FAZER LOGINAntonio o MordomoFiquei sentado na poltrona de plástico da sala de espera do hospital, ajustando o meu terno escuro que já estava amassado por causa de tantas horas sem pregar o olho. As luzes fluorescentes do corredor piscavam devagar, criando um clima gelado e pesado naquele ambiente. Passei as mãos no rosto, tentando afastar o cansaço que pesava nos meus ombros, mas a minha mente recusava parar por um único segundo.A ordem que dona Milena tinha me dado pelo telefone não saía da minha cabeça.Mandar todos os funcionários embora da propriedade, e me mandar ficar aqui no hospital no lugar dela…isso tudo está muito estranho… Aquela ligação me deixou profundamente intrigado. Por mais que eu tentasse encontrar uma explicação lógica e profissional para aquilo tudo, a atitude da dona Milena foi extremamente estranha e fora do comum. Dispensar toda a equipe da mansão no meio da madrugada?! Deixar uma propriedade daquele tamanho sem nenhum segurança na guarita, sem ninguém no portão princ
Milena O suor frio escorria direto pela minha testa, descendo pela minha bochecha até queimar nos meus lábios trêmulos. A tela iluminada do celular brilhava na minha mão como se fosse uma bomba relógio pronta para explodir a qualquer milissegundo. Pedro Henrique estava colado no meu ombro, com o corpo tenso feito uma mola e o cano pesado do revólver preto cravado com violência na minha fonte. Dava para ouvir o som áspero da respiração desgovernada dele no meu ouvido.Eu sabia perfeitamente que qualquer palavra errada, qualquer deslize na minha voz ou qualquer frase fora do lugar dita pelo Igor seria a minha sentença de morte ali mesmo no chão da sala. Se o Pedro percebesse que eu tinha mentido sobre a identidade do Igor, se ele descobrisse que aquele homem era um hacker investigando os seus crimes e não um simples segurança da mansão, ele apertaria o gatilho sem pensar duas vezes e espalharia a minha cabeça pelo mármore da entrada.Apertei o botão de atender no viva-voz com a ponta d
Milena Fiquei ali caída no chão do closet, encolhida, sentindo as lágrimas queimarem a minha pele e o pavor rasgar o meu peito ao meio. Olhei para a cara daquele monstro com todo o resto de forças que ainda sobravam na minha alma. Eu não tinha mais nada no mundo, não tinha mais herança, não tinha mais paz, mas a vida do Ulisses dependia de mim e eu não podia desistir agora.Juntei as minhas duas mãos trêmulas na frente do corpo, me arrastando de joelhos pelo t até ficar bem perto dos pés dele, sem me importar com o vidro espalhado. — Pedro, pelo amor de Deus... me dá o antídoto! — supliquei com a voz totalmente quebrada pelo choro, desesperada de dar dó. — Você já conseguiu metade de todo o dinheiro da minha herança, e o resto também já é seu! Você já tá podre de rico, já tá com a mala cheia de joias, relógios e diamantes do Ulisses! Por favor, tem um pingo de consciência nessa sua alma! Me entrega essa substância para eu correr para aquele hospital antes que seja tarde demais! Se
Milena Eu estava no limite absoluto das minhas forças, sentada no chão gelado do closet, tremendo da cabeça aos pés de puro pavor. A tela do meu celular esquentava na minha orelha e a voz doce, lenta e burocrática da atendente do setor VIP do banco parecia uma tortura. Do meu lado, em pé feito uma sombra da morte, Pedro Henrique encarava a minha cara com os olhos vermelhos de ódio. Ele afundava o cano pesado do revólver na minha têmpora a cada dois segundos, pressionando o ferro frio contra a minha pele para lembrar que qualquer passo falso seria o meu último momento neste mundo.A mulher do banco continuava enrolando na ligação, fazendo checagens de segurança infindáveis e complicando tudo o que podia.— Senhorita Milena, por conta do montante ser absurdamente alto, o nosso sistema exige uma verificação dupla de segurança — a mulher falou pelo viva-voz com aquela voz calma que me dava vontade de surtar. — Essa quantia não pode ser liberada de uma vez só sem uma autorização formal p
Igor Eu estava sentado na minha cadeira da minha batcaverna, que era como eu chamava o meu local de trabalho, cercado por quatro telas gigantes que iluminavam a sala escura apenas com o brilho azulado de milhares de linhas de código e arquivos do sistema. Os meus olhos queimavam pelo cansaço de virar a noite inteira procurando qualquer pista que pudesse destruir aquele desgraçado do Pedro Henrique de uma vez por todas.De repente, o meu telefone criptografado começou a tocar e vibrar em cima da mesa, fazendo um barulho estridente que me fez dar um salto na cadeira.Olhei para a tela do celular e vi o número privado de uma das minhas fontes mais importantes: um antigo mecânico que trabalhava perto do local onde a mãe do Ulisses tinha sido atropelada e morta anos atrás.Atendi na hora, colando o aparelho na orelha.— Fala aí, meu camarada ex presidiário! Finalmente você tá me retornando, conseguiu olhar as fotos? Algum desses caras é familiar pra você? — perguntei sem enrolação, com a
Milena O riso diabólico de Pedro Henrique ecoava pelas paredes aveludadas do closet, fazendo o meu estômago revirar de puro enjoo. A mala preta recheada com todas as joias de ouro, os diamantes e os relógios importados do Ulisses estava jogada no chão, bem ao lado dos meus pés, mas aquele monstro nem se dava ao trabalho de olhar para a fortuna que já tinha conquistado. O olhar dele estava cravado no meu rosto de um jeito faminto, cheio de uma ganância doentia e sem limites.Ele deu mais um passo lento na minha direção, me encurralando contra a prateleira de sapatos, e me encarou com os olhos brilhando em chamas.— Você achou mesmo que eu ia me contentar com um punhado joias de ouro, Milena?! Eu valho muito mais que isso! — ele debochou, aproximando a cara imunda da minha a ponto de eu sentir o hálito quente e nojento dele. — Você tá me achando com cara de ladrãozinho de galinha, por acaso?! Eu quero o prêmio grande, garota! Eu quero a bolada de verdade!Eu deveria limpar toda essa cas







