LOGIN— Eu sei. Você já tinha me contado. — Disse Breno.— Mesmo assim, ela ainda quer se divorciar. — Isaac respondeu.O silêncio que tomou conta do escritório foi tão grande que dava para ouvir um alfinete caindo no chão.Mas logo Breno falou:— Se é ela que quer se separar, então deixa separar. Não foi você que errou com ela. Você já tentou segurar esse casamento. Se mesmo assim ela insiste em ir embora, para você isso também é uma libertação.— Libertação? — Isaac repetiu a palavra, com o olhar perdido.— Isso mesmo, libertação. — Breno continuou. — Esse casamento nem era o que você queria. Na época, você não tinha saída, por isso você sacrificou a própria felicidade e acabou se casando com ela. Você penou cinco anos. Agora é ela que está pedindo o divórcio. Por que você não aproveita a maré e deixa as coisas seguirem o curso?A expressão de Isaac foi ficando cada vez mais sombria.— Não me diga que você está com pena de se separar dela. — Breno viu o jeito dele e perguntou.Isaac contin
Com um estrondo, o pote de sopa escorregou da mão de Isaac e caiu no chão. No meio daquele monte de palavras, ele só enxergou uma coisa: a palavra "divórcio".Já fazia um mês que tudo aquilo tinha acontecido. Ele tinha achado que Lorena só tinha saído de casa para esfriar a cabeça e que voltaria mais calma. Nunca tinha passado pela cabeça dele que, quando ela voltasse, ainda assim ia insistir no divórcio.Quando Isaac pensou naquele homem odioso que vivia grudado nela, ele engoliu a raiva e mandou uma mensagem:[É por causa dele?]Lorena nem sabia exatamente de que "ele" Isaac estava falando, e ela não tinha a menor paciência para responder esse tipo de pergunta ridícula. Naquele momento, Rita precisava ir ao banheiro, então Lorena tinha menos tempo ainda para perder com esse tipo de "lixo" de mensagem. Ela chamou a cuidadora e ajudou a avó a se levantar da cama.Isaac não recebeu resposta de Lorena. Em vez disso, ele viu Ethan voltar.No instante em que Ethan apareceu, Isaac ainda est
Naquele momento, Isaac tinha acabado de chegar ao hospital. Ele estacionou o carro, pegou a comida e entrou no prédio de internação.No entanto, assim que ele chegou ao hall dos elevadores, antes mesmo de apertar o botão, ele foi cercado por vários homens usando camiseta preta, todos altos e fortes.— Quem são vocês? — Isaac imediatamente ficou em alerta.— Senhor Cunha. — Um dos seguranças chamou friamente.— Quem são vocês? O que vocês querem?— Senhor Cunha, é melhor o senhor voltar. Daqui para frente, o senhor não passa.— E vocês acham que têm o direito de me impedir de subir? — Isaac se irritou. — Em um país que tem lei, vocês acham que mandam em tudo agora?— Desculpe, senhor Cunha, até agora nós não fizemos nada demais. Impedir o senhor de subir para não atrapalhar o descanso da paciente é um pedido da família dela.— Família? É coisa daquele canalha, não é? Quem ele pensa que é? Que direito ele tem? — Isaac ficou ainda mais incomodado só de lembrar daquele homem que vivia barr
— Então eu vou sair um pouco. Vó, Lô, se precisarem de alguma coisa, é só chamar a cuidadora. Eu volto rapidinho. — Disse Ethan.— Vai logo resolver as suas coisas. — Lorena falou depressa.Ethan sorriu:— Eu também não tenho tanta coisa assim para resolver, já já eu estou de volta.Ele tinha colocado a avó em um quarto particular, próprio para pacientes graves. Na noite anterior, ele e Lorena tinham dormido ali mesmo: ele tinha ficado no sofá e Lorena, na cama de acompanhante.A cuidadora só tinha começado a trabalhar naquele dia. Mas a cuidadora só era responsável pelos cuidados médicos do dia a dia. Para a parte da comida, se eles conseguissem arrumar uma empregada que ficasse só por conta das refeições, seria o ideal.Enquanto Ethan pensava nisso, ele saiu do quarto e depois deixou o setor de internação.No hall dos elevadores, cinco ou seis homens já estavam em posição, bem alinhados. Quando eles viram Ethan sair do setor, eles imediatamente se organizaram em fila, peito estufado,
