ログイン— Boba. — Disse Breno. — Eu e você, somos o quê? A gente não é melhor amigo? Você tem tempo hoje à noite? Vamos sair para beber alguma coisa.— Vamos sim! — Aurora respondeu com uma doçura evidente.Quando Isaac voltou da Europa, a primeira coisa que ele fez foi procurar Rita. Ele tinha pousado em Alvorada, mas não encontrou nenhum rastro da Rita. Não tinha nada: nem registro de celular ativo, nem aluguel, nem hospedagem em hotel.Foi então que Breno ligou de Huambo, num desespero só, mandando Isaac voltar correndo porque a empresa precisava dele. Isaac acabou voltando para Huambo sem ter escolha.Ele até tinha cogitado que Rita pudesse estar em Huambo, mas havia algo muito estranho nisso tudo. Ele já tinha ido em todos os lugares onde achava que ela poderia aparecer e, mesmo assim, não encontrou nenhum sinal dela.Mesmo assim, Isaac nunca pensou que Rita tivesse sofrido algum tipo de acidente grave. Na cabeça dele, Rita estava escondida por obra da Lorena. E, conhecendo o quanto Loren
— Foi tudo por causa da Lorena. — Disse Breno. — Desta vez, sem a Lorena por perto, vai dar certo.— Que besteira você está falando? — Isaac franziu a testa e demonstrou certo desagrado com aquele comentário.— É sério. — Breno insistiu. — Nos negócios, às vezes a gente é obrigado a acreditar nessas coisas de energia. Isaac, o seu destino não combina com o da Lorena. Desde que você casou com ela, o que aconteceu de realmente bom na sua vida?Isaac respondeu de forma distraída:— Para de falar bobagem. A empresa abriu capital quando? Não foi depois do meu casamento?— Não é assim. — Breno rebateu. — Tem que olhar o quadro geral, o ano, o ciclo. Quando a nossa maré estava alta, você conseguia segurar o efeito negativo dela. Mas a sorte das pessoas muda. Quando ela começou a puxar a sua energia para si, você ficou só com o azar. É verdade, eu cheguei a consultar um feiticeiro sobre isso. Perguntei por que a gente estava esbarrando em problema atrás de problema este ano. A resposta foi jus
Mas Isaac não sossegou por causa disso. Ele continuou ligando sem parar. Claro que Ethan não atendeu mais.Quando Lorena saiu do banho, o celular tocou de novo. Ao ver o nome de Isaac no visor, ela ficou em dúvida se atendia ou não.— Eu atendi uma vez para você. Você não vai se importar, vai? — Ethan comentou. — Ele não faz ideia de onde a nossa avó está, ele só está desesperado…Ethan não terminou a frase.A hesitação de Lorena era exatamente essa. Já que Isaac não sabia de nada sobre Rita, então não havia motivo para conversar com ele. E, naquele estado, ela também não tinha cabeça para se meter em discussão com ele.Então as chamadas de Isaac foram e voltaram, uma atrás da outra, sem resposta.Isaac estava sentado na sala dele, na empresa, enquanto um grupo de pessoas esperava do lado de fora.— O que está acontecendo? A gente não tinha reunião agora? O Isaac ainda está ocupado? — Breno veio perguntar.A secretária de Isaac ficou numa saia justa:— Eu já avisei o chefe várias vezes
Lorena tinha passado o dia inteiro como se estivesse anestesiada. Só agora ela começava, aos poucos, a recobrar a consciência e entendeu, na mesma hora, o que Alberto quis dizer.— Como assim você fala uma coisa dessas? — Ela se apressou em responder. — Eu e a minha avó já demos trabalho demais para vocês. Eu é que ainda nem tive tempo de te agradecer.Alberto só conseguiu dar um sorriso amargo. Ele só conseguia pensar que Rita precisava, a qualquer custo, estar bem.Ethan deu um tapinha de leve no ombro dele:— A gente é que está muito agradecido a você e à sua família, de verdade. Esse mês inteiro você cuidou da Lô.Os olhos de Alberto ficaram marejados, mas ele não disse nada. O que ele poderia falar naquela hora? Que ele se sentia culpado porque não tinha cuidado direito e que a consciência dele estava pesada? Aí ainda iam ter que parar para consolar ele?— A gente vai encontrar a sua avó juntos. — Alberto já tinha ligado para casa, diretamente para o pai, que tinha se preparado pa
