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Capítulo.04

Author: Bennys Black
last update publish date: 2026-08-28 04:07:58

Júlia Braga, ex-namorada de Marcel, a mulher que todos achavam que ele ainda amava. Chegou como quem sempre teve lugar reservado, com um vestido vermelho colado ao corpo e um sorriso de posse.

— Soube que você vai casar com a inimiga — disse ela, sentando ao lado dele. A coxa dela roçou a dele de propósito.

— O mundo dá voltas.

— E ela deixa você sair assim?

— Ela não manda em mim.

Júlia se aproximou. O perfume doce invadiu o espaço.

— Então mostra.

Marcel não se afastou. Sabia que estava sendo observado. Não por acaso, naquela mesma noite, uma foto deles juntos, começou a circular o braço dela perto demais, o sorriso dele perigoso demais.

Noite — Cobertura de Verônica...

O celular vibrou na bancada com a tela iluminando o rosto de Verônica. Ela abriu a mensagem com a foto de Marcel e Júlia.

Os dois próximos, ela rindo e ele com o uísque na mão. A legenda da mensagem era curta: “O noivo não perde tempo.”

Os olhos de Verônica não se encheram de lágrimas, mas sua boca tremeu.

Ela sentiu outra coisa: raiva.

Não porque Júlia estava perto dele.

Não porque ele parecia feliz, mas porque a imagem de um noivo em boate com a ex era exatamente o tipo de escândalo que poderia rachar a credibilidade do acordo.

Era imprudente. Era sujo e, pior, era Marcel tentando provocar como sempre.

O mesmo olhar de predador, a mesma boca torta, o mesmo calor que ela sentira quando os dedos se tocaram sobre os contratos.

Ela não ia dar esse gosto a ele.

Digitou uma única mensagem:

“Você quer brincar, noivo? Então brinque com juízo. Se sua ex aparecer mais uma vez vazando foto, eu mesma faço a assessoria arrancar o couro dela.”

A resposta de Marcel veio em segundos:

“Ciumenta, Verônica?”

Ela respondeu sem pensar duas vezes:

“Não. Eu só odeio quando você esquece que agora nós somos um produto. E produto rachado não vende.”

E apagou a luz.

O sono não veio.

Mas a fúria ficou quente, baixa, latejando entre as coxas como um aviso do que ainda estava por vir.

São Paulo, manhã da coletiva de imprensa.

O hotel escolhido para o anúncio oficial do noivado era um dos mais caros da cidade. Lustres de cristal pendiam sobre jornalistas ansiosos, câmeras a postos, flashes preparados para capturar cada microexpressão do casal mais comentado do país.

Verônica Luz chegou primeiro. Ela atravessou o salão como uma lâmina em movimento. Os cabelos negros presos num coque baixo, sem um fio fora do lugar. Os olhos castanhos, escuros e afiados, pareciam enxergar tudo ao redor sem esforço. O vestido azul-marinho cobria os ombros, mas desenhava o corpo com precisão cirúrgica. O tecido justo marcava a cintura estreita, a curva dos seios, a linha das coxas a cada passo. Nada exagerado. Tudo calculado.

Ela era a própria imagem do controle.

E foi exatamente assim que encarou a entrada de Marcel Ferraz no salão.

Ele surgiu alguns minutos depois, como se o atraso fizesse parte do espetáculo. Marcel tinha o tipo de beleza que dispensava modos: os cabelos castanhos levemente bagunçados, o maxilar marcado, os ombros largos sob o terno preto impecável. A camisa branca aberta no primeiro botão deixava entrever a pele do peito. Mas eram os olhos verdes, intensos, sempre um pouco debochados que seguravam qualquer um no lugar e que agora desciam devagar pelo corpo dela.

Verônica o recebeu com um sorriso que não chegava aos olhos.

— Atrasado, noivo.

— Fui avisado de que noivos apaixonados chegam juntos — respondeu ele, oferecendo o braço. — Quer tentar parecer feliz?

Ela aceitou o braço. As unhas cravaram de leve no tecido do terno, sentindo o músculo firme por baixo. O calor do corpo dele atravessou a manga e subiu pelo braço dela como fogo.

— Vou tentar. Mas se apertar demais, não reclame

— Dor é o que me mantém interessado, Verônica.

A frase saiu rouca. Os olhos verdes brilharam. Subiram juntos ao palco. O contato dos corpos, lado a lado, era elétrico. Cada passo fazia o ombro dele roçar o dela. O cheiro dele, madeira, perfume caro e algo quente, masculino invadiu o espaço dela.

Os flashes cegaram.

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