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Capítulo 5

Author: Mora Quintela
Naquele momento, Bianca acabara de chegar ao aeroporto de Santa Vitória quando o celular vibrou.

— Alô, Murilo?

Do outro lado da linha, veio a voz suave de Murilo Barbosa, acompanhada de uma risada meio resignada.

— Bia, a Aurora Entretenimento, do Grupo Medeiros, acabou de me ligar. Disseram que o cargo de gerente-geral ficou com o Thiago.

Os passos de Bianca pararam por um instante.

Logo depois, ela continuou andando, puxando a mala.

— É mesmo?

Murilo pareceu não esperar uma reação tão calma. Ficou em silêncio por um segundo e, quando voltou a falar, havia um tom de brincadeira em sua voz.

— Como assim? Você não vai nem se indignar por mim? Eu era o seu indicado, afinal. Fui passado para trás desse jeito e você nem fica brava?

Bianca curvou de leve o canto dos lábios.

— Murilo, você me ligou só para reclamar?

— Eu não tenho tanto tempo livre assim. — Murilo deixou o tom de brincadeira de lado, e sua voz ficou mais séria. — Liguei porque queria que você avisasse o Eduardo de uma coisa: o Thiago não presta.

Bianca reduziu o passo.

— Já havia comentários sobre ele no mercado. Na empresa anterior, ele se aproveitou da vulnerabilidade de uma artista que trabalhava sob sua gestão. A garota tinha acabado de estrear, não tinha apoio nem influência. Depois do que aconteceu, ficou com medo de denunciar, entrou em depressão e, no fim, se jogou de um prédio...

A voz de Murilo ficou mais baixa, carregada de desprezo.

— Em qualquer outra situação, eu nem perderia tempo com um lixo como o Thiago. Só aceitei participar desse processo por consideração à minha calourinha favorita. E olha só... O seu Eduardo resolveu aprontar justo agora.

Bianca baixou os cílios.

Na verdade, ela também já havia ouvido falar sobre Thiago.

E já tinha contado tudo a Eduardo.

Só não esperava que, mesmo assim, ele escolhesse aquele homem.

Ela ficou em silêncio por dois segundos.

— Entendi, Murilo.

Murilo percebeu algo estranho em sua voz e perguntou com cuidado:

— O que foi? Você e o Eduardo...

— Nós terminamos.

Do outro lado da linha, houve alguns segundos de silêncio.

Logo depois, Murilo soltou uma risada.

— Fez bem.

Bianca ficou um instante sem reação.

— Eduardo nunca esteve à sua altura.

Bianca não respondeu.

Nesse momento, a chamada para embarque ecoou pelos alto-falantes do aeroporto.

— Você está no aeroporto?

— Estou. Voltando para Porto Nobre.

— Certo. Então não vou te prender. A gente conversa quando der.

— Tá bem.

Depois de desligar, Bianca ficou parada no saguão movimentado do aeroporto, olhando através da parede de vidro para a pista lá fora.

Então soltou uma risada baixa.

Murilo tinha razão.

Eduardo realmente nunca estivera à altura dela.

Uma pena Bianca ter levado dois anos para entender isso.

O celular vibrou outra vez.

Era uma mensagem de sua mãe, Mônica Rodrigues.

[Bia, a mamãe vai te perguntar só mais uma vez. Você pensou bem sobre esse casamento no lugar da Larissa? Eu não quero te obrigar a nada...]

Bianca ficou olhando para aquela frase. A ponta de seu dedo pairou sobre a tela por alguns segundos.

[Pensei.]

A resposta veio quase no mesmo instante.

[Bia, este é o número do senhor Ferraz. Talvez seja melhor você falar com ele primeiro... Tentar se aproximar um pouco.]

Bianca apertou os lábios.

Copiou o número, salvou nos contatos e abriu o WhatsApp.

A foto de perfil era apenas uma imagem completamente preta. O nome exibido tinha uma única letra: "F."

O perfil não trazia recado, assinatura nem qualquer informação extra.

Por um instante, Bianca até duvidou que aquele WhatsApp ainda estivesse em uso.

Mesmo assim, depois de hesitar por alguns segundos, enviou uma mensagem curta:

[Senhor Ferraz, sou Bianca Azevedo.]

Depois disso, jogou o celular dentro da bolsa e não voltou a olhar.

Diziam que o senhor Ferraz era imprevisível, fechado e avesso a qualquer aproximação. No círculo social de Porto Nobre, muita gente tentava criar laços com ele. Ainda assim, a maioria não conseguia sequer o WhatsApp de um assistente.