— Não é isso… — Isaac apertou a testa. — Eu realmente não tenho tempo…— Eu sei que você está ocupado! Eu sei que você não tem tempo! — As lágrimas de Aurora começaram a cair sem parar. — Quando as pessoas dizem por aí que eu sou uma mulher que engana os homens por dinheiro, você também acha isso de mim?— Eu não quis dizer isso…— Foi exatamente isso que você quis dizer! — Aurora pegou o celular, devolveu o dinheiro na mesma hora e chorou ainda mais. — Isaac, eu não quero o seu dinheiro. Eu só quero que você saiba que, mesmo que o mundo inteiro me julgue errado, eu não ligo. Eu só me importo com o que você pensa de mim…— Eu entendo, eu entendo, sim… — Isaac repetiu rápido.— Que bom que você entende. — Aurora sorriu entre lágrimas. — Isaac, vem comer. Eu comprei aquele bacalhau que você mais gosta.— Comam vocês dois. Eu ainda tenho umas coisas para resolver, preciso sair agora. — Isaac falou às pressas.— Qualquer coisa que você tenha para fazer, dá para fazer depois do almoço! — Au
Na empresa de Isaac, naquela manhã.De manhã, a reunião já tinha se arrastado por quatro horas seguidas. Já tinha passado da hora do almoço quando a sala de reuniões, de repente, ficou em silêncio.Os participantes começaram a se entreolhar.Todos os tópicos da pauta já tinham sido discutidos. Todos esperavam Isaac encerrar oficialmente a reunião, mas ele parecia ainda pensar em alguma coisa. Será que ele tinha mais algum ponto para tratar?Breno pigarreou de leve:— Senhor Isaac, o senhor ainda tem algo para acrescentar?Isaac finalmente despertou como se tivesse saído de um transe:— Ah… não, por enquanto é isso. Obrigado a todos, reunião encerrada.Assim que todos se levantaram, a porta da sala de reuniões se abriu e uma voz doce e animada ecoou:— Nossa, muito obrigada pelo esforço de vocês. O almoço já chegou, vocês podem comer aqui mesmo na sala.Aurora entrou sorrindo, carregando duas grandes sacolas de marmita:— Lá fora ainda tem mais. Abram essas duas aqui primeiro, que eu vo
— Isaac… — A voz de Lorena falhou, traindo o nó na garganta.— Hein? Lorena? — Isaac segurou a mão dela. — O que aconteceu? Você está com vontade de chorar? Se quiser chorar, chora. Não precisa segurar.A voz de Isaac era muito, muito doce.Era igual àquela época em que Lorena tinha saído da sala de
Depois daquele dia, Lorena voltou para os livros. Ela recomeçou a estudar. Na época, ela não tinha grandes planos. Ela só queria colocar algum tipo de apoio secreto naquela vida pálida que ela levava. Se ela tivesse coisas para fazer, ela não ia ficar o tempo todo lembrando daquela frase e se machu
Aurora, sempre atenta ao clima, entrou na conversa na hora certa:— Isaac, você não fica chateado só porque o pessoal falou mal da Lorena. Eles realmente estão pensando no seu bem. Pensa só: a nossa amizade já dura tantos anos… mesmo que alguma coisa que eles falaram tenha passado do ponto, você ouv
Mas a atuação exagerada de Breno fazia todo mundo dentro da sala cair na gargalhada. Aurora, sentada ao lado de Isaac, ria tanto que ela se jogava no ombro dele.E Isaac continuava sem dizer uma palavra.Breno virou-se ainda rindo:— Isaac, é assim que ela…Antes que ele terminasse a frase, ele viu