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CAPÍTULO 2

作者: Crystal k
No dia seguinte...

Sophia Ricci entrou no quarto do hospital como se fosse dona do lugar.

Nas mãos...

Segurava um buquê de lírios brancos.

Flores de velório.

No rosto...

Um sorriso inocente.

Olhei para ela sem esconder o desprezo.

— Sai daqui.

Minha voz era puro gelo.

Ela simplesmente entrou.

Colocou as flores no vaso ao lado da cama.

Depois falou suavemente:

— Isabella... não fique assim comigo.

Suspirou.

— O Damien já brigou comigo.

Baixou a cabeça.

— Eu só dei uma olhada naqueles arquivos.

— Não fazia ideia...

Levantou os olhos, cheios de lágrimas.

— Eu me sinto tão mal.

Com apenas uma frase...

Ela transformou um crime de traição em um simples erro de curiosidade.

Comecei a caminhar lentamente até ela.

Parei bem à sua frente.

— Você acha...

Minha voz saiu baixa.

— Que dizer "eu não sabia" vai manter você viva?

Tirei minha arma da cintura.

Encostei o cano gelado na testa dela.

Foi apenas naquele momento...

Que o medo apareceu em seu rosto.

Ela deu um passo para trás.

— Você não pode...

Sua voz tremia.

— O Damien... ele...

Sorri sem qualquer humor.

— Ele o quê?

Engatilhei a arma.

O som metálico ecoou pelo quarto.

Olhei para ela com desprezo.

Aquela encenação de mulher inocente era ridícula.

Damien já havia tido incontáveis mulheres.

Mas nenhuma delas jamais ousou me desafiar.

Nenhuma delas ousou declarar guerra contra mim.

Inclinei um pouco a cabeça.

— Você realmente acredita...

— Que ele entraria em guerra comigo por causa de uma traidora?

Naquele instante...

A voz de Damien ecoou na porta.

— Bella, para!

Ele correu até nós.

Ficou entre mim e Sophia.

Empurrou-a para trás de seu corpo.

Depois segurou meu braço.

Olhei para ele.

E senti meu coração endurecer.

Nós tínhamos um acordo.

Nenhuma mulher pisaria em mim.

Se alguma ousasse fazer isso...

Ele mesmo a faria desaparecer.

Agora...

Pela segunda vez...

Ele estava me dizendo "não".

Por causa de outra mulher.

Olhei diretamente em seus olhos.

— Solta.

Cada palavra saiu tão fria quanto uma lâmina.

Ele respirou fundo.

— Bella...

— Não faz isso.

Sua voz estava tensa.

— Esse não é o caminho.

Meu controle finalmente acabou.

— O meu pai quase morreu!

Minha voz ecoou pelo quarto.

Atrás dele...

Sophia colocou apenas metade do rosto para fora.

Sua voz saiu fraca.

— Damien...

— Eu só queria pedir desculpas...

Sem sequer olhar para ela...

Ele respondeu:

— Então peça.

O tom era duro.

Sophia permaneceu imóvel por alguns segundos.

Depois abaixou a cabeça.

— Me desculpa, Isabella.

Quando levantou os olhos novamente...

Só eu consegui enxergar o movimento dos seus lábios.

Sem emitir som algum...

Ela pronunciou duas palavras.

"Ele vai."

No segundo seguinte...

Seu corpo perdeu completamente a força.

Ela caiu diretamente nos braços de Damien.

— Damien...

— Eu...

— Não estou me sentindo bem...

A atuação era tão exagerada...

Que chegava a ser ofensiva.

Damien hesitou.

Olhou para mim.

Depois para Sophia.

Por fim...

Segurou-a com firmeza.

— Vou levar você para casa.

Sophia balançou a cabeça lentamente.

— Não...

Sua voz parecia fraca.

— A Isabella ainda está com raiva.

— Você deveria ficar com ela.

Aquilo não era preocupação.

Era um lembrete.

Uma demonstração de poder.

Ela queria mostrar quem realmente precisava dele.

Damien voltou a me olhar.

— Eu já volto.

Uma promessa...

Que eu sabia que ele não cumpriria.

Logo depois...

Ele a pegou nos braços.

E foi embora.

Poucos minutos depois...

Meu celular vibrou.

Era Sophia.

Atendi.

Do outro lado da linha...

Não havia nenhuma palavra.

Apenas o som de uma respiração pesada.

Contida.

Então ouvi sua voz.

Doce.

Vitoriosa.

— Damien...

— Gostou da minha tatuagem nova?

Ela riu baixinho.

— Bem aqui...

Na clavícula.

— As suas iniciais.

Fechei os olhos.

Ela continuou:

— Igualzinha à tatuagem que a sua esposa tem no pulso.

Meu pulso.

A tatuagem que Damien desenhou especialmente para mim no nosso primeiro aniversário de casamento.

Então...

Ouvi a voz dele.

Rouca.

Baixa.

— Em você...

— Ficou mais bonita.

Desliguei o telefone com força.

Meu corpo inteiro ficou gelado.

Eu precisava sair daquele hospital.

Precisava voltar para casa.

Para a nossa mansão.

Minha fortaleza.

Meu reino.

Mas...

Quando empurrei as pesadas portas de carvalho...

Percebi que o meu reino já estava sendo invadido.

Uma mulher de meia-idade...

Que eu nunca tinha visto antes...

Dava ordens às empregadas para retirarem da parede os quadros da minha mãe.

Ela olhava tudo com desprezo.

— Esta casa parece um museu.

Fez uma careta.

— Tudo aqui parece morto.

Sorriu.

— O Damien quer dar um pouco de vida a este lugar.

Olhei para ela em silêncio.

Então descobri quem era.

A mulher que distribuía ordens dentro da minha casa...

Era a mãe de Sophia.

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