Ela não tinha criado nenhuma expectativa.

— Atenção, passageiros com destino a Porto Nobre. O embarque acaba de ser iniciado...

O aviso ecoou pelo saguão.

Bianca puxou a mala e caminhou em direção ao portão de embarque.

Depois de entrar no avião, recostou-se no assento e olhou a paisagem pela janela.

Aquela cidade carregava sonhos demais.

Todas as expectativas bonitas que um dia ela tivera sobre o amor pareciam ter ficado ali.

Bianca acreditara que aquele lugar seria seu futuro lar.

Agora, porém...

Percebia que tudo não passara de uma ilusão criada por ela mesma.

Voltando a si, tirou o celular da bolsa para ativar o modo avião.

Nesse instante, uma notificação apareceu na tela.

F havia respondido.

[Eu sei.]

Bianca ficou imóvel.

Ela abriu a conversa outra vez e conferiu o perfil três vezes.

Era mesmo Otávio.

O que estava acontecendo?

Ele tinha respondido sem querer?

Ou aquele celular ficava com algum assistente?

Deixa pra lá.

De todo modo, não era como se ele estivesse esperando por ela.

Bianca não pensou muito nisso. Apenas guardou o celular no bolso.

Naquela tarde, às três horas, no saguão do Aeroporto Internacional de Porto Nobre.

Assim que Bianca saiu pelo desembarque, o celular vibrou.

Era um número desconhecido, com código de Porto Nobre.

Ela atendeu.

— Senhorita Larissa.

A voz masculina do outro lado era baixa e respeitosa.

— Meu nome é Caio. Sou motorista do senhor Ferraz. Ele me enviou para buscá-la. O carro já está esperando na saída 3.

Os passos de Bianca pararam.

Otávio?

Como ele sabia que ela havia voltado para Porto Nobre?

— Certo. Entendi.

Depois de desligar, ela puxou a mala em direção à saída 3.

À beira da calçada, havia um Maybach preto estacionado com uma imponência discreta.

As linhas do carro eram elegantes e fluidas. Os vidros escuros escondiam o interior, transmitindo uma pressão silenciosa, contida, quase sufocante.

Ao vê-la sair, Caio desceu rapidamente.

Parecia ter pouco mais de vinte anos. Usava um terno cinza-escuro e se portava com respeito, mas sem servilismo.

— Senhorita Larissa, deixe a mala comigo.

Caio pegou a bagagem e abriu a porta traseira para ela.

No instante em que a porta se abriu, um aroma frio de cedro misturado a uma leve nota de tabaco veio ao seu encontro.

O movimento de Bianca, que já se inclinava para entrar, parou no meio do caminho.

O banco traseiro estava mergulhado em uma penumbra discreta.

O homem estava sentado de lado, usando uma camisa preta de seda, com dois botões abertos no colarinho, revelando a linha firme e clara do pescoço. As pernas longas, envoltas pela calça social, estavam cruzadas de maneira displicente e ocupavam boa parte do espaço.

Talvez por ter ouvido o movimento, ele apenas ergueu o olhar, lento e indiferente.

No instante em que aquele olhar pousou nela, a respiração de Bianca falhou.

Eram olhos bonitos demais.

Os olhos eram estreitos e alongados, de pálpebras bem marcadas e sobrancelhas de arco elegante. O preto intenso da íris parecia quase absoluto. Os lábios finos e o rosto inteiro transmitiam uma frieza distante e indiferente, como se nada no mundo fosse capaz de tocá-lo.

Mesmo sem nunca tê-lo visto pessoalmente, Bianca o reconheceu de imediato.

O segundo filho da família Ferraz.

Otávio.

— Larissa?

A voz do homem era baixa e rouca. A última sílaba subiu de leve, trazendo uma provocação quase imperceptível.

O coração de Bianca deu um salto.

Só então ela voltou a si. Apertou discretamente os lábios e assentiu.

— Sim. Sou eu...

O olhar de Otávio pousou sobre ela.

Dos pés à cabeça.

Devagar. Sem pressa alguma.

Bianca começou a se sentir desconfortável sob aquele exame silencioso. Quando estava prestes a desviar os olhos, ele falou primeiro:

— Trouxe seu documento?

Bianca ficou surpresa por um instante. Depois assentiu por instinto.

— Trouxe.

Só depois que respondeu percebeu o quanto aquela conversa era estranha.

Era a primeira vez que se viam.

E ele perguntava pelo documento?

No instante seguinte, o peito de Bianca gelou.

Será que Otávio queria conferir sua identidade?
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