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Capítulo 4

Author: Peixe Koi
Aurora, sempre atenta ao clima, entrou na conversa na hora certa:

— Isaac, você não fica chateado só porque o pessoal falou mal da Lorena. Eles realmente estão pensando no seu bem. Pensa só: a nossa amizade já dura tantos anos… mesmo que alguma coisa que eles falaram tenha passado do ponto, você ouve e deixa pra lá, não precisa levar para o coração.

— Eu não estou bravo. — Isaac guardou o celular. — Deixa ela. Ela não vai sair por aí à toa. Vamos continuar.

Afinal, em cinco anos, além da casa deles, Lorena praticamente nunca tinha ido a lugar nenhum. Ela não tinha nem para onde ir.

Breno lançou um olhar para Aurora e murmurou:

— Ainda bem que a Aurora é desapegada. Se vocês não tivessem terminado naquela época…

— Que conversa é essa? — Aurora encarou Breno. — Hoje você está impossível, não consegue controlar essa boca, só fala besteira! O Isaac já é casado, não é legal você falar um negócio desses…

Quando ela terminou de repreender, o olhar dela ficou cheio de mágoa. Ela olhou para Isaac:

— Eu voltei sem esperar nada. Só quero que vocês ainda me aceitem, que vocês ainda fiquem do meu lado. Pra mim, isso já é suficiente…

— Que bobagem. Você sempre vai ser a nossa amiga mais querida, a nossa menina mais mimada. Se alguém se atrever a mexer com você, a gente não deixa barato, né, Isaac?

Breno bateu a mão no peito, cheio de pose de cavaleiro defensor.

Isaac quase não falou nada. Ele só ficou com a taça na mão, girando o vinho devagar.

Aquela cena era antiga demais. Anos antes tinha sido igual: ele gostava de olhar aquela turma que o seguia, rindo e brincando com Aurora. Só quando a confusão passava do limite é que todos vinham até ele, pedindo para ele "fazer justiça".

Agora, estavam de novo esperando a palavra dele. Isaac sorriu de leve:

— Claro.

Lorena não voltou para casa. Ela foi direto para o hotel que já tinha reservado. Toda a humilhação, toda a dor, explodiu no instante em que a porta do quarto se fechou atrás dela.

A imagem de Breno mancando de forma caricata, imitando o jeito dela andar, reaparecia sem parar na frente dos olhos de Lorena. As gargalhadas, como um feitiço, ecoavam nos ouvidos dela sem descanso.

Na verdade, Lorena já sabia, há muito tempo, o tipo de coisa que os amigos de Isaac falavam dela pelas costas. Ela só nunca tinha comentado com ele.

Eles eram amigos de muitos anos dele, e ela entendia isso. Ele se matava de trabalhar lá fora, e ela também entendia isso.

Por isso, Lorena nunca quis criar mais problemas para Isaac, nem queria que ele passasse constrangimento por causa dela. Muito menos desejava que ele rompesse com os amigos por causa de uma briga envolvendo ela. Só que, agora, tudo aquilo parecia pura ilusão dela.

Como Isaac iria criar atrito com os amigos por causa dela? Eles eram os amigos de longa data. E ela, Lorena, era o quê?

Lorena era só a "dívida" que Isaac tinha forçado a si mesmo a pagar, casando com ela para retribuir o que ela tinha feito por ele. Ela era peso morto. Sem ela, a vida de Isaac seria muito mais leve e feliz.

"Ela é manca! Se você não tivesse casado com ela, quem ia querer essa mulher?"

"Uma aleijada, casando com um homem como Isaac, ainda tem do quê reclamar?"

"Se eu fosse o Isaac, eu preferia que tivesse sido eu o atropelado e ficasse manco, do que ter que casar com uma manca e ser motivo de piada."

"Os outros CEOs sempre aparecem com esposas elegantes e impecáveis. Só o Isaac que não tem nem uma mulher que ele possa levar a um jantar de gala."

…

Todos os comentários que ela tinha ouvido nesses cinco anos voltaram de uma vez, como uma onda enorme invadindo o peito de Lorena. Era como um redemoinho violento, girando sem parar, arrastando ela para o fundo, até afogá-la.

Lorena sentiu que o ar não chegava aos pulmões. O peito e o coração dela doíam como se estivessem sendo rasgados. Com as mãos trêmulas, ela abriu, no celular, um álbum que ela não tinha mais coragem de tocar havia cinco anos. Nele estavam as fotos e vídeos dos treinos e das apresentações da época em que ela fazia a graduação em dança.

Desde que Lorena não pôde mais subir ao palco, ela tinha trancado ali, naquele celular, todas as fotos e todos os vídeos relacionados à dança. Ela tinha colocado senha em tudo e nunca mais tinha aberto nenhum arquivo.

Naquele momento, com os dedos tremendo, Lorena clicou em um vídeo qualquer. Ao som da música, ela se via rodando, saltando, abrindo um espacate perfeito no ar.

Naquele tempo, Lorena também tinha brilhado. Ela tinha tido um corpo leve e forte, tinha dominado o palco, tinha recebido aplausos ensurdecedores…

Então salvar alguém era um erro? Mas, mesmo no momento em que ela tinha salvado Isaac, Lorena não tinha pensado em se casar com ele.

Tinha sido Isaac quem dissera que queria casar com ela. Ele tinha preparado um pedido de casamento grandioso, ajoelhando-se diante dela com um anel de diamante enorme nas mãos, enchendo o coração dela de esperança.

Lorena, com a mão trêmula, desligou o celular com força e, pela primeira vez em cinco anos, ela se jogou na cama e desabou num choro alto, sem se conter.

Ela chorou por muito, muito tempo, até se sentir exausta. Até que nenhuma lágrima saiu mais, sobrando apenas a dor no peito, queimando como se uma chama estivesse torrando o coração dela por dentro.

Mas foi justamente essa dor que, depois de tanto rodar nesse redemoinho sufocante, deu a Lorena uma fresta de lucidez.

Quanto mais doía, mais ela ficava lúcida.

Lorena foi até o banheiro e lavou o rosto com água fria, esfregando com força, obrigando-se a se acalmar.

Quando ela encarou a própria imagem no espelho, sem nenhum brilho, sem nenhuma luz, ela falou em silêncio consigo mesma:

"Lorena, chorar uma vez já basta. Você não tem mais permissão para chorar. Agora, você vai comer direito, vai descansar direito e, amanhã, vai fazer a prova direito."

A única coisa pela qual Lorena se sentia grata, nesses cinco anos de casamento, era o fato de que, para matar o tempo, ela estudava todos os dias. Não que ela tivesse grandes ambições, mas é que ela tinha tempo demais, vazio demais.

Esperar Isaac voltar para casa tinha virado a rotina inteira dela. Mas Isaac sempre chegava muito tarde. No começo, ela tinha achado que era por causa do trabalho. Depois, ela descobriu que ele simplesmente não queria voltar cedo e encarar ela.

Ela tinha ouvido isso com os próprios ouvidos.

Naquela época, Lorena, ainda ingênua, se preocupava de verdade com o cansaço dele no trabalho. Ela tinha reunido coragem, preparado comida com as próprias mãos e levado até a empresa dele. E então, antes de bater na porta, ela ouviu uma conversa que não era para ela ouvir.

Era Isaac conversando com um amigo, dentro do escritório.

O amigo tinha perguntado por que ele ainda não tinha ido embora, já era tarde, quase não havia mais ninguém na empresa, e mesmo assim o presidente ainda estava ali "fazendo hora extra".

Isaac tinha respondido, com a própria boca:

— Eu não sei como encarar o entusiasmo da Lorena quando eu chego em casa.

Naquele momento, a Lorena de coração simples não tinha entendido o peso da frase. Mas o amigo dele tinha entendido na hora. O homem arregalou os olhos e falou, escandalizado:

— Não é possível! Isaac, não me diz que vocês ainda não tiveram vida de marido e mulher?

Isaac tinha ficado em silêncio. Era a verdade. Isaac nunca tocava nela.

Lorena já tinha dado sinais, já tinha tomado a iniciativa, já tinha, sem vergonha nenhuma, subido em cima dele, tentando provocar algo. Mas, todas as vezes, ele tinha arrumado alguma desculpa para recusar. Tipo:

"Você não está muito bem de saúde."

Ou:

"Eu estou muito cansado esses dias."

Lorena não era burra. Com o tempo, ela entendeu que ele só fazia aquilo porque não a amava, então ele não queria encostar nela.

Mas ouvir Isaac dizendo aquilo com tanta naturalidade doía de um jeito completamente diferente. Quando ela ouviu da boca dele, a dor atravessou o peito dela como milhares de agulhas. Ela quase não conseguiu respirar.

Depois, o amigo de Isaac, meio brincando, meio falando sério, tinha perguntado:

— Isaac, quando você olha para a Lorena, você não sente nem um pouco de desejo de homem? De qualquer jeito, ela é bonita pra caramba.

E Isaac respondeu:

— Eu já tentei. Eu queria ter uma vida de casal normal com ela. Mas, toda vez que eu vejo a perna dela, eu… eu perco o interesse na hora.

Aquela frase de Isaac virou uma agulha enterrada bem fundo no peito de Lorena. Nos anos que vieram depois, aquela agulha continuou ali, cutucando. Bastava ela lembrar que a dor voltava, aguda, insuportável.

Então era isso… A perna dela, cheia de cicatrizes, com músculos atrofiados, uma perna que tinha ficado daquele jeito porque ela tinha salvado a vida dele, era, aos olhos dele, algo nojento. Era algo que repelia ele. Era o motivo pelo qual ele não sentia nenhum interesse por ela.

Naquele dia, Lorena não teve coragem de bater na porta do escritório. A comida que ela mesma tinha preparado acabou indo parar no lixo da empresa.

Depois disso, ela nunca mais tinha pisado na empresa de Isaac.

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Comments (6)
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Hieda Nogueira Menezes
não consegui dar sequência a história depois do capítulo 400 . Como pular
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Luana Matos
vai embora ser feliz
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Sell Baptista
coitada, muito triste não ter reciprocidade.
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