhar em Ivone, sem nem piscar, e insistiu:— Eu vou levar você montanha abaixo. Eu já disse que ia ficar com você.Davi, que estava ao lado de Ivone, franziu a testa quando ouviu aquilo."Que história é essa de o Fabiano falar com esse tom meio de coitado? Será que é impressão minha? Então, como não conseguiu no grito, agora esse cara quer apelar?" Pensou Davi.Ainda bem que Ivone não se deixava levar por esse tipo de joguinho.— Eu estou segura com o Davi e o Gael. Mesmo sem saber se a Maia ainda está viva, em vez de ficar aqui perdendo tempo comigo, era melhor você ir at