Alberto olhou para os dois primos ali ao lado e soube que não deveria estar pensando naquilo naquele momento, mas, ainda assim, ele não conseguiu evitar sentir uma pontada de inveja de Ethan, que podia carregar Lorena nas costas, às claras, e consolá‑la daquele jeito.Lorena nunca tinha chorado como agora, sem se segurar, na frente de outras pessoas.Ela não tinha recebido amor dos pais, então, diante deles, ela nem sentia que tinha o direito de chorar. Diante de Rita, menos ainda, porque ela tinha medo de preocupar a avó.Durante os cinco anos de casamento com Isaac, ela também não se permitia chorar, com medo de deixá‑lo irritado, de sobrecarregá‑lo emocionalmente. O pensamento dela era só um: deixar ele feliz, custasse o que custasse.Quando eles chegaram à delegacia, Lorena já tinha retomado o controle das emoções. Ela contou tudo para os policiais, desde o começo, e deixou claro que a avó tinha voltado para Huambo junto com os pais dela.No fundo, ela ainda tinha medo de que, por
Assim que eles aterrissaram, a primeira coisa que Lorena fez foi ir até o presídio. Ela disse que era filha de Michel e perguntou se podia vê‑lo.Como era de se esperar, o agente informou que Michel já tinha sido solto mediante fiança.Lorena ficou visivelmente aflita:— Com licença, eu acabei de voltar do exterior, eu não faço ideia de quem pagou a fiança do meu pai.Tinha sido o advogado.A família tinha contratado um advogado para Michel e pago o valor da fiança. Se em casa houvesse esse dinheiro disponível, ou se a mãe e o irmão dela tivessem topado gastar com isso, Michel já teria saído fazia tempo. O motivo de ele nunca ter pedido fiança e nem advogado tinha sido justamente a falta de dinheiro, ou melhor dizendo, o fato de a mãe não querer gastar com isso.Pelo visto, alguém tinha aberto a carteira por ele agora.— Já sei quem foi. — Lorena se agachou na porta do presídio, tomada por um desânimo repentino.— Foi o Isaac? — Alberto arriscou.Lorena não respondeu. Ela apenas pegou
Isaac tinha voltado a beber. Ele tinha quebrado a própria regra. Pelo tom da voz, Lorena percebeu que ele estava até um pouco bêbado. Mas será que Isaac realmente seria capaz de gritar daquele jeito em público?Na lembrança de Lorena, Isaac, no ensino médio, tinha sido o típico gênio frio: o melhor
O som contínuo da água ecoava no banheiro. Isaac estava tomando banho. Eram três horas da manhã. Ele tinha acabado de chegar em casa.Lorena ficou parada na porta do banheiro, porque ela queria conversar com ele sobre uma coisa. Ela estava tensa e não sabia se ele ia concordar com o que ela estava p
Lorena viu que, depois de um breve constrangimento, Isaac e Aurora logo assumiram esse “novo” papel. Os dois passaram a conversar e rir com o parceiro de negócios como se nada tivesse acontecido. Eles pareciam um casal perfeito…Lorena, em silêncio, tirou uma foto com o celular. Quando ela se virou
— Isaac… — A voz de Lorena falhou, traindo o nó na garganta.— Hein? Lorena? — Isaac segurou a mão dela. — O que aconteceu? Você está com vontade de chorar? Se quiser chorar, chora. Não precisa segurar.A voz de Isaac era muito, muito doce.Era igual àquela época em que Lorena tinha saído da sala de